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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Dos bons malefícios de estar apaixonado


     É bom poder chorar por alguém, por mais que o choro seja triste e frio. É bom poder sentir a dor de possivelmente perder alguém antes mesmo que isso aconteça, nesse processo no qual o que era comum ou dispensável se tornar uma necessidade diária. É bom se sentir sozinho durante a noite por lembrar que tem alguém em algum lugar no mundo que teria o dom de te fazer feliz com um único beijo de boa noite. É bom ter um sorriso que se tornou tão importante a ponto de valer mais que o de qualquer outro. É bom poder abrir a mesma foto parada na sua área de trabalho e perder duas horas arquitetando planos de um futuro hipotético e improvável juntos, ou ainda imaginando coisas bestas de livros ou desenhos que não tem nada haver com suas obrigações. É bom esperar por alguém num banco qualquer de um lugar deserto e ter medo de que no momento que for embora a pessoa irá aparecer e se sentir triste por você ter ido. É bom poder fechar os olhos em cada abraço dado e fechar os olhos para gravar na sua mente cada detalhe do momento, como cheiro da pessoa e como o seu coração se debatia contra o peito, só pra depois ficar deitado na cama olhando o teto e desejando que aquele instante fosse eterno.
     Ruim mesmo seria não ter com quem sonhar quando deita sozinho a noite... Isso seria muito triste... Obrigado.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Astrônomo e o Nevoeiro

Antes

     Houve uma época na qual o Grande Reino se encobriu em Névoa. Névoa tão densa que os Cavaleiros do Rei andavam com os cavalos amarrados uns aos outros, para que não se perdessem. Os Comerciantes, com medo de alvo de saqueadores, fecharam as portas e as janelas dos armazéns. Poucos eram os que se arriscavam a sair de suas cabanas, pois o mundo fora delas próprias havia se tornado um mundo de desconhecidos e de frio cortante.
     Eu, antes do Grande Nevoeiro se instalar, era um Contemplador Real, titulo dado pelo próprio rei aos que ele julga sábios da arte da contemplação do belo. Era conhecido por todo o reino por saber a posição de cada estrela do céu em cada lua do ano e por saber só de olhar quais as maçãs prontas para a colheita e as que ainda deviam esperar. Lia, na mão dos aldeões o futuro de seus filhos e dos filhos deles sem errar nem uma linha... Mas isso foi antes do Grande Nevoeiro.
     Depois dele, pouco sabia de todas essas coisas. Na verdade, ainda poderia apontar no céu e dizer que lá estava uma bela estrela e dizer que as maçãs estavam maduras, mas não podia mais Contemplar nenhuma dessas coisas. Existe uma sutileza entre o Contemplar e o afirmar. Afirmar, sem Contemplar, é simplesmente ter esperança. Sendo assim, passei de Contemplador Real a um simples Semeador de Esperanças.
     Vagava pela névoa e pegava na mão dos Aldeões que por mim passavam. Vendo suas mãos sujas de tatear o chão procurando caminho na Névoa, eu ainda podia dizer de seus filhos e dos filhos de seus filhos, e assim fazer com que cressem que a névoa era um estado passageiro. Apesar de não ser a profissão que eu tinha escolhido pra mim, eu era um Semeador de Esperanças feliz.


Durante

     Numa dessas minhas caminhadas, encontrei um jovem rapaz. Ele estava sentado na grama molhada e olhava pro alto, pro distante. Aproximei-me dele para tentar ver o que ele observava tão atentamente, mas eu só via Névoa. Ele parecia tão solitário mas ao mesmo tempo tão seguro do que fazia que em instantes me convenci de que esse rapaz não precisava de um Semeador de Esperanças, e segui meu caminho.
     Passei pelo mesmo lugar algumas vezes e vi que ele sempre estava lá, olhando pro alto na Névoa... Isso começou a me instigar. De certa forma, esse rapaz me lembrava eu mesmo no meu tempo de Contemplador, e isso me fazia reviver boas lembranças da profissão que já não mais restava em mim.
     Certa noite eu perguntei “Olá, sou o Semeador de Esperanças Real. Quem és tu?”. Não houve resposta por alguns instantes, até que ele balançou a cabeça, como quem desvia o foco de algo importante, e respondeu “Sou um Astrônomo. Desculpe, estou trabalhando.”. “Trabalhando?”, me perguntei. Astrônomos precisam ver o céu pra trabalhar, e eu só via Névoa. Mesmo assim deixei o suposto astrônomo, que se dizia tão ocupado, cuidar do seu céu de névoa.
     Dias depois ainda estava ele lá. Me aproximei indignado. “Ainda a ver estrelas, Astrônomo real?”. E a resposta veio na forma de um rápido e eficaz “Sim.”. Falei, “Bem, será que não terias um momento para um Semeador de Esperanças? Talvez possa te ajudar em algo.”. O Astrônomo mal esboçou reação, apenas Estendeu a Mão para mim. 
     Em suas mãos, as linhas cruzadas me disseram que ele era rei de seu próprio reino e que tal reino era terra que só ele poderia plantar. As linhas disseram que eu nada eu poderia fazer pra ajudar, por que não havia Bom Fruto que eu pudesse Semear que lá já existisse com abundancia. Pela primeira vez, peguei na mão de alguém que não precisava de um Semeador de Esperanças.
     Largando sua mão, tirei um pote do meu bolso e pequei uma pequena semente dentro. Disse “Tome, bom Astrônomo Real. Não posso Semear nada que já não tenhas consigo. Te dou das minhas próprias sementes, um único grão é tão doce que pode matar a fome se quiseres. Mas os mais doces grão vem se quiseres o cultivar no solo onde só tu podes plantar.”. O jovem Astrônomo sorriu sem tirar os olhos do seu céu e disse “Obrigado.”, colocando a semente que eu havia lhe dado em seu bolso.
     Semanas depois, passo na mesma grama em meio ao Grande Nevoeiro, e ouço a voz do Astrônomo dizendo “Sente-se comigo, Semeador de Esperanças. Vamos olhar as estrelas.”. Ainda que incrédulo, sentei ao seu lado. Olhando para o alto, mesmo só vendo Névoa eu ainda sabia a posição de cada estrela do céu. Mesmo que por trás do véu branco. “O que vês no céu, Astrônomo Real? Quais estrelas estais a estudar?” Indaguei curioso. E ele disse “Vês a grande estrela rosada que quase toca o topo do céu hoje? É ela que estou a estudar.”. Eu sabia que tal estrela não estava lá, nem antes nem depois da névoa, mas mesmo assim ele olhava reto na tal direção.
     Curioso, perguntei: “O que mais vês no céu, Astrônomo do Rei? Conte para que eu também possa conhecer teu céu.”. Peguei no meu bolso meu velho caderno de Contemplador e me propus a tomar nota. Nos próximos dias, tudo o que fiz foi catalogar o céu do Astrônomo Real. Não demorou muito para que eu soubesse de cor a posição de cada estrela da qual ele falava, mesmo por trás da Névoa. E não demorou para que eu começasse a troca-las pelas minhas antigas estrelas. Quando desenhava um mapa, via que nele eu colocava estrelas que não eram minhas. Como se o céu que eu agora conhecia fosse fruto de uma fusão. Não mais conhecia o céu por trás do Nevoeiro com meus olhos, e sim com um meu e um do Astrônomo Real.


