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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Astrônomo e o Nevoeiro

Antes

     Houve uma época na qual o Grande Reino se encobriu em Névoa. Névoa tão densa que os Cavaleiros do Rei andavam com os cavalos amarrados uns aos outros, para que não se perdessem. Os Comerciantes, com medo de alvo de saqueadores, fecharam as portas e as janelas dos armazéns. Poucos eram os que se arriscavam a sair de suas cabanas, pois o mundo fora delas próprias havia se tornado um mundo de desconhecidos e de frio cortante.
     Eu, antes do Grande Nevoeiro se instalar, era um Contemplador Real, titulo dado pelo próprio rei aos que ele julga sábios da arte da contemplação do belo. Era conhecido por todo o reino por saber a posição de cada estrela do céu em cada lua do ano e por saber só de olhar quais as maçãs prontas para a colheita e as que ainda deviam esperar. Lia, na mão dos aldeões o futuro de seus filhos e dos filhos deles sem errar nem uma linha... Mas isso foi antes do Grande Nevoeiro.
     Depois dele, pouco sabia de todas essas coisas. Na verdade, ainda poderia apontar no céu e dizer que lá estava uma bela estrela e dizer que as maçãs estavam maduras, mas não podia mais Contemplar nenhuma dessas coisas. Existe uma sutileza entre o Contemplar e o afirmar. Afirmar, sem Contemplar, é simplesmente ter esperança. Sendo assim, passei de Contemplador Real a um simples Semeador de Esperanças.
     Vagava pela névoa e pegava na mão dos Aldeões que por mim passavam. Vendo suas mãos sujas de tatear o chão procurando caminho na Névoa, eu ainda podia dizer de seus filhos e dos filhos de seus filhos, e assim fazer com que cressem que a névoa era um estado passageiro. Apesar de não ser a profissão que eu tinha escolhido pra mim, eu era um Semeador de Esperanças feliz.


Durante

     Numa dessas minhas caminhadas, encontrei um jovem rapaz. Ele estava sentado na grama molhada e olhava pro alto, pro distante. Aproximei-me dele para tentar ver o que ele observava tão atentamente, mas eu só via Névoa. Ele parecia tão solitário mas ao mesmo tempo tão seguro do que fazia que em instantes me convenci de que esse rapaz não precisava de um Semeador de Esperanças, e segui meu caminho.
     Passei pelo mesmo lugar algumas vezes e vi que ele sempre estava lá, olhando pro alto na Névoa... Isso começou a me instigar. De certa forma, esse rapaz me lembrava eu mesmo no meu tempo de Contemplador, e isso me fazia reviver boas lembranças da profissão que já não mais restava em mim.
     Certa noite eu perguntei “Olá, sou o Semeador de Esperanças Real. Quem és tu?”. Não houve resposta por alguns instantes, até que ele balançou a cabeça, como quem desvia o foco de algo importante, e respondeu “Sou um Astrônomo. Desculpe, estou trabalhando.”. “Trabalhando?”, me perguntei. Astrônomos precisam ver o céu pra trabalhar, e eu só via Névoa. Mesmo assim deixei o suposto astrônomo, que se dizia tão ocupado, cuidar do seu céu de névoa.
     Dias depois ainda estava ele lá. Me aproximei indignado. “Ainda a ver estrelas, Astrônomo real?”. E a resposta veio na forma de um rápido e eficaz “Sim.”. Falei, “Bem, será que não terias um momento para um Semeador de Esperanças? Talvez possa te ajudar em algo.”. O Astrônomo mal esboçou reação, apenas Estendeu a Mão para mim. 
     Em suas mãos, as linhas cruzadas me disseram que ele era rei de seu próprio reino e que tal reino era terra que só ele poderia plantar. As linhas disseram que eu nada eu poderia fazer pra ajudar, por que não havia Bom Fruto que eu pudesse Semear que lá já existisse com abundancia. Pela primeira vez, peguei na mão de alguém que não precisava de um Semeador de Esperanças.
     Largando sua mão, tirei um pote do meu bolso e pequei uma pequena semente dentro. Disse “Tome, bom Astrônomo Real. Não posso Semear nada que já não tenhas consigo. Te dou das minhas próprias sementes, um único grão é tão doce que pode matar a fome se quiseres. Mas os mais doces grão vem se quiseres o cultivar no solo onde só tu podes plantar.”. O jovem Astrônomo sorriu sem tirar os olhos do seu céu e disse “Obrigado.”, colocando a semente que eu havia lhe dado em seu bolso.
     Semanas depois, passo na mesma grama em meio ao Grande Nevoeiro, e ouço a voz do Astrônomo dizendo “Sente-se comigo, Semeador de Esperanças. Vamos olhar as estrelas.”. Ainda que incrédulo, sentei ao seu lado. Olhando para o alto, mesmo só vendo Névoa eu ainda sabia a posição de cada estrela do céu. Mesmo que por trás do véu branco. “O que vês no céu, Astrônomo Real? Quais estrelas estais a estudar?” Indaguei curioso. E ele disse “Vês a grande estrela rosada que quase toca o topo do céu hoje? É ela que estou a estudar.”. Eu sabia que tal estrela não estava lá, nem antes nem depois da névoa, mas mesmo assim ele olhava reto na tal direção.
     Curioso, perguntei: “O que mais vês no céu, Astrônomo do Rei? Conte para que eu também possa conhecer teu céu.”. Peguei no meu bolso meu velho caderno de Contemplador e me propus a tomar nota. Nos próximos dias, tudo o que fiz foi catalogar o céu do Astrônomo Real. Não demorou muito para que eu soubesse de cor a posição de cada estrela da qual ele falava, mesmo por trás da Névoa. E não demorou para que eu começasse a troca-las pelas minhas antigas estrelas. Quando desenhava um mapa, via que nele eu colocava estrelas que não eram minhas. Como se o céu que eu agora conhecia fosse fruto de uma fusão. Não mais conhecia o céu por trás do Nevoeiro com meus olhos, e sim com um meu e um do Astrônomo Real.