Após

     Não foi só o céu do Astrônomo Real que mudou meu céu. Sua presença em meio a Névoa havia se tornado uma das únicas que eu de fato notava. Andava pelas ruas e, se algum Aldeão o pedisse, fazia vagas previsões sobre o por vir e Semeava a Esperança de uma maneira fraca, sem muito valor de fato. Dava apenas a quantidade necessária para a não desistência.
     Além disso, notei o quanto a ausência do Astrônomo Real me abalava. Nas tardes mais claras, quando o Grande Nevoeiro se fazia mais branco que cinza, não o encontrava no gramado de sempre. Por vezes, ele só regressaria na noite seguinte, com um sorriso de canto e com a frase de sempre: “Dias claros não são para os Astrônomos, caro Semeador de Esperanças.”. Na verdade, por vezes eu fiquei apenas sentado na grama e olhando para o auto, vendo o branco da Névoa com os olhos, mas o céu do Astrônomo em meus pensamentos... Não me incomodava o fato de que ele não viesse, apenas pensava no quanto seria bom estar em sua companhia.
     Fui tomando consciência de que tinha passado de um Contemplador arruinado para um Semeador que não semeava mais, apenas contemplava. E o que eu contemplava era a chave de tudo. Eu era agora o Contemplador Real do Astrônomo Real. Fiz desse passatempo uma tarefa e aos poucos tornei essa tarefa um ofício. Mas não era tão bom ter mudado assim...
     Como Semeador, deixei a desejar. Ao longo dos últimos tempos tinha tido uma única semente. Semente essa que nunca havia visto semelhante, nem em meus tempos de Contemplador Real. Porem, não sei mais onde essa semente está... Na verdade, sei pra quem a dei, mas um Semeador também deve dar terra, dar água e dar proteção, e não só entregar a semente. Um Semeador não é um bom Semeador se não obtêm os frutos de sua semente.
     Mas porque não vi os frutos? Por que se quer eu os semeei! Não Preparei o Solo, não Dei Água, não Cuidei... Se não houvesse tanta Névoa, talvez o Rei já tivesse me destituído do meu cargo por inabilidade. E seria justo.
     Meu maior erro foi Contemplar quando na verdade deveria ter aceitado meu ofício de Semeador. Meu maior pecado foi me deixar Fascinar, e com isso deixar de ser o que era para me tornar o que eu almejava ser... Deixar de viver a minha vida para viver a vida que eu queria viver...

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Lamentavelmente Mudei

     Um dia eu percebi que não mais me apaixonava... Apenas gostava...
     Quando notei o que tinha ocorrido, mal pude acreditar. Não sabia como eu, ao longo de cada um destes anos, me tornei assim. Sabia, porem, que não voltaria a ser como era. Olhei no espelho e me perguntei como pude, me perguntei o porquê... Mas não sabia... Eu tinha perdido o que eu julgava mais nobre em mim e agora eu era comum, mais uma alma perdida...
     Quis chorar, mas parece que até este dom me foi roubado. Todas as lagrimas que já avia derramado agora estavam secas. Talvez já tivessem sido até bebidas após choverem, talvez tenham ajudado a muito mais pessoas do que a mim... Quando precisei das preciosas gotas de tristeza para acalantar a morte do meu próprio coração, notei que já tinha as dado para outros que delas mal fizeram uso... Outros corações que já jaziam sub a mesma lápide onde hoje o meu repousa...
     Olhava para os belos rostos e sorrisos ao meu redor e todos me eram iguais. Quando um se aproximava, meu cérebro dizia simplesmente “gosto”, “agrado”, “admiro”... O outros termos que eu outrora usava simplesmente sumiram... Não mais existia um alguém que me fazia rir ou chorar, no máximo eles me arrancavam sorrisos empáticos e sem mais a doce e valiosa inocência que eu já não mais tinha...
     O que será que ocorreu a ela... Terá morrido de tédio ou se afogado em sua própria melancólica existência? Talvez ela me tenha sido roubada por cada um dos que de mim se aproximaram e criaram em mim vazias e dolorosas esperanças... Mas quando penso neles, não tenho forças para culpá-los pelo furto de nada, quanto menos da minha inocência, do meu antigo espírito de apaixonado.
     Talvez não seja um caso de morte, mas sim um sequestro... Parece que não mais sei chorar por minha própria dor e me apaixonar por outros, mas ainda choro por cada um destes que por mim passaram. Ainda sinto o mesmo calor no peito por eles que não sinto por mais ninguém...
     Será que eles tomaram partes de mim pra si? Será que o que eles têm não pode ser devolvido? Eu preciso disso! Preciso amar novamente, assim como eu os amei um dia! Minha alma clama pela doce ilusão de estar apaixonado assim como o injustiçado clama por justiça... Dizem ainda que mesmo a mais seca das minas pode dar ouro a um habilidoso mineiro. Será que, caso meu eu roubado por tantos não tenha retorno, ainda terei algum resquício de inocência para oferecer?

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Negociação

     E se de amar eu sorrisse o mais puro dos sorrisos? E amasse tão belo quanto a mais bela das flores e chorasse um choro tão límpido que desce inveja ao grande lar das sereias? Será que assim me amaria?
     E se eu compusesse um hino impar à sua beleza? E se louvasse seus olhos como os que louvavam aos deuses do passado o faziam e erguesse um monumento de jaspe em seu nome? Será que nem assim me amaria?
     E se eu espalhasse aos quatro ventos poemas de amor? E se desenhasse cada parte do seu corpo de uma vez e por fim um grande retrato seu fosse formado, recobrindo todo o céu? Ainda assim, será que não me amaria?
     Se eu mudasse a língua do mundo para sua favorita? Se eu comprasse seu restaurante predileto ou ainda pagasse um show daquele cantor que embalava cada um de seus sonhos? Mesmo assim, não mereceria que me amasse?
     Se eu me lançasse longe de quem eu sou? Se eu deixasse meu eu a deriva no mar mais distante, fazendo apenas o que te faz feliz, e ignorasse tudo o que eu sou para ser o que você queria? Ai de fato você não me amaria...
     Posso dar tudo em troca do seu amor, e daria... Mas se desse quem eu de fato sou... Quem você estaria amando?