Após

     Não foi só o céu do Astrônomo Real que mudou meu céu. Sua presença em meio a Névoa havia se tornado uma das únicas que eu de fato notava. Andava pelas ruas e, se algum Aldeão o pedisse, fazia vagas previsões sobre o por vir e Semeava a Esperança de uma maneira fraca, sem muito valor de fato. Dava apenas a quantidade necessária para a não desistência.
     Além disso, notei o quanto a ausência do Astrônomo Real me abalava. Nas tardes mais claras, quando o Grande Nevoeiro se fazia mais branco que cinza, não o encontrava no gramado de sempre. Por vezes, ele só regressaria na noite seguinte, com um sorriso de canto e com a frase de sempre: “Dias claros não são para os Astrônomos, caro Semeador de Esperanças.”. Na verdade, por vezes eu fiquei apenas sentado na grama e olhando para o auto, vendo o branco da Névoa com os olhos, mas o céu do Astrônomo em meus pensamentos... Não me incomodava o fato de que ele não viesse, apenas pensava no quanto seria bom estar em sua companhia.
     Fui tomando consciência de que tinha passado de um Contemplador arruinado para um Semeador que não semeava mais, apenas contemplava. E o que eu contemplava era a chave de tudo. Eu era agora o Contemplador Real do Astrônomo Real. Fiz desse passatempo uma tarefa e aos poucos tornei essa tarefa um ofício. Mas não era tão bom ter mudado assim...
     Como Semeador, deixei a desejar. Ao longo dos últimos tempos tinha tido uma única semente. Semente essa que nunca havia visto semelhante, nem em meus tempos de Contemplador Real. Porem, não sei mais onde essa semente está... Na verdade, sei pra quem a dei, mas um Semeador também deve dar terra, dar água e dar proteção, e não só entregar a semente. Um Semeador não é um bom Semeador se não obtêm os frutos de sua semente.
     Mas porque não vi os frutos? Por que se quer eu os semeei! Não Preparei o Solo, não Dei Água, não Cuidei... Se não houvesse tanta Névoa, talvez o Rei já tivesse me destituído do meu cargo por inabilidade. E seria justo.
     Meu maior erro foi Contemplar quando na verdade deveria ter aceitado meu ofício de Semeador. Meu maior pecado foi me deixar Fascinar, e com isso deixar de ser o que era para me tornar o que eu almejava ser... Deixar de viver a minha vida para viver a vida que eu queria viver...

domingo, 23 de junho de 2013

Pouco Mudei

Pouco mudou neste começo de estação
O céu ainda está rosa a noite, sempre faz frio
E eu ainda me deito na minha cama sozinho
Ainda pego o meu celular como sempre fazia
E ainda tento mandar as mesmas mensagens
Para a mesma pessoa que há anos que mando

Minha barba maior só disfarçou minha idade
Ainda sou jovem demais para ser creditado
Jovem demais para ser tratado com respeito
Jovem demais para conquistar quem eu amo
Ainda falta a experiência adquirida com os anos
Que meu sofrido coração ainda não assimilou

Ainda estudo as teorias que eu sempre estudei
Números demais aplicados a problemas insolúveis
Ainda teorizo sobre as mesmas idéias que tinha
Enquanto coloco minha cabeça da forma desejada
Mesmo não podendo mais fazer os mesmos traços
Por que esqueci o meu compasso numa estrela

Ainda olho pro céu a noite procurando planetas
E os focalizo com a mesma lente ocular embaçada
Ainda troco o garfo pelo fouet sem necessidade
E pico os meus legumes com tesoura, não com faca
Ainda ouço as mesmas musicas quando triste
E as cantoras sempre me lembram de quem amo

Ainda amo as mesmas pessoas que antes
Ainda sou consolado pelos mesmos amigos
Ainda choro pelas mesmas causas inúteis
E pelas mesmas coisas que não acontecerão
Ainda me apaixono em apenas um piscar de olhos
E me deixo iludir pelos mesmos velhos truques

Posso dizer que ainda sou meu mesmo em fim
Cresci muito pouco de uns tempos pra cá
Ainda tenho os mesmos olhos caídos de antes
E ainda choro por dentro quase todo o tempo
Mesmo negando sempre que me perguntam
Por amor aqueles poucos que me consideram

E ainda tenho um velho livro para escrever...

domingo, 2 de junho de 2013

Algumas Desculpas e Agradecimentos

     Às vezes, fazemos burradas tão grandes que nada pode apagar. E isso não é tão incomum quanto pode parecer. Você que está lendo este texto com certeza já deve ter deixado de estudar para uma prova insubstituível, não é? Deve ter uma ou duas, se não dezenas, de cicatrizes que vieram de pequenos deslizes incorrigíveis. Bem, isso não é de tudo ruim! Podemos aprender muito com esse tipo de erro. Só quando passamos por coisas assim, sabemos realmente o peso de nossas ações.
     Hoje escrevo para pedir desculpas por um dos meus maiores erros incorrigíveis. Este em particular deve ser o pior erro que uma pessoa pode cometer: Amar. Não! Amar por si só não é um erro. Mas o amor, se adquirido em um momento inadequado, pode desencadear uma série de eventos indesejáveis... Este momento inoportuno aqui é muito bem representado por um amor não correspondido por um amigo. Sério, se nunca fez isso, agradeça aos seus deuses todos os dias! É horrível! A gente chora, a pessoa que amamos chora, as pessoas que nos amam choram...  Simplesmente, este é sim um erro incorrigível.
     Quando digo incorrigível é por que é amor. Se fosse qualquer outra coisa (Como paixonite, tesão, fogo, etc...), um pouco de vinho, tempo, chocolate e sono já tava de bom tamanho pra esquecer. Com o amor o buraco é mais embaixo. A gente fica o resto da vida preso à pessoa, preocupado com ela, como se de alguma forma fossemos responsáveis por tudo de ruim que acontecer a ela, pelo simples fato de não estarmos lá para protegê-la. Podem se passar anos, mas toda a vez que você ver a pessoa, vai sentir a mesma vontade de ir até ela e abraçá-la apertado, como se nunca fosse soltar. E toda vez que abraçá-la, seu cérebro vai parar o tempo por alguns instantes e registrar cada décimo de segundo com detalhes que só você poderia perceber.
     Então, este meu deslize aconteceu a um bom tempo. Hoje, ainda sinto esta vontade de estar perto e de ajudar essa pessoa em tudo que ela precisar... Porem depois de tanto correr atrás dele, acho que a assustei... Talvez por que ela notasse que não ia ter cura... Talvez por que ela chorasse toda vez que eu falava no que sentia... Mas são só palpites... O fato é que, agora, toda a linda amizade que tínhamos virou um singelo aceno de longe nos corredores da universidade. Culpa? Unicamente minha por ter tentado algo impossível tantas vezes.
     Mas neste texto queria parar um pouco para dar a devida atenção para algumas pessoas. Existiram anjos na minha vida que eu nunca terei como retribuir cada favor que me fizeram. Eles enxugaram as minhas lagrimas sempre que chorei... Ouviram, e ainda ouvem, minhas lamentações estúpidas e recaídas infantis. Eles me deram água quando mal conseguia respirar, me abraçaram e me levaram pra casa quase rastejando. Estes amigos passaram as piores tribulações ao meu lado e sempre tiveram fé na minha felicidade futura, mesmo quando nem eu mesmo mais acreditava. (De um deles eu até roubei um beijo uma vez, pensando na pessoa que amo.) Sem estes meus escudeiros, mal teria chegado até hoje sem estar pelo menos mil vezes mais gordo ou fumando horrores... Eles me deram força pra continuar minha vida, mesmo depois de todas as minhas falhas (Às vezes falhas com eles mesmos...).
     Quero fechar este texto agora reiterando minha eterna divida com estes meus anjos da guarda... Qualquer coisa que eu possa fazer por eles será um eterno prazer, e sem dúvida bem menos do que eles merecem. Quero também pedir a todos, mais uma vez, pela minha humanidade limitada, pela minha mania de fazer o certo e por ser franco demais quando não deveria. Espero poder estar com vocês, pelo menos, o resto de nossas vidas.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sexto Selo - A Canção