sábado, 16 de novembro de 2013

Dos Olhos que Tive

     Enquanto eu olhava para seus olhos, vi o quanto eu mudei ultimamente. Este olhar distante, curioso e por vezes tão triste, me lembrou de mim mesmo a tempo, quando eu si quer me perguntava quanto ao porquê de ter esperança, simplesmente a tinha. Eu já me apaixonei a primeira vista quando tinha esta luz no olhar, já sorri do simples fato de dizer oi... Já amei como julgo que talvez nunca mais ame... Amei por que não tive medo! Amei por que, enquanto um estranho sentado ao meu lado me olhava, eu simplesmente admirava as luzes e as formas dos espetáculos. 
     Lembrei-me agora de que já passei por isso. Já olhei pro lado nesta mesma platéia e percebi um olhar não voltado para o espetáculo, e sim para mim. Foi um começo lindo de um fim trágico. A ilusão, a inocência, a doçura... Com a mutilação constante do nosso coração, tudo isso se esvai lentamente. Quando nos damos conta, já nos tornamos máquinas automáticas de tomar decisões acertadas baseadas em lógica, não em sentimentos. Quando percebi que já não podia mais dar meu coração da mesma forma que antes, notei o quão decepcionante com sigo mesmo perder até o que julgava ser mais lindo em você mesmo...
     Ao mesmo tempo, hoje parte daquilo que eu fui gritou de dentro de mim. Os olhos brilhantes que refletiam a luz dos holofotes distantes despertaram um sentimento de afeto tão grande. Dentro de mim, uma força gritava, implorando por um abraço forte... Ela queria um aromático bolo de cenoura, um copo de chocolate quente, um livro lido na frente de uma lareira... Ela queria ser feliz de novo, simples e completa como já fora outrora.
     Dizem que não se pode ensinar novos truques a um velho cão, mas e quanto a lembrá-lo dos  truque que ele já havia esquecido completamente? Não sei o que tinha brilhando por trás daqueles olhos caídos, mas me encantou tão profundamente que nem sei mais se meu coração realmente esqueceu tudo aquilo que não sinto há tanto tempo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Sentimentalismo Quântico

     Desde que os cientistas do inicio do século passado resolveram enfiar de vez esta coisa de relatividade e teoria quântica na física, dissemos adeus a tudo que julgávamos determinísticos na única ciência exata que se propunha a descrever o futuro antes que o mesmo ocorresse. O pior talvez seja saber que esta não foi uma escolha: O mundo não é, de forma alguma, determinístico. Porem, ainda sabemos que uma dada condição inicial nos garante a total improbabilidade de uma série de respostas (Pelo menos pelo que já conhecemos.). Podemos traçar um espaço de respostas possíveis e descartar outras tantas. O difícil é entender quais são estas. Em mecânica quântica, este é um problema chamado de “Problema de Auto-Valores”, onde temos “só” que achar as soluções de uma equação (Dizendo assim, parece até que isso fosse simples.), a famosa Equação de Schrödinger.
     Se é assim, e é, o que então podemos tirar de previsão da natureza? Sabemos as coisas que podem acontecer com suas respectivas probabilidades. A pergunta então passa pro experimento: Será que a probabilidade realmente se verifica?  Até agora, poucas teorias foram tão certas quanto a Teoria Quântica.
Vamos agora mudar de foco um pouco: Quando conhecemos uma pessoa nova, alguém em potencial, estamos nos deparando com um complicado problema de previsão. A pessoa pode ser tomada como uma condição inicial do problema. Já nós? Somos como condições de contorno (Termo que usamos em física e matemática para coisas que restringem os objetos procurados, como as bordas de uma caixa.). O que nos resta agora é tentar averiguar a solubilidade do problema. Vejam bem, não existe uma equação mágica que nos permita ver a possibilidade de compatibilidade entre pessoas. Mas quero enxergar isso de uma maneira mais próxima.
      A Equação de Schrödinger é um caso particular de uma equação do tipo H(f(x)) = E.f(x). Vamos escrever esta equação de um jeito menos matemático: “Eu faço a pergunta H para a f(x), em seguida, obtenho a resposta E da f(x).” Então, podemos pegar nosso problema e escrever ele desta forma, não é? A pergunta H pode ser, por exemplo, “Você gosta de mim?”. Teremos dois valores possíveis, ou E=“Sim.” ou E=”Não.” (Vamos desconsiderar os casos extremamente mais complicados. Geralmente eles só aparecem em Mecânica Quântica quando a pergunta H não é bem feita.). 
      O problema, como já disse, é que aqui as coisas não são matemáticas. Por isso, não podemos de vez calcular a probabilidade de cada uma das respostas. Aqui, os únicos cálculos válidos são a intuição e o bom senso. Meu professor de física matemática me disse uma vez que “Nossa intuição só nos manda dormir e comer doces.”, sendo assim, não julgo que se deva confiar muito nela pra tirar qualquer conclusão. Já o bom senso sozinho não da conta de fazer todas as previsões.
      Em física experimental, quando chegamos neste impasse, geralmente montamos o experimento e vemos no que vai dar. Mas lá podemos fazer o experimento um milhão de vezes para poder fazer estatística e achar as probabilidades. No nosso experimento mental aqui não temos este luxo. Faremos o experimento uma vez, e nenhuma outra. Os riscos existem, mas um bom cientista sempre tenta usar o bom senso primeiro e a coragem logo em seguida. 
      Recentemente procuramos variáveis escondidas que nos ajudassem a poder dizer que o mundo era determinístico, mas a procura acabou num fracasso total, e ainda negando a possibilidade de que tais coisas existam. Devemos nos contentar com o fato de que Schrödinger foi uma boa cartomante pra elétrons, mais ainda temos sérios problemas pra prever o futuro dos humanos.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Encantados, mas Imperfeitos

     Já falei aqui mesmo que príncipes encantados não existem. Pois bem, vim aqui reformular isso: O que tenho visto por ai são príncipes sim, mas cada um com o seu defeito particular. Mas isso é obvio, não é? Desde criança, nos empurraram histórias de príncipes que tinham seus problemas pessoais. Tinha um que se aproveitava de mulheres enquanto elas dormiam, outro com seria queda por garotas mortas em bosques. Tinha um que nunca viu uma gilete na vida e roncava feito um cão (Este era o favorito da minha mãe.) e outro era de um país diferente, que queria dominar e escravizar o seu povo... Cada um com os seus problemas, cada problema pior que o outro. Acho que no fundo o nosso erro não está em acreditar que o príncipe encantado existe, está em pressupor que ele é perfeito.
     Recentemente conheci alguns príncipes encantados, dentre os muitos que conheci em toda a minha vida. Um melhores, outros piores. Tem um com excelente gosto musical e com um sorriso lindo como o de uma criança, alem do incrível dom pra fotografia, mas que não fala muito e nunca continuou um assunto que eu tente puxar. Outro ainda que é um artista nato e sonha tão alto na vida que do alto dos seus sonhos pode acenar para monges tibetanos meditando, porem é do tipo que prefere estar sozinho (E o deve, se quer mesmo atingir suas metas.). Conheci outros ainda que eram cascas lindas, do tipo que valeria a pena parar olhando e desenhar cada detalhe da expressão pra criar uma obra prima, mas que na primeira oportunidade já queriam tirar a roupa. São tantos, mas tantos que não dá pra contar com os dedos (Nem falar de todos eles aqui.).
     Alem disso, existem os que chamarei de “Príncipes Amaldiçoados”. Parece um nome sério, né... Mas é minha maneira de dizer de príncipes que mascaram seus defeitos e aproveitam suas qualidades para tirar vantagens dos outros. Príncipes assim também existiram nos contos de fada, só parar pra pensar. Na vida real temos lotes e lotes deles. Acho que os que mais conheci foram os que tentam se aproximas dos inteligentes e usufruir de seu dom, os ludibriando com seus talentos como beleza ou outros. Mas ainda existem os oportunista, os golpistas, os infiéis, os colecionadores (Palavra que aqui se refere aos que gostam de ficar com gente de todo tipo o tempo todo, como quem monta uma coleção.). 
     A Bela Adormecida, conto que li ainda criança, falava de 13 fadas. Acho que isso ainda se aplica aos dias de hoje. Todos nós temos um encantamento concedido por uma das doze fadas que receberam convite, e outros tem uma maldição rogada pela esquecida e ignorada fada marrom. Isso faz de todos nós príncipes, que por sermos humanos, temos defeitos incalculavelmente complicados. Mas um dia você (ou ele/ela) acorda com um beijo e ai não dá mais pra mudar muita coisa. Ainda acho que o truque é escolher uma boa torre, um bom dragão guarda e tomar sonífero até o príncipe encantado chegar. (Embora eu esteja cogitando trocar o dragão por um dinossauro, que é muito mais legal!)