A lua brilha amarela em meio ao céu azulado que acaba de surgir
Apenas eu na clareira cercada de carvalhos e de musgo
Sentado sobre uma arvore caída, velha e oca,
Sussurro canções míticas que ouvi na minha infância
Sussurro as canções que ninam as ninfas dos bosques
Sussurro a canção que faz revoar a inerte coruja
A canção se espalha pelo ar, junto a brisa
Se perde no sereno que encobre as montanhas
E deve repousar na neve que tampa os seus cumes
Me acompanham na sombra elfos errantes
Que pararam sua caçada ao ouvir minha voz
E agora formam o coro da melodia serena
Nas arvores, as dríades embalam a melodia
Lançam seus olhos sobre as montanhas e guiam o vento
E este, ao passar entre as arvores ecoa
E se soma a esta simples e lírica canção

Todos juntos cantamos sem abalar a floresta
Porem esta se agita suave e calma
Como se os galhos dos carvalhos se rendessem
E aos poucos ondulassem com a melodia...
Os pios das corujas, o barulho do rio distante
Tudo se espalha com facilidade na noite
E o leve sussurrar da canção a isso se soma
Dando vida a terra e fazendo germinar as sementes
Fazendo com que a riqueza dos homens seja ínfima
Perante a grandiosidade da natureza...
Perante a gloria dos magos...
Perante a honra dos elfos...
Ou perante esta simples canção
Que se perde dentre os velhos carvalhos...







Sem duvida nenhuma melodia se encaixa tão bem na descrita no meu texto quanto o som do violino.
e sem duvidas a musica celta ajuda neste quesito. Este desenho é de uma grande amiga que dedica sua vida a estas duas coisas e por isso tem um lugar especial aqui. Exaltar os amantes da boa musica e os deuses que a fazem é parte do meu oficio.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Quinto Selo - A Amizade


    Na minha inocência sempre os julguei um achado, mas hoje os julgo uma conquista. Procurei, cultivei, refinei e curti cada uma das minhas amizades. As lapidei como se faz a uma pedra preciosa. As dobrei em fogo quente e gelo como se faz a uma espada. Sei que foi muito difícil fazê-las, mas algumas em especial parecem que são na verdade um presente, pois nosso trabalho é só tirar a poeira regularmente. Estes anos foram uma dádiva: encontrei quatro grupos de pessoas que eu simplesmente não poderia ter encontrado melhores. E é deles que quero falar hoje.
    O primeiro é sem duvida o mais presente no meu dia a dia, eles eu vou chamar aqui de Gentleman! Conheci cada integrante da Gentleman de uma maneira distinta, cada um ao seu tempo, mas todos formaram o que pra mim é um ninho acolhedor de felicidade e alegrias. Não concordamos em tudo, não trabalhamos na mesma coisa, mas sinto que somos como grandes irmãos!  Cada um deles ocupa um lugar relevante e incomparável no meu cotidiano e é peça fundamental do meu desenvolvimento como pessoa, seja como um cientista, ou como um artista ou até mesmo o desenvolvimento pessoal. A gentleman, antes de uma equipe, é minha escola.
    O segundo é uma família com quem já viajei, com quem já me mascarei, com quem já me travesti, com quem já toquei, cantei, pulei, chorei, sorri... Estes amigos que aqui chamarei de Cia. são em suma as pessoas mais perfeitas que eu poderia encontrar pra fazer o que fazemos de melhor, sermos nós mesmo ao sermos outras pessoas. Somos cúmplices de nossos pecados e de nossos votos, se nossos martírios e de nosso jubilo. Sorrimos para os mesmos rostos durante anos e por isso eu não sei se algum dia me desligarei deste outro lar que achei na Cia.. Acredito que a distância só testa a força dos laços que nos unem, e nos momentos de reencontro eles se mostram tão fortes como nunca.
    O terceiro grupo eu aqui vou chamar de “Núcleo”, não por ser o centro, mas por ser um apelido carinhoso que o dei. O Núcleo é um conjunto de amigos que caminham sobre as mesmas condições que eu! Temos a pele da mesma cor, olhamos o mundo pelas mesmas lentes e vemos que somos, entre nós, mais uma família. É com eles que posso falar de tudo que eu penso, posso exercitar o meu ser pessoal e posso por em voga a sinceridade absoluta e sem receio! É a eles que devo as minhas mais loucas alegrias, as minhas aventuras mais insanas e a minha espontaneidade de ser eu mesmo.
    O ultimo citado neste texto te inclui, caro leitos. Meu amigo de todos os dias, mesmo que eu nunca tenha te conhecido. “Meus amigos que ainda não conheci”. Vocês que estão ai nas suas casas e me mandam sempre sua atenção e carinho na forma de comentários legais, de uma foto bacana que me alegra numa noite triste. Você que tecla comigo quando eu to sozinho no meu quarto... Você sabe o quanto você é importante? Nossa, você não tem noção!!! Juro que se não fossem me chamar de lunático e ameaçar me internar, quando te visse pela rua, te daria o maior abraço de todos! É ótimo saber que sempre tem alguém ai do outro lado. Sei que as vezes eu posto Adele e MCR mil vezes por hora, que publico muita coisa emo no twitter, que faço desenhos de vocês sem avisar, que escrevo coisas que deveriam ter censura de dez mil anos... Mas peço infinitas desculpas se necessário!!! Vocês trouxeram pra minha vida uma nova definição de companheirismo e amizade. Alguns de vocês são tão insubstituíveis quanto cada uma das pessoas que vivem nos grupos que citei antes! Você minha companhia de todas as horas, é a melhor companhia que poderia ter aqui!!!
    Bem, a cada um de vocês que está nestes grupos, meus parabéns! Peço que na chegada da primavera, quando eu estiver mais velho, me dêem a honra de ter vocês como amigos mais um ano!