domingo, 23 de junho de 2013

Pouco Mudei

Pouco mudou neste começo de estação
O céu ainda está rosa a noite, sempre faz frio
E eu ainda me deito na minha cama sozinho
Ainda pego o meu celular como sempre fazia
E ainda tento mandar as mesmas mensagens
Para a mesma pessoa que há anos que mando

Minha barba maior só disfarçou minha idade
Ainda sou jovem demais para ser creditado
Jovem demais para ser tratado com respeito
Jovem demais para conquistar quem eu amo
Ainda falta a experiência adquirida com os anos
Que meu sofrido coração ainda não assimilou

Ainda estudo as teorias que eu sempre estudei
Números demais aplicados a problemas insolúveis
Ainda teorizo sobre as mesmas idéias que tinha
Enquanto coloco minha cabeça da forma desejada
Mesmo não podendo mais fazer os mesmos traços
Por que esqueci o meu compasso numa estrela

Ainda olho pro céu a noite procurando planetas
E os focalizo com a mesma lente ocular embaçada
Ainda troco o garfo pelo fouet sem necessidade
E pico os meus legumes com tesoura, não com faca
Ainda ouço as mesmas musicas quando triste
E as cantoras sempre me lembram de quem amo

Ainda amo as mesmas pessoas que antes
Ainda sou consolado pelos mesmos amigos
Ainda choro pelas mesmas causas inúteis
E pelas mesmas coisas que não acontecerão
Ainda me apaixono em apenas um piscar de olhos
E me deixo iludir pelos mesmos velhos truques

Posso dizer que ainda sou meu mesmo em fim
Cresci muito pouco de uns tempos pra cá
Ainda tenho os mesmos olhos caídos de antes
E ainda choro por dentro quase todo o tempo
Mesmo negando sempre que me perguntam
Por amor aqueles poucos que me consideram

E ainda tenho um velho livro para escrever...

domingo, 2 de junho de 2013

Algumas Desculpas e Agradecimentos

     Às vezes, fazemos burradas tão grandes que nada pode apagar. E isso não é tão incomum quanto pode parecer. Você que está lendo este texto com certeza já deve ter deixado de estudar para uma prova insubstituível, não é? Deve ter uma ou duas, se não dezenas, de cicatrizes que vieram de pequenos deslizes incorrigíveis. Bem, isso não é de tudo ruim! Podemos aprender muito com esse tipo de erro. Só quando passamos por coisas assim, sabemos realmente o peso de nossas ações.
     Hoje escrevo para pedir desculpas por um dos meus maiores erros incorrigíveis. Este em particular deve ser o pior erro que uma pessoa pode cometer: Amar. Não! Amar por si só não é um erro. Mas o amor, se adquirido em um momento inadequado, pode desencadear uma série de eventos indesejáveis... Este momento inoportuno aqui é muito bem representado por um amor não correspondido por um amigo. Sério, se nunca fez isso, agradeça aos seus deuses todos os dias! É horrível! A gente chora, a pessoa que amamos chora, as pessoas que nos amam choram...  Simplesmente, este é sim um erro incorrigível.
     Quando digo incorrigível é por que é amor. Se fosse qualquer outra coisa (Como paixonite, tesão, fogo, etc...), um pouco de vinho, tempo, chocolate e sono já tava de bom tamanho pra esquecer. Com o amor o buraco é mais embaixo. A gente fica o resto da vida preso à pessoa, preocupado com ela, como se de alguma forma fossemos responsáveis por tudo de ruim que acontecer a ela, pelo simples fato de não estarmos lá para protegê-la. Podem se passar anos, mas toda a vez que você ver a pessoa, vai sentir a mesma vontade de ir até ela e abraçá-la apertado, como se nunca fosse soltar. E toda vez que abraçá-la, seu cérebro vai parar o tempo por alguns instantes e registrar cada décimo de segundo com detalhes que só você poderia perceber.
     Então, este meu deslize aconteceu a um bom tempo. Hoje, ainda sinto esta vontade de estar perto e de ajudar essa pessoa em tudo que ela precisar... Porem depois de tanto correr atrás dele, acho que a assustei... Talvez por que ela notasse que não ia ter cura... Talvez por que ela chorasse toda vez que eu falava no que sentia... Mas são só palpites... O fato é que, agora, toda a linda amizade que tínhamos virou um singelo aceno de longe nos corredores da universidade. Culpa? Unicamente minha por ter tentado algo impossível tantas vezes.
     Mas neste texto queria parar um pouco para dar a devida atenção para algumas pessoas. Existiram anjos na minha vida que eu nunca terei como retribuir cada favor que me fizeram. Eles enxugaram as minhas lagrimas sempre que chorei... Ouviram, e ainda ouvem, minhas lamentações estúpidas e recaídas infantis. Eles me deram água quando mal conseguia respirar, me abraçaram e me levaram pra casa quase rastejando. Estes amigos passaram as piores tribulações ao meu lado e sempre tiveram fé na minha felicidade futura, mesmo quando nem eu mesmo mais acreditava. (De um deles eu até roubei um beijo uma vez, pensando na pessoa que amo.) Sem estes meus escudeiros, mal teria chegado até hoje sem estar pelo menos mil vezes mais gordo ou fumando horrores... Eles me deram força pra continuar minha vida, mesmo depois de todas as minhas falhas (Às vezes falhas com eles mesmos...).
     Quero fechar este texto agora reiterando minha eterna divida com estes meus anjos da guarda... Qualquer coisa que eu possa fazer por eles será um eterno prazer, e sem dúvida bem menos do que eles merecem. Quero também pedir a todos, mais uma vez, pela minha humanidade limitada, pela minha mania de fazer o certo e por ser franco demais quando não deveria. Espero poder estar com vocês, pelo menos, o resto de nossas vidas.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

E se fosse diferente?