Dois belos desenhos que escolhi para ilustrar este texto. São dois magnânimos exemplos (como os outros modelos dos quais postei o desenho aqui no blog) de amigos incrivelmente perfeitos! O primeiro é integrante da "Gentleman" e o segundo é "Um Amigo que Nunca Conheci". Bem, se os conhecem, parabéns, pois eles são pessoas incríveis! Se eu te chamo de amigo, saiba, você merece tudo que eu for capaz de dar, por que você é a uma das coisas mais valiosas que tenho!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Tristes Verdades

     Uma triste verdade é que a beleza interior geralmente só pode ser vista pelos que nascem somente com ela... Odeio quando uma vez, ao termino de um namoro, ouvi a frase "Você é o melhor homem que qualquer pessoa poderia querer namorar..." e acho que foi a frase mais hipócrita que já ouvi em toda a minha vida. Se eu fosse mesmo o cara mais perfeito, por que então teria que ver quem eu amava nos braços de outro?
     Outra tristeza é que acreditei em mentiras durante muito tempo. Me contaram quando criança que algumas coisas existiam, outras deveriam ser sempre feitas de uma dada forma... Sempre com um ridículo censo pseudomoralista que notei que somente eu seguia. Meus amigos, alguns deles, ainda me acompanham... Acho que justamente por isso são meus amigos. E sempre que penso que estou fazendo errado, eles me colocam de volta neste caminho de carvão em brasa... São meus carrascos sim, mas andam de mãos dadas comigo sobre este penoso caminho.
     Talvez ainda possamos dizer que a única conseqüência disso é que a vida de que segue o caminho “certo”, se é que assim pode ser chamado, é ficar muito tempo sozinho, em casa, olhando o teto... E porque continuamos mesmo assim? Por que nos disseram em nossa infância que no fim tudo valeria a pena... E torcemos, dia aos dia, ainda que quase descrentes, que esta não é mais uma mentira idiota... Estamos cegos, assim como qualquer um, na mão de um futuro que ninguém conhece, mas que acreditamos que poderá ser feliz...
     E quem controla este futuro? A tão famosa justiça da vida. Eu confesso que acho que “A vida é justa.” não passa de um ditado, sem muito embasamento. A justiça existe sim, mas se ela se aplica ao caso de nós, pobres crentes na humanidade? Acho que não, mas torço para que sim... Por que por mais que eu nunca encontre alguém, por mais que eu nunca me encontre em alguém, por mais que nunca seja feliz de verdade, prometi a mim e ao mundo tentar ser eu mesmo... E o eu que eu sou me impede de ser desleal com minha moral, com o que eu acho certo, com meu coração, com as pessoas que amo...
     Preciso encontrar mais um parceiro de caminhada. Alguém interessado em tornar a caminhada na brasa mais suave, não de acabar com ela. Pois é fato: Quem sofre para amar, sofre por amor, mas sofre feliz...

sábado, 7 de janeiro de 2012

Redefinindo Solidão

     “SO-LI-DÃO (s. f.) Estado de quem está só, retirado do mundo...” E eu não sei como pode ficar tanto tempo sem ler este verbete... Hoje, em um lapso de coisa alguma a se fazer, fui a um dicionário e procurei, pela primeira vez, o significado de solidão. Me surpreende o fato de que nunca havia verificado esta palavra, haja vista a freqüência com que uso esta palavra. Talvez por isso mesmo acho que não o tinha procurado: Solidão já me era tão cotidiano, que nem a percebia mais como algo que valesse a pena explicar. Algo tão normal como “sono”, “sorriso”... Solidão pra mim era como “pão”! E isso, como um pão! Que pessoa em sã consciência procuraria pão no dicionário! (Devo admitir que já o fiz, e me surpreende muito com o que li.)
     Pois bem, agora me restaram só estas palavras pra tentar explicar solidão. Não digo que vim ao dicionário atrás de uma solução de todos os meus problemas ou atrás da compreensão total de meu atual estado, porem esperava algo mais conciso, palpável... Talvez um exemplo de aplicação... Talvez um relato ou uma nota editorial. Por um instante me dei ao luxo de olhar o rodapé, mas nada de mais avia lá alem de uma explicação de fonte bibliográfica para outro verbete, algo que dizia respeito a astronomia, se não me engano. Isso era irrelevante neste momento. Estava de frente a uma verdade que nem eu podia compreender. Por que tão pouco pra explicar algo tão abrangente?
      Tomado por um impulso filosófico, me senti desafiado a escrever-lhes um verbete para que seja suprida a carência dos dicionários no que diz respeito à solidão. Acho que tenho bagagem de vida suficiente pra escrever este verbete... Sim! Acho que verbetes deveriam sim ser escritos por especialista! Talvez assim as pessoas ficassem um pouco mais inteligentes ao ler o dicionário, não apenas um pouco menos burras. Vamos lá...
     SO-LI-DÃO (substantivo altamente substancial e independente do sexo) Estado que sentimos depois de anos tentando encontrar uma pessoa que nos faça feliz e nunca ter sucesso; ato ou efeito de se deitar a noite, abraçar o travesseiro e se quer ter em quem pensar; sentimento presente em pessoas que foram retiradas de suas famílias, de seus amigos, de seus amores e de seus sonhos e postas em um mundo vazio, cinza e triste; conseqüência inevitável de muito amar e ser abandonado; síndrome caracterizada por carência excessiva, acompanhada de insônia, deficiência respiratória, olhos lacrimejantes e desejo latente de ingestão de glicose; comportamento condicionado comum em pessoas dotadas de fé, esperança e nem um pouco de amor próprio. (Ant.: Felicidade, Sentimentos Recíprocos, Abraço, Amor, Amigos Verdadeiros)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Valeu a Pena

     Se me perguntarem se valeu a pena, eu direi que sim. Todos estes dias corridos de noites mal dormidas e de travesseiros molhados de choro frio e solitário. Se eu pudesse voltar atrás, eu procuraria a marca de meus passos e caminharia sobre cada um deles. Aproveitaria as cartas que já estão digitadas, enviaria cada uma outra vez, reescreveria cada rabisco romântico... Acho que vale a pena sofrer por amor, sabem... Talvez seja o melhor de todos os sofrimentos. Sofrer por amor é dar sua alegria pelo preço de um sorriso. É a forma mais pura de caridade, onde nos fazemos escravos de um sentimento, nos fazendo dar nossas vidas pra alguém que na maioria absoluta das vezes mal se dá conta disso.
      Alem disso tive a sorte de passar por isso com alguém que poderia contar. Guardei meus sentimentos por que quis assim, mas sempre que precisei tive o seu carinho e disposição de me escutar. Me pergunto se algum dia você fará alguém tão feliz quanto me faz... Depois de tanto tempo tentando ser alguém nesta sua vida embaraçada, acho que me embaracei na minha própria vida, o que é engraçado, pois de alguma forma eu sabia disso, e gostava... E gosto... Talvez seja este meu lado que gosta de “sofrer por amor” que me fez ficar atrás de você tanto tempo, sabia. Se fosse outra pessoa por ai, aposto que já teria desistido e ido procurar outra estrela. Eu não, sou um obstinado, e nestes últimos dias meu objetivo era estar ao seu lado pra sempre...
      Bem, acho que falhei, mas podemos dizer que falhei com a classe de um artista. Mesmo depois de tudo te vejo sorrindo, te vejo feliz, e sinto uma romper meu peito como se fosse vitorioso. Sei que em algum lugar tem uma estrela me esperando, ela pode não ser você, mas será a minha estrela, aquela que eu estou apto e sou digno de receber. Agora, ando pelas ruas, olho as pessoas, vejo pessoas legais na faculdade e penso nelas como não pensava no tempo que devotei minha vida a você. Não que eu não te ache mais digno deste sentimento, porem acho que já passei da minha cota de lagrimas e mereço tentar ser feliz. Te doei muito tempo, e isso nem mudou lá em grandes coisas a sua vida, não é? Este tempo é seu! Não há quem te tome. E você não dará falta do tempo que não mais devoto à você, por que ainda vou dedicar uma fatia da minha vida para te fazer feliz! Porem agora vou guardando um pouco o tempo que eu estava usando. Parte vou usar pra mim... Preciso muito desta parte, mesmo antes estando a “gastando” com você. O resto vou por para doação até que algum interessado apareça. (Se existir algum ai, pode pegar o meu Facebook na página "Sobre Alastus", o link tá logo antes do texto, e a gente conversa.)
     Espero ter sido um admirador, um apaixonado, tão bom quanto você merece. Você pode ter sido o melhor de meus amores não realizados até o momento. (Pode se sentir orgulhoso, por que está à frente de muitos outros amores não realizados que já tive.) Estou agora entrando na velha estradinha de tijolos amarelos... Pegando carona num cometa pra ir ver se encontro um outro planetinha pra ficar quieto, rodando ao redor de uma nova estrela. Deseje-me sorte!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Traição

     O que fere um homem traído não é sua honra, muito menos a traição dos costumes da carne. O que mais fere é a traição do que este homem toma como verdade, é o fato de que o mundo o apunhala, mostrando uma verdade que vai contra tudo que ele pensava. Quem nos trai não são as pessoas, mas sim a nossa ótica de mundo. Às vezes ainda é pior: nós vemos traídos por nossa própria credulidade ingênua de um dia ter um final feliz... Talvez eles existam, mas o fim de uma pessoa não é como o de um livro. No mundo real, final feliz significa uma boa morte...
     Não foi uma nem duas vezes que me peguei indagando-me quanto meus sentimentos de mundo. Confio neles como que constrói sobre roxas. Mas ainda assim, às vezes devo me questionar deles, para poder evoluir. E são tantos que eu nem posso mensurar como foi que os adquiri ao longo destes anos. Tento me lembrar de por que os tenho, isso serve pra ver se realmente o que estou pensando é correto, se foi baseado em uma experiência razoável. Quando me esqueço de um motivo, costumo mudar meu jeito de pensar e agir, e não foram poucas as vezes que isso me botou em apuros.
     Agora, se esse mundo que nos cerca acha graça de nos apunhalar por conta dos pensamentos que ele mesmo nos ensinou, acredito que os errados não sejamos nós e sim o mundo. Seria como um professor que te reprovasse por saber tudo: Eles existem, mas ninguém gosta deles. O mundo tem espalhado sobre nos um veneno pior que muitos: A descrença. Descrença no amor, no próximo, na verdade, na justiça! Perdemos a crença na própria esperança... Quantos foram que descrentes de si mesmos não partiram deste mundo?
      Meus amigos e leitores, escrevo este pequeno texto como uma suplica: Nunca desistam de si mesmos! O mundo é o mundo, e pouca coisa podemos fazer a este respeito. Mas nós somos o mais puro vinho de nossa individualidade, somos diamantes cravejados nas paredes de uma mina de carvão. Somos o ultimo reduto de nossa própria esperança. Se perdermos a fé em nós mesmos, amigos, não resta nada por que lutar...

domingo, 25 de setembro de 2011

Frases e fazes

"Eles são orbes reluzentes, profundos, quase filosóficos. Seus olhos são esferas preenchidas do mais puro elixir da felicidade. São propostas tentadoras que me forçam a me entregar..."
(Diego - 'esfera')

"Você achava que ia me machucar, mas não foi bem assim... Talvez me machucar seja a unica coisa que você não fez. Você me deu uma cicatriz que não vem de uma ferida, e sim de um beijo..."
(Washington - 'machucar')

"Minha vida tem sido minha maior ditadora. É como se o mundo se tornasse um pequeno paralelepípedo que me comprimisse contra mim mesmo, me forçando a escolher entre o que sou e o que querem que eu seja..."
(Ricardo - 'paralelepípedo')

"Falar 'Eu te amo' é o ultimato! É o ponto que separa um amante com coragem de um amante com amor próprio  Porem só os com coragem podem ser felizes um dia..."
(Vivian - 'coragem')

"É totalmente diferente! Eu nunca menti pra você, não tenho motivos pra isso. Agora o que você fez não foi só dizer uma mentira, foi destruir todo o castelo de sonhos que construímos juntos, e isso é imperdoável!"
(Vinicius - 'mentira')

"Eu levantava como sempre, tomava o mesmo café que tomo hoje, ia pra mesma vida que sempre levei. Mas naquela época eu tinha um motivo pra viver, algo que me dava total disposição de aguentar tudo isso que me cerca. Quando você se foi, tudo isso foi junto..."
(Luiz - 'disposição')

"Seu cheiro é uma das coisas que eu fui treinado a reconhecer. Sinto ele em tudo que usei perto de você... Se algum dia me ver chorar por conta daquele velho moletom, já sabe o porquê... É difícil não querer ter você por aqui..."
(Eduardo - 'moletom')

"Odeio com todas as minhas forças este sentimento idiota que me faz querer ter você aqui, que me faz ter esta necessidade estúpida, este vício incontrolado de você. Mas não pode o ódio, por maior que seja, derrubar nem o menor dos amores..."
(Rhaissa - 'ódio')

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

7º Selo - Magia

De repente o mundo sorriu pra mim
E senti no peito o desejo de gritar
Gritar coisas que poderia sussurrar
Mas são belas pra tão pouco
E nada mais me era comum
As estrelas brilhavam diferente
E meu cabelo perecia melhor que ontem
E meu sorriso nunca foi tão aberto
E meu peito nunca tão desritmado
E ele mudou muito também
Não era só mais um garoto
Era muito mais que isso
Era o cara mais legal de todos
Era o mais bonito e especial
E aquele também mudou
Não era mais um colega
Agora é quase um guru
Ele parece saber bem mais que sabia
Ele parece ser bem mais do que era
Ele parece ser muito mais que um amigo
Alguma forma transcendente disso
O que está acontecendo comigo
O meu mundo de repente “anti-desabou”?
Sinto como se estrelas caíssem sobre mim
Como se todos sorrissem pra mim
A felicidade virou condição rotineira
Nesta minha vida passageira que tanto amo
Será um sonho ou fruto de imaginação?
Será que bebi algo sem mesmo perceber?
Duvido um pouco de todas estas hipóteses
Existe uma magia maior nesta história
Algo que não sei como descrever
E que fez com que me visse melhor
Melhor que antes e que qualquer amanhã
Melhor que meus amigos desejam que eu seja
Melhor que tudo que um dia desejei ser
Hoje sou embriagado nesta magia louca
Que foi feita por todos ao meu redor
E que me acertou em cheio
No fundo do peito...