Se o garoto me amasse, seria diferente
Ele estaria aqui agora me consolando
Teria feito uma guerra quando parti
Não teria deixado chegar onde chegou
Não teria dormido quando eu falava
Não ficaria triste pelo meu atraso
Mas não sorriria tanto quando presenteado
Por que se ele me amasse como amei
Não teria por que ter presa na eternidade

Se meu amigo tivesse se apaixonado
Eu, que já o estava, estaria completo
Se ele tivesse me beijado quando pode
Se ao menos tivesse ariscado tentar
Teríamos sido felizes, mesmo que breves
E eu não teria chorado no meio de nossos amigos
Nem teria me entregado a algo novo pra esquecer
Nunca iria desistir de tê-lo ao meu lado
Mas temo que mesmo depois do que chorei
E de toda a dor que senti ao te ver com outro
Ainda não sei se desisti de te ter comigo
Como meu mais eterno e puro amor

Se aquele outro garoto não tivesse sumido
E me deixado achá-lo na cama com outro
Depois de quarenta dias sem atender o celular
Ou se ainda aquele outro se importasse comigo
Ao invés de pensar no que eu tinha a oferecer
Como um professor particular carente e comprável
E se não tivesse estragado nossa única formatura
E não tivesse me dado três meses de depressão
E não tivesse me mandado uma foto sem roupa
Que eu acho que foi só de provocação
Ou se ainda aquele outro não tivesse me agarrado
E me feito perceber o quanto gostava dele
Só pra me humilhar em publico na escola
Por que eu sabia mais química que a professora

E se eu não tivesse esta mania estúpida
De me deixar apaixonar por qualquer pessoa
Desde que demonstre um pouco de carinho
Se eu não fosse tão volátil e não chorasse tanto
Se não pensasse que o amor vale mesmo a pena
E desistisse de uma vez da minha esperança tola...
Será que, mesmo sem isso tudo que passei (e passo)
Será que mesmo assim ainda seria eu aqui?

Mas de fato creio que valeu a pena ter vivido
E chorado, e rido, e me entregado, e me vendido
E ter me apaixonado loucamente muitas vezes
Simplesmente pelo prazer de ser quem eu sou
E pela esperança (inocente) de que o pior já passou

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Me pergunto...


Quem vai te acordar as sete
quando perder a hora de acordar
e que vai ter posto a mesa
com café e a sua geleia favorita?
Quem vai te preparar uma sopa quente
quando você chegar gripado
depois de um dia de trabalho
naquele escritório gelado?
Quem vai pintar o nosso quarto
daquela cor que você adora
e te surpreender com um jantar romântico
só para comemorar?
Parece que não vou ser eu...

Quando vou poder fazer aquele crepe
com o molho de laranja e manteiga
que eu vou flambar no meio da sala
só pra te ver sorrir?
Quando eu vou te buscar na empresa
naquele nosso carro que você escolheu
e vou te levar para aquele restaurante
que serve uma mousse deliciosa?
Quando vou poder dançar com você
a principal valsa daquela festa
de comemoração de da passagem
que eu demorei anos para conquistar?
Quando vou poder te apresentar
para aqueles meus amigos tão estranhos
que você só olha de longe as vezes
e derreter minhas amigas com nossos beijos?
Parece que nunca vou poder...

Por quê?
Não sei...
Porque sim...
Porque eu não posso...
Porque você não quer...
Porque eu não dei sorte...
Porque eu não consegui...
Porque eu fracassei...
Porque me tornei obsoleto e falho
em minha principal tarefa
que é te fazer feliz...

domingo, 16 de setembro de 2012

Primeiro Selo: Os Sonhos


     Um peixe me disse uma vez que o caminho natural dos sonhos é o despertar. Transpor esta membrana que separa o Sonhar e o mundo em que vivemos é uma tarefa pra poucos, ouso ainda dizer, para os obstinados. Os sonhos são o momento em que a nossa mente despreza todas as leis da realidade, todas as limitações da “realidade”, e se deixa experimentar. Enquanto dormimos, nossa mente nos testa em situações de alegria e de tristeza a fim de nos tornar mais conhecedores de nos mesmos, alem de nos oferecer pequenos momentos de realização.
     Não é a primeira vez que escrevo sobre meus sonhos, na verdade já o fiz tanto que não me lembro nem qual foi a ultima, muito menos a primeira. Gostaria de ser capaz de escrever todos os meus sonhos, o que provavelmente daria um best-seller, principalmente para nerds, homossexuais e amantes da boa musica. Mas talvez possa resumir minha maratona de sonhador em três ápices, três historias de estórias que vivi em sonhos:
    Primeiro gostaria de contar do meu maior sonho, desde o momento que comecei a pensar sobre relacionamentos: O primeiro beijo, debaixo de uma chuva torrencial, roubado pela pessoa por quem você se apaixonou. Acho que, tirando eu, deve sobrar meia dúzia de homens no mundo com o mesmo sonho. Bem, meus leitores assíduos podem se lembrar da série “Mon Petit Chat Noir”. Esta serie foi escrita para o garoto com quem dei o meu primeiro beijo. Foram sonhos e sonhos narrados nesta época neste mesmo blog. Devo dizer que meu primeiro beijo não foi um marco da transição sonho-realidade. Em meus sonhos havia mais grama, mais pessoas e era eterno. Mas eu consegui pelo menos que foi roubado, foi do cara por quem eu estava perdidamente apaixonado e chuviscava no dia. Por mim foi perfeito e eterno. Dizem que o primeiro beijo nunca se esquece, eu acho que é bobagem. Mas afirmo categoricamente que nunca esquecemos da realização de um sonho.
     O próximo sonho de que quero falar é deveras estranho. Numa noite, eu estava na oitava serie na época, eu sonhei com um jovem mago. Estranhamente este mago tinha a pele toda roxa, assim como os olhos e o cabelo. Eu não sei por que, mas a partir daquele instante, eu sabia o seu nome. Era como se a palavra surgisse dentro da minha cabeça, uma palavra que nunca tinha ouvido: Alastus. Ele era tudo que eu queria ser, era como eu queria me sentir, ele era a personificação de todos os sonhos que tinha naquela época. Neste mesmo sonho, Alastus foi atingido por uma flecha no coração e socorrido pela sua irmã. Que rapidamente arrancou a flecha dele. No susto eu acordei, já era hora de ir à escola. Quando fui me trocar, vi que no lugar onde ele tinha sido atingido pela ponta de aço, eu tinha um arranhão em forma de “x” que não me recordava de onde tinha conseguido. Ignorei. Nas próximas duas noites, sonhei com Alastus, em ambos os sonhos ele era atingido, mas não morria, lutava e persistia com seus poderes. Na primeira noite foi a flecha, na segunda foi mordido na perna e na terceira uma lança no ombro...  Não sei como explicar ao certo, mas todas as noites acordei com arranhões nas formas dos ferimentos. Sei que parece uma besteira, mas pra mim foi muito real. Hoje, acabei por me tornar Alastus e transferir muito de mim a ele. Somos parceiros de estrada. Espero que em breve possa apresentar ele pra vocês.
     O ultimo sonho que gostaria de falar é o exemplo de sonho que não se cumpre nunca: Felicidade. Recentemente aprendi uma palavras que pode soar estranha: Eudemonismo. Mas consiste apenas do pensamento de que o objetivo da vida humana é a felicidade. Sou adepto deste pensamento, embora acho que a felicidade é utopia. Felicidade é um estado pleno onde nossas almas não se importam com nada, apenas com o agora. Não há necessidade de pensar no amanhã, nas conseqüências e nem nos riscos se somos felizes. Felicidade, acima de tudo, só é felicidade se é eterna. O que fazemos é colecionar pedacinhos de felicidade aos quais demos belos nomes: Amor, Alegria, Orgulho, Honra... 
     Acredito que não existe um caminho comum para todos, uma receita de felicidade. Devemos nos permitir sonhar e degustar as pequenas amostras que temos. Devemos tentar ser felizes sem nos atentarmos ao fato de que a vida não permite que sejamos plenamente felizes. Devemos apenas deixar seguir.A busca pela felicidade não é justificada pelo resultado, e sim pelo caminho.