"Sete foram as vezes que sem pensar me debrucei num sonho e não levantei mais. 
Hoje tenho sete histórias diferentes pra contar: 
Em umas sorri, em outras chorei e nenhuma teve um final..."

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

4º Selo - Presente

     Vamos falar de presentes? Meu aniversario tá chegando, mais só quatro dias. Meus amigos já começaram a fazer a mesma pergunta de sempre: “O que você quer ganhar de presente?” A resposta é a mais simples e direta possível: Nada! Na verdade, quero muito, muito mesmo. Quero coisas tão loucas que não tenho o senso do ridículo que nenhum de vocês poderia fazer. Então falo sempre que, se quiserem mesmo me dar um presente, para que sejam autênticos. Me dêem um abraço especial, uma carta fofa. Já sorri pra tantas meias, não vai ser pro seu presente que eu vou fazer cara feia.
     Não tenho muito o que escrever sobre o que quero no meu aniversario, mas já escrevi um belo poema sobre isso que está nos sete selos do ano passado. Vou postar aqui uma copia. No mais, é só isso, galerinha!!!

“Todo ano os mesmos sorrisos
Todos me abraçam e beijam
Alguns poucos me mandam presente
Muitos me mandam mensagens
E o sol se põem do outro lado do mundo
Nada mudou alem de um numero
Mas que ria que fosse diferente...

Me dê um presente este ano
Que fassa este aniversario especial?
Que tal uma pergunta brilhante?
 Quem sabe um almoço comigo?
Quem sabe um abraço diferente
Quem sabe já não passe da hora
De me dizer algo que está ai guardado
Aproveite este dia especial
Me dê a sua verdade de presente
Suas palavras de embrulho
Te poupo ate o trabalho do cartão

Ou que tal simplesmente me dar folga?
Se não gosta de mim, me de trégua
Se gosta de mim, me de carinho
Agora se simplesmente simpatizar...
Que tal uma mensagem???
Ela não faz mal a ninguém
Muito menos a mim”
('Feliz Aniversario!', 6º selo de 2010)

domingo, 18 de setembro de 2011

3º Selo - Técnicas

     Este texto vai ser fundamentado em uma pergunta inicial, simples. Talvez muitos de vocês já tenham se feito esta pergunta em diversos momentos da vida, ou quem sabe ainda farão. Pois bem, o autor da pergunta é Diego Silva, e ela é “Como superar uma desilusão?”. Como eu não consigo deixar uma pergunta sem uma resposta mais que adequada, acredito que a melhor maneira de responder esta pergunta é explorar um pouco aqui técnicas que eu mesmo já usei e que ouvi e li em diversos lugares.
     Começarei pela mais clássica: Depressão. Sim, a depressão é uma maneira muito honrosa de superar uma desilusão. Talvez uma das únicas maneiras onde não tentamos mascarar nossos sentimentos. A tática é bem simples: Chorar muito, abusar dos doces e Escrever textos extremamente tristes. Caso não adiante muita coisa, você ainda pode beber água pra repor a perdida com as lagrimas, se matar na academia pra pagar pelos doces que comeu e juntar os textos e ganhar algum dinheiro vendendo livros pra pessoas em depressão, pois não a nada mais desejado por alguém com depressão que saber que alguém também sofre como ele. Uma vez perdi um par de esmeraldas e passei uns quatro meses de depressão. Gente, eu sobrevivi! E digo mais: Emagrece, tá meninas!
     Outra tática mor que conheço muitos usuários é a “Substituição”. Pra quem assiste Naruto, é fácil de imaginar: Tem aquilo com o que você se iludiu, né? Então, se concentra naquilo. Agora tente visualizar algo que possa por no lugar, qualquer coisa! O ultimo passo é usar seus poderes e trocar os dois! Muitos de meus amigos fazem isso com vinho porto no lugar de mulheres, outros ainda trocam mulheres por mulheres. Ouvi casos de uns ainda que trocaram mulheres por homens, mas isso é outra história. O importante é que esta técnica falha as vezes. Um amigo meu já tentou a substituição e acabou falhando. É importante se livrar dos vínculos mais fortes antes de praticar a substituição, por que do contrario todo o esforço será em vão.
     Agora vou falar de uma técnica que uso muito bem e que não sei se funciona como deveria, mas pelo menos tem dado resultados positivos. Eu a batizei de “O Ofuscar”. O principio básico consiste em segurar as pontas até achar uma nova fonte de ilusões em potencial. Então você tem que pular de peito aberto mesmo, salto triplo mortal carpado sem rede (Talvez este seja o maior motivo de eu utilizar esta técnica: Nunca uso rede.). Agora, espere mais um pouco par ver no que dá. Os resultados possíveis são dois: Ou você vai achar algo concreto e vai esquecer a ilusão anterior, ou vai se deparar com uma nova ilusão, que por ser nova será mais intensa, ofuscando a desilusão anterior. Por incrível que pareça, esta técnica pode ser muito vantajosa, pois nos deixa sempre pronto pra outra. É como o calejamento em algumas artes marciais: Uma hora não vai doer mais. Sim, isso é muito triste, mas viver em si já é triste! A dor é só uma condição momentânea que nos motiva ou a desistir ou a tentar de novo.
     Ainda quero falar de uma técnica que muitos profissionais não reconhecem: “Não Largue o Osso” (NLO). Fui apresentado recentemente a grandes usuários desta modalidade que insistem em me fazer virar um adepto. Reconheço que os argumentos são os melhores: Estabilidade, menos noites perdidas chorando, menos pessoas envolvidas... Muitas destas pessoas conseguiram sucessos memoráveis com o NLO. Mas me questiono a veracidade desta técnica, à sua moralidade, à sua valorização da individualidade e do livre arbítrio. Dizem que a maior de todas as humilhações é suplicar por um amor, e é justamente isso que NLO significa pra mim. Alem disso, caso esta técnica falhe, pode se preparar pra pular pra modalidade Depressão por tempo mais que indeterminado. Não sei se quero isso pra mim não... 
     E como podem notar, superar factualmente uma desilusão é algo que nenhuma destas técnicas consegue. Desilusões não foram feitas para serem superadas, meus amigos, e sim para serem vividas, e vividas intensamente. Elas nos ensinam a amar mais e mais as pessoas, além de prepararem o caminho pra uma felicidade inigualável que temos uma chance de ter um dia. Vivi desilusões, vivo desilusões, tenho elas como irmãs e amigas de convívio diário. Nunca seja inimigo da sua desilusão, ou ela vai te derrubar. O melhor é amar a desilusão e tomá-la como um presente, uma chance de voltar a se iludir outra vez... E como é doce o sabor de uma bela ilusão...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

1º Selo - Voyage

Gritaria no carro é só o começo da festa
E quando vemos o branco que brota do azul
A água fria das manhãs de verão nos chama
Estamos de férias, ou melhor, FÉRIAS!!!
Os livros ficaram em casa, trancados
E a preocupação está apenas em chegar sedo
Pra aproveitar mais o sol e o mar
A comida é a que fazemos na hora
A casa arranjada de mais um amigo
Talvez até um apartamento pequeno
Mas cheio de amigos e risos

Aos que roncam damos travesseiradas
E o quarto cheio de colchões parece grande
Sempre tem o que chega bêbado
E ainda o que só chega amanhã
Tem o que leva uma menina pro outro quarto
Outro dia outro leva um garoto
Na verdade tudo é impagável
E cada um é um pouco mais si mesmo
Do que era na rotineira vida diária

Viajar com amigos é especialmente divertido
É único como cada por do sol no mar
É verdadeiro e intenso como a fogueira na areia
É lindo como a brisa que sopra do mar
E poético como as musicas tocadas a beira do fogo
Com um violão leve e um coro suave
De pessoas felizes e congeladas no tempo
Como se o amanhã estivesse tão distante
Que não valesse a pena se preocupar com ele
E realmente não vale...

sábado, 10 de setembro de 2011

O Único que Pode...

Você me olha com pena, como à um pedinte,
Está escrito nos seus olhos esta verdade triste
Mas eu te vejo como um anjo que caiu na minha vida
Te vejo como a luz dos meus dias cinzas
E como você se vê na minha vida?
Um amigo que apóia e alenta, que aconselha?
Já te ocorreu que pode ser bem mais que isso?
Preciso de você de verdade, não das palavras secas
Preciso de que alguém enxugue as lagrimas do meu rosto
Preciso que alguém me faça rir às vezes
Preciso de alguém pra me dizer pra seguir em frente
Preciso de alguém que me abrace sempre
Queria poder dizer que te amo sem medo
Queria te amar mais que a mim mesmo
Queria estar ao teu lado pra sempre
Queria que você notasse que é o único
Que pode mudar a minha vida...
Ame-me antes que eu não chore mais...

"A pior de todas as humilhações, a mais vil e lamentável, 
é suplicar por um amor."
(Meu bom senso.)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Palavras Que Queria Dizer


Queria te dizer algumas palavras
Que não me cabe por nestes versos
Pois tão fortes são que se quer
Com simples letras poderia as mostrar
Porem ainda me restam outras coisas
Que posso aqui te dizer plenamente

Quando acordo todos os dias
O sol não entra pela minha janela
Nem a musica de uma harpa toca
Mas acordo como se fosse assim
E o porquê é o mais obvio
Tenho uma razão para viver meus dias
E esta razão é você...

Quando vou pra faculdade
Escuto musica em todo caminho
E olho pro céu da manhã
Agora sim com o sol nos olhos
E ponho minhas musicas mais especiais
E as canto baixinho, suspirando
Como se cantasse no seu ouvido
Aqueles versos em francês...

Quando sento para uma aula
Puxo o caderno e destaco uma folha
E enquanto anoto teoremas
Tento esboçar desenhos e frases
E olhos dos mais variados
Mas sempre sobra espaço
Para escrever seu nome...

Quando sento pra almoçar
As vezes sem pensar muito
Coloco uma mão para o lado
Quando noto isso fico bobo
E as vezes tenho até que rir
“Como pude ser tão ingênuo
De esperar por ele aqui...”

Meus amigos me abraçam
Quando me vêem chorando num canto
E vêem o quanto valorizo isso tudo
Eles acham que eu deveria desistir
(Na verdade nem todos eles)
Entendo o que eles querem dizer
Queria mesmo que pudessem fazer algo
Alem de me abraçar ou consolar
Quando me vêem chorando por você...

Quando o céu pela noite abre
E magnífico revela seus diamantes
Paro e olho pra eles como anjos
E sinto um deles aqui em mim
Dentro do meu peito pulsante
Uma estrela que caiu em mim
E que sussurra seu nome toda noite
Me impedindo de dormir...

E quando lutando contra esta voz
Pelejo por necessidade de adormecer
Encontro consolo em simplesmente
Pensar em você como um anjo
Prestes a cair no sono sereno
E te beijando na testa digo
“Bonne nuit, mon ange...”

Queria te dizer algumas palavras
Que não me cabe por nestes versos
Pois tão fortes são que se quer
Com simples letras poderia as mostrar
Porem ainda pude escrever estas
O que me alivia em parte o fardo
Mais ainda a uma em especial
Que me sufoca sempre que te vejo
Que queria poder te dizer...

sábado, 13 de agosto de 2011

Abstração


Meus males confusos
Que a noite me cercam
São amantes ousados
Loucos pelo meu suor
E por me fazer chorar
Pela ausência de seu fel

Meus amores estéreis
Rondam meus sonhos
E vagam na nevoa negra
De meus dias sombrios
Procurando lábios perdidos
Para que devorem a estes
E não aos meus

Meus sonhos cansados
De tanto repousar
Agora voam dispersos
Para o chão jamais tocar
E escapar como garças
Dos realistas céticos que
Ao verem sonhos voando
Vão querer os derrubar

Meus amigos-ilhas
(Tão inferiores à meus sonhos
E tão superiores ao que tenho)
Vem e vão como brisa
São tão vivos e sonhadores
Alguns são até sonhos
Sonhadores com sonhos iguais
Sonhando em camas diferentes
Minhas doces colunas de pedra
Que me impedem de desmoronar

“Lembranças são só fantasmas que puxam nosso pé a noite, na hora de dormir. Qualquer coisa que seja diferente disso não é só uma lembrança...”
(Alastus, o Mago Negro)