Este desenho é a imagem que mais me indica os sonhos que narrei acima. Ela trás consigo um pouco do roxo, cor que pra mim se tornou uma bandeira, e também as fatias de felicidade que tanto procuro em minha vida. Sonhar é dar um passo a mais na direção da realização.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Transição

     Em alguns dicionários, podemos encontrar a palavra transição como um conjunto de mudanças que ocorre num dado espaço de tempo. Não sei se a palavra é bem essa, mas é exatamente deste sentido que queria falar. Esta tem sido uma grande semana de transição. Minha vida re-emerge de um período de férias completa: sem amor, sem estudo, sem trabalho, sem produção, sem novidades...
     Estas mudanças tem exposto um Alastus que não se vê a um bom tempo. Acordar às seis da manhã animado e sorrindo não é uma coisa comum, eu sei. Mas tenho conseguido esta façanha sem grandes problemas. Primeiro por que tenho tido sonhos revigorantes com a pessoa que escolhi pra sonhar, segundo que meus dias tem sido extremamente divertidos e interessantes, muito mais do que nas férias.
     O namoro, apesar de potencialmente complicado, tem me feito muito bem. O fato de nunca ter me apaixonado por alguém assim tem tornado esta experiência única. Pela primeira vez na vida recebi um “eu te amo” que não veio nem de minha mãe nem de um amigo, e isso pesa muito pra mim. Alem disso, a distancia é meio que uma coisa boa, pois nos dá espaço para sermos nós mesmos, sem as complicações que são acarretadas de um namoro que começa próximo. O nosso gradual conhecer aumenta minha curiosidade, e posso confessar que também o meu interesse.
     Sabem, às vezes me pergunto se não aconteceu um pouco rápido demais, porem analisando o meu histórico de paixões, talvez esta vez tenha sido uma das mais graduais. Sempre fui de paixões que surgem em um instante, através de um olhar ou de um sorriso, mas desta vez ela veio através simplesmente do conhecer... Poderia ser esta uma “paixão lógica”? Se meu celebro de físico me ajudou neste feito, acho que estou no caminho certo, raras foram as vezes que minha intuição física me traiu.  Mas não... Não se trata de lógica, e sim de amor, que como sabemos, é inexplicável...
     É engraçado se pegar do nada pensando em coisas de namoro... Nunca tinha me pego pensando nestas coisas... Não penso só em momentos românticos e bobos como de costume, mas também em coisas como casa, relação com a família, como posso ajudar isso tudo... Pela primeira vez sinto a fé no “felizes para sempre” se apoderando de mim com tanta veemência. Talvez seja por estar namorando alguém mais novo... Ou ainda por que acreditei demais em todas as coisas que me contaram quando criança...
     Vejam só como estou: Planejava escrever um texto sobre as varias coisas que estão acontecendo, e só consegui falar de uma até agora... Acho que também seja a mais relevante, a única que me faz sorrir de verdade, com certeza total... 
     Já que o texto acabou romântico, vai ai uma conclusão que cheguei agora a pouco: Meu romance tem gosto de musse de maracujá. Pode não fazer muito sentido pra você... Mas faz todo sentido pra mim... Se algum dia estiver tomando musse de maracujá, pense nisso...

domingo, 4 de março de 2012

Improviso - Dádiva

     É verdade que ando estranho... Uma leva de carência e solidão tem me tomado nos últimos dias de tal forma que era indescritível. Poucos foram os versos ou estrofes, e eu estava ficando frio, abatido, doente... O silencio estava se tornando um martírio pra mim... Minha própria companhia, que tanto preso, estava se tornando insuportável.
     Mas não posso questionar os métodos em que trabalha a vida. Em um sábado (dia que pra mim sempre foi sinônimo de fossa sentimental), um convite, uma conversa... Senti voltar um sentimento que não via há muito tempo na minha vida: Felicidade. Como já dizia Quintana, “sorri de repente e um gosto de estrela me veio no céu da boca”. Do nada a solidão que me invadia sumiu, e o quarto vazio nada mais era que a moldura de uma janela brilhante...
     A quem justificar? A quem culpar por isso tudo? Talvez a mim mesmo, com o meu estado supremo de carência... Ou talvez seja um caso diferente de química, algum atrativo comum... Só que livre de proximidade... Infelizmente... Alguns ousariam dizer que é amor... Claro que isso passa na minha cabeça muitas vezes, mas um bom escritor pensa sempre duas vezes antes de usar esta palavra. Tão bonita... Tão mortal...
     Mas quando paro em meu quaro e penso no que se passou nas ultimas horas... É mágico... É como se todos os pedidos que fiz durante chuvas de meteoros tivessem virado verdade... É como se voasse sobre um campo de flores, e sobre elas pousasse para dormir... É como o cheiro da flor da laranja... É de um jeito só seu...
     Enquanto meus olhos estão encobertos por este caleidoscópio de sentimento explosivo e confuso, minha alma se enche de questões, de duvidas, de incerteza... A final, lembro-me de como o mundo é cinza lá fora... Pra ser sincero, acho que desta vez vou preferir acreditar na lindas musicas tocadas em harpas e em pianos dizendo aos românticos que tudo vai dar certo e torcer pra essa ser a minha chance de ser feliz...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Tristes Verdades

     Uma triste verdade é que a beleza interior geralmente só pode ser vista pelos que nascem somente com ela... Odeio quando uma vez, ao termino de um namoro, ouvi a frase "Você é o melhor homem que qualquer pessoa poderia querer namorar..." e acho que foi a frase mais hipócrita que já ouvi em toda a minha vida. Se eu fosse mesmo o cara mais perfeito, por que então teria que ver quem eu amava nos braços de outro?
     Outra tristeza é que acreditei em mentiras durante muito tempo. Me contaram quando criança que algumas coisas existiam, outras deveriam ser sempre feitas de uma dada forma... Sempre com um ridículo censo pseudomoralista que notei que somente eu seguia. Meus amigos, alguns deles, ainda me acompanham... Acho que justamente por isso são meus amigos. E sempre que penso que estou fazendo errado, eles me colocam de volta neste caminho de carvão em brasa... São meus carrascos sim, mas andam de mãos dadas comigo sobre este penoso caminho.
     Talvez ainda possamos dizer que a única conseqüência disso é que a vida de que segue o caminho “certo”, se é que assim pode ser chamado, é ficar muito tempo sozinho, em casa, olhando o teto... E porque continuamos mesmo assim? Por que nos disseram em nossa infância que no fim tudo valeria a pena... E torcemos, dia aos dia, ainda que quase descrentes, que esta não é mais uma mentira idiota... Estamos cegos, assim como qualquer um, na mão de um futuro que ninguém conhece, mas que acreditamos que poderá ser feliz...
     E quem controla este futuro? A tão famosa justiça da vida. Eu confesso que acho que “A vida é justa.” não passa de um ditado, sem muito embasamento. A justiça existe sim, mas se ela se aplica ao caso de nós, pobres crentes na humanidade? Acho que não, mas torço para que sim... Por que por mais que eu nunca encontre alguém, por mais que eu nunca me encontre em alguém, por mais que nunca seja feliz de verdade, prometi a mim e ao mundo tentar ser eu mesmo... E o eu que eu sou me impede de ser desleal com minha moral, com o que eu acho certo, com meu coração, com as pessoas que amo...
     Preciso encontrar mais um parceiro de caminhada. Alguém interessado em tornar a caminhada na brasa mais suave, não de acabar com ela. Pois é fato: Quem sofre para amar, sofre por amor, mas sofre feliz...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Pagamento

     Seria divertido se tido o que se faz para as pessoas tivesse retorno. Não estou me referindo à historia que o que se planta, se colhe. Estou pensando em algo mais forte... Uma Segunda Lei de Newton aplicada às relações humanas. Algo que garantisse a reciprocidade dos sentimentos e de suas intensidades. Mas isso não existe, ou se existe não funciona como deveria. Mas nada me impede de fantasiar nisso...
     Fico pensando o que pagaria semanas treinando pra fazer uma sessão de massagem hipnótica perfeita em um cara que nem está mais perto de você. Ou ainda o que valeriam dezenas de poemas escritos para o mesmo par de esmeraldas. Recebi em troca disso tudo foram quase três meses de depressão e uma foto que não podia ser guardada... 
    Ainda me indago o que pagaria diversos sábados onde agüentei delírios de um louco apenas por que gostava de vê-lo falar sobre o mundo, sobre si mesmo e sobre mim. Como alguém poderia pagar por anos de cumplicidade de alguém que sempre o achou lindo, mas que nunca tentou nada em respeito à amizade? Não há o que pague por anos sendo objeto de sedução sem esperança... Por este fui pago com um estoque ilimitado das mesmas coisas...
     Será que algo vale ser trocado por um amigo que te amou mais que tudo? Que chorou por você todas as noites? Que ficou feliz quando você amou outro? Que te perdoou antes mesmo que você pedisse perdão pelos crimes que você nem cometeu? Que ora por você todas as noites? Que tem como objetivo de vida te ver feliz? Fui eu quem pagou ao garoto que ama com mais amor, e mais amor, e mais amor... Mesmo não tendo o amor que realmente queria...
     Será que existe algo que possa ser trocado por dias e noites de solidão e de espera, seguidas de manhãs vazias? Será que se ganha algo por tamanho sofrimento duradouro? Espero que sim... Mas por este ainda não recebi nada em troca...
    Não acho que se deva pegar por nada destas coisas, mas acho que se eu quiser ter algo em troca do que eu faço pelas pessoas, o bom caminho é fazer algo por elas, mesmo que no fim não ganhe nada. Gostaria que mais pessoas fossem como eu e se dispusessem a fazer, antes de recebem... A gerar sorrisos nos rostos que chorar... As pessoas precisam aprender a viver...

sábado, 7 de janeiro de 2012

Redefinindo Solidão

     “SO-LI-DÃO (s. f.) Estado de quem está só, retirado do mundo...” E eu não sei como pode ficar tanto tempo sem ler este verbete... Hoje, em um lapso de coisa alguma a se fazer, fui a um dicionário e procurei, pela primeira vez, o significado de solidão. Me surpreende o fato de que nunca havia verificado esta palavra, haja vista a freqüência com que uso esta palavra. Talvez por isso mesmo acho que não o tinha procurado: Solidão já me era tão cotidiano, que nem a percebia mais como algo que valesse a pena explicar. Algo tão normal como “sono”, “sorriso”... Solidão pra mim era como “pão”! E isso, como um pão! Que pessoa em sã consciência procuraria pão no dicionário! (Devo admitir que já o fiz, e me surpreende muito com o que li.)
     Pois bem, agora me restaram só estas palavras pra tentar explicar solidão. Não digo que vim ao dicionário atrás de uma solução de todos os meus problemas ou atrás da compreensão total de meu atual estado, porem esperava algo mais conciso, palpável... Talvez um exemplo de aplicação... Talvez um relato ou uma nota editorial. Por um instante me dei ao luxo de olhar o rodapé, mas nada de mais avia lá alem de uma explicação de fonte bibliográfica para outro verbete, algo que dizia respeito a astronomia, se não me engano. Isso era irrelevante neste momento. Estava de frente a uma verdade que nem eu podia compreender. Por que tão pouco pra explicar algo tão abrangente?
      Tomado por um impulso filosófico, me senti desafiado a escrever-lhes um verbete para que seja suprida a carência dos dicionários no que diz respeito à solidão. Acho que tenho bagagem de vida suficiente pra escrever este verbete... Sim! Acho que verbetes deveriam sim ser escritos por especialista! Talvez assim as pessoas ficassem um pouco mais inteligentes ao ler o dicionário, não apenas um pouco menos burras. Vamos lá...
     SO-LI-DÃO (substantivo altamente substancial e independente do sexo) Estado que sentimos depois de anos tentando encontrar uma pessoa que nos faça feliz e nunca ter sucesso; ato ou efeito de se deitar a noite, abraçar o travesseiro e se quer ter em quem pensar; sentimento presente em pessoas que foram retiradas de suas famílias, de seus amigos, de seus amores e de seus sonhos e postas em um mundo vazio, cinza e triste; conseqüência inevitável de muito amar e ser abandonado; síndrome caracterizada por carência excessiva, acompanhada de insônia, deficiência respiratória, olhos lacrimejantes e desejo latente de ingestão de glicose; comportamento condicionado comum em pessoas dotadas de fé, esperança e nem um pouco de amor próprio. (Ant.: Felicidade, Sentimentos Recíprocos, Abraço, Amor, Amigos Verdadeiros)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Valeu a Pena