domingo, 3 de julho de 2011

Improviso: Amoras

    Acho que talvez comer pão, ou um arroz com feijão não ajudasse muito na minha criatividade, muito menos a folha ao meu lado coma matéria de exponencial pra estudar. Estou aqui batendo a lapiseira na prancheta há horas e pela quinta vez minha mãe patê na porta do meu quarto me mandando dormir.
    Eu deveria ir comer algo que fosse mais “poético”... Sorvete sempre é bom, mas está muito frio... Chocolate quente? Não, ia ter que ir na cozinha, e não to muito afim de levantar. Nossa, o que não daria pra estar numa cafeteria agora! Um café com cobertura de chantilly seria ótimo, mas se nem chocolate estou animando a preparar, quem dirá algo tão complicado.
     A cafeteria mais próxima fica a nove quadras. O entregador até que é simpático, poderia pedir um expressos... Mesmo estando tão frio entregas não feitas de bicicleta, o que acho um absurdo. Mesmo sendo um negocio pequeno, podiam ter um pouco de zelo pelos funcionários e comprar um carro. Pedir um expresso, por mais que seja tentador, implicaria em deixar o entregador andar de bicicleta nove quadras, com cada osso do seu esqueleto se debatendo de frio... Não, é falta de compaixão demais. Melhor pegar logo a caneta e escrever algo!
      A falta de criatividade está me matando! Queria escrever um conto romântico, como já fiz tantas vezes, mas parece que o a falta de um amor acabou abatendo meu senso de romantismo. Queria ter a mesma coragem que já tive tantas vezes de escrever umas verdades e esfregar na cara das pessoas, mas não estaria escrevendo com sinceridade... Não tenho verdade nenhuma a gritar. Minha vida corre na maior serenidade, felizmente... E talvez isso seja um problema, pois escritores escrevem melhor tristes, ou nervosos, ou apaixonados...
     Depois de muitas frases apagadas, o meu cansaço já era evidente. Mesmo com todo aquele esforço continuo e incessante nada sai da minha cabeça... Parar de escrever agora não era se quer coletável, eu tinha que produzir algo. Caso contrario nem mensuro as conseqüências...  Lembrei que tinha algo pra comer! Amoras!!! Tinham algumas na geladeira, que usei pra preparar uma torta. Não são nada comparado a um expresso quente, mas algo doce deve ajudar...
      Amoras são realmente especiais... Tem um cheiro e um gosto especial, talvez pela semelhança da palavra amoras com amor... Mas ao mesmo tempo elas me parecem algo relacionado à tristeza, sabe... Não! Não algo assim como esta tristeza mais comum, que vem da solidão ou da perda. Digo à ser nostálgica, ser doce... Me lembra da minha infância até... MENTIRA?! Nem percebi e estava aqui poetizando em uma amora. Agora é só retomar tudo e começar a escrever.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Presentes e Namorados

Este domingo vai ser um dia especial: Milhares de casais vão trocar presentes, abraços, beijos e coisas semelhantes. O dia dos namorados transformou a cidade, e com ela o meu estado de espírito. No Brasil, a hipótese é que o feriado surgiu primeiro no interior, e que comerciantes expandiram a idéia na intenção de fazer com que o comercio se aquecesse nesta época. De fato eles tiveram, e ainda têm, sucesso nesta idéia: Milhares de amantes de todas as idades correm pras lojas a fim de comprar presentes dos mais diversos. Com isso, apesar do comercio lucrar, as ruas ficam cheias, as lojas abarrotadas, as filas difíceis de suportar e os bancos “inentraveis”. Não quero com isso dizer que sou contra esta data, muito pelo contrario. Mas achei que fosse uma boa maneira de começar este texto.
O fato que me incomoda em toda esta conversa é o fato de que sinto um leve fundo de hipocrisia nisto tudo. Conheço casais que se dão presentes todos os dias, que sempre sorriem, que sempre dão as mãos pra caminhar... Outro apenas fazem isso em datas especiais como aniversários ou neste domingo. Isso me irrita muito. Não sei se meu mundo e minhas leis malucas são tão estranhas assim, mas quando falamos que uma pessoa é o nosso namorado, no fundo queremos dizer que queremos esta pessoa sempre, junto, sorrindo e abraçando. E não só ao abrir um presente comprado no dia dos namorados.
Outra coisa que estranho neste feriado é com o que se presenteia que amamos. Antigamente, em Roma, as pessoas festejavam este feriado matando animais criados com muito cuidado, e os oferecendo à deusa da fertilidade e ao deus Pan (um análogo, mas masculino). Enquanto isso nos pagamos por presentes prontos? Não temos mais que criar animais pra sacrifício, mas poderíamos ao menos nos sacrificar escrevendo uma carta a mão. Cozinhar pra quem se ama também é uma ótima pedida. Os indianos dizem que magia sai de nossas mãos quando cozinhamos. A mesma magia sai ao se confeccionar um presente simples de dia dos namorados. Dê um desenho, um texto, um quadro, cozinhe algo, toque uma musica. Rosas e chocolates tem seu valor apenas da primeira vez, depois de algumas repetições eles se tornarão pouco pra alguém que você realmente ama.
Enquanto isso, eu mais 62,2 milhões de solteiros (Censo 2010) tentam digerir o fato de que vão passar este dia sozinhos. Uns vão pro campo, outros para bares tentando achar alguém pra uma “ficadinha”, que não cura, mas anestesia temporariamente a sensação de não ter realmente um namorado com quem passar este dia. De fato nos, os solteiros, somos uma fatia expressiva da população: Temos apartamentos, dirigimos carros e fazemos comercio. Porem ainda nos falta esta coisa que é a ávida a dois.
Em meu ultimo parágrafo, deixo meus votos de feliz dia dos namorados pra quem preparou uma surpresa amorosa, divertida única e apaixonante pra pessoa que ama. Já pra nos, solteiros, fica minha dica: Ainda temos dois dias pra adotar outro solteiro em nossas vidas e tentar ser feliz. Não perca esta chance! Errar não faz mau, de um modo geral erramos muito em nossas escolhas. O importante é sempre que falarmos “Eu te amo”, recebermos outro de volta ou saber lidar com o “Eu não”. Bem, de uma maneira ou de outra, um feliz dia dos namorados, amigos!!!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Desenhistas Sem Musa

     Hoje, durante uma breve pesquisa, me dei conta de algo bem interessante: Temos nove musas ma mitologia grega, senhoras de todos os tipos de artes, segundo especialistas no assunto. Mas a lista é bem restrita, não? Apenas nove? Então notei que muitos tipos de arte não eram representadas por elas. Neste texto em particular queria falar de uma arte que não tem uma musa: A arte de desenhar.
     Para mim, sempre foi um desafio desenhar. Tenho alguns rascunhos que podem ser (de longe, no escuro, vistos por alguém dentro de uma moto a duzentos quilômetros por hora) classificados como razoáveis. Alem disso desenho um parabolóide hiperbólico invejável. Porem não estou falando de desenho técnico ou de funções estranhas em provas de calculo, estou falando de seres, coisas materiais, corpos... Mais que isso até...
     Sempre preferi pensar em um desenhista como alguém com um dom muito particular: Tornar sua imaginação visível aos outros. Podemos simplificar todo processo de criação de um desenho em imaginação e aplicação desta técnica mística que envolve tinta, canetas, lápis, papel, PC, etc... E dentro de minutos podemos começar a ver as primeiras linhas de imagens antes puramente imaginarias! É muito alem do que um pobre escritor pode um dia querer fazer: Uma descrição tão plena de detalhes quanto se queira e exatamente idêntica ao conceito mental do criador. 
     Como é muita injustiça não termos uma musa para os desenhistas, então me propus a criar uma eu mesmo!!! Porem uma musa é pouco, não dá pra ser uma musinha só não, tem que ser quase uma Super Garota, ou algo do gênero. Com poderes de telepatia e de controle da tinta. Ia ser bem legal... Suas nove irmãs mais velhas a expulsam de casa ainda nova, por que ela era mais poderosa que todas, e temiam que se rebelasse. Anos depois o seu talento se se destacou entre os dos mortais, e os deuses a trouxeram de volta ao Olimpo. Porem antes disso