     Se me perguntarem se valeu a pena, eu direi que sim. Todos estes dias corridos de noites mal dormidas e de travesseiros molhados de choro frio e solitário. Se eu pudesse voltar atrás, eu procuraria a marca de meus passos e caminharia sobre cada um deles. Aproveitaria as cartas que já estão digitadas, enviaria cada uma outra vez, reescreveria cada rabisco romântico... Acho que vale a pena sofrer por amor, sabem... Talvez seja o melhor de todos os sofrimentos. Sofrer por amor é dar sua alegria pelo preço de um sorriso. É a forma mais pura de caridade, onde nos fazemos escravos de um sentimento, nos fazendo dar nossas vidas pra alguém que na maioria absoluta das vezes mal se dá conta disso.
      Alem disso tive a sorte de passar por isso com alguém que poderia contar. Guardei meus sentimentos por que quis assim, mas sempre que precisei tive o seu carinho e disposição de me escutar. Me pergunto se algum dia você fará alguém tão feliz quanto me faz... Depois de tanto tempo tentando ser alguém nesta sua vida embaraçada, acho que me embaracei na minha própria vida, o que é engraçado, pois de alguma forma eu sabia disso, e gostava... E gosto... Talvez seja este meu lado que gosta de “sofrer por amor” que me fez ficar atrás de você tanto tempo, sabia. Se fosse outra pessoa por ai, aposto que já teria desistido e ido procurar outra estrela. Eu não, sou um obstinado, e nestes últimos dias meu objetivo era estar ao seu lado pra sempre...
      Bem, acho que falhei, mas podemos dizer que falhei com a classe de um artista. Mesmo depois de tudo te vejo sorrindo, te vejo feliz, e sinto uma romper meu peito como se fosse vitorioso. Sei que em algum lugar tem uma estrela me esperando, ela pode não ser você, mas será a minha estrela, aquela que eu estou apto e sou digno de receber. Agora, ando pelas ruas, olho as pessoas, vejo pessoas legais na faculdade e penso nelas como não pensava no tempo que devotei minha vida a você. Não que eu não te ache mais digno deste sentimento, porem acho que já passei da minha cota de lagrimas e mereço tentar ser feliz. Te doei muito tempo, e isso nem mudou lá em grandes coisas a sua vida, não é? Este tempo é seu! Não há quem te tome. E você não dará falta do tempo que não mais devoto à você, por que ainda vou dedicar uma fatia da minha vida para te fazer feliz! Porem agora vou guardando um pouco o tempo que eu estava usando. Parte vou usar pra mim... Preciso muito desta parte, mesmo antes estando a “gastando” com você. O resto vou por para doação até que algum interessado apareça. (Se existir algum ai, pode pegar o meu Facebook na página "Sobre Alastus", o link tá logo antes do texto, e a gente conversa.)
     Espero ter sido um admirador, um apaixonado, tão bom quanto você merece. Você pode ter sido o melhor de meus amores não realizados até o momento. (Pode se sentir orgulhoso, por que está à frente de muitos outros amores não realizados que já tive.) Estou agora entrando na velha estradinha de tijolos amarelos... Pegando carona num cometa pra ir ver se encontro um outro planetinha pra ficar quieto, rodando ao redor de uma nova estrela. Deseje-me sorte!

domingo, 13 de novembro de 2011

Valsa das Estrelas

     Quando vi que era o seu rosto que se aproximava, não podia mais olhar ao meu redor... Meu olhar a via se fixado na sua direção e todo controle que eu tinha de mim mesmo se extinguiu. Cada passo seu aumentava exponencialmente meus batimentos. Quando chegou perto demais para que eu pudesse fugir, achei que ia simplesmente desmaiar, mas acho que a rigidez de minhas pernas impediu meu corpo de tal feito. 
     Eu tinha que dizer algo inteligente, algo que não deixasse transparecer o que estava sentindo, mas não consegui... Eu estava só te olhando... A música que tocava já tinha sido completamente abafada pelo som emitido pelos pequenos globos brilhantes que flutuavam no seu olhar... Eu estava sendo afogado em meio à intensidade do seu sorriso... Este seu ser me tinha tirado de lá, e tinha posto você definitivamente em mim...
     Você disse algo que não pude ouvir, mas sei que sorri... Sei que você se aproximou e me deu um abraço... Neste momento chorei como uma criança que ganha um presente de natal... Chorei como um rio ao chegar ao mar... Chorei como chora o arco-íres... Chorei por ter você comigo, tão perto de mim... Chorei por esta simples alegria que me enchia como um tolo...
     Foi ai que ouvi um som distante, uma melodia harmoniosa à piano. Sua mão foi para minhas costas e você começou a dançar abraçado comigo. Eu, sem norte, o segui em o que me pareceu uma valsa tocada em pianíssimo, com uma melodia incrivelmente familiar, mas que não reconheci na hora... Você sorria, via felicidade em seu rosto... Haviam vultos ao nosso redor, todos rostos borrados, todos garotos sob uma meia luz roxa uma fumaça leve que inebriava mais ainda meus sentidos.
     Um dado momento você parou. Eu esbocei um próximo passo, mas você definitivamente não ia continuar... Olhei e te vi meio triste... Li em seus lábios o que me pareceu um pedido de desculpas. Uma lagrima em seus olhos... Eu também chorei, mas tirei suas lagrimas com a mão e você sorriu... Vi seus olhos nos meus mais uma vez... Vi o brilho do céu estrelado... Era agora uma galáxia que nos cercava... E as estrelas se aproximavam, todos aqueles guizos soando uma melodia doce... Seus olhos nos meus... Suas mãos nas minhas... Seus lábios a menos de um centímetro dos meus... Ouvi pela primeira vez o doce som que vinha de sua boca. Um sussurro quente que dizia: “Eu te amo.”

"Ao meu lado, na cama vazia, não via ninguém... Estava escoro no meu quarto... E a musica parou de tocar, mas as estrelas ao menos não se apagaram... Elas só não estão aqui..."

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Pedido

Dê-me palavras que nunca saíram da sua boca
Dê-me momentos dos quais eu possa me recordar
Dê-me motivos para que possamos ser felizes
Dê-me uma tarde no cinema com amigos
Dê-me um pôr-do-sol nublado, de mãos dadas
Dê-me estes olhares que tanto gosto de receber
Dê-me um sopro de leve no rosto pra tirar um cílio caído
Dê-me um jantar a meia luz numa noite de sexta-feira
Dê-me um beijo cândido antes de dormir
Dê-me horas de papo pro ar sentados num sofá
Dê-me consolo nas horas de desespero
Dê-me um motivo pra sair de casa na chuva
Dê-me uma pergunta que me deixe vermelho
Dê-me um bom motivo pra chorar e sorrir ao mesmo tempo
mas antes de tudo isso
dê-me um espaço na sua vida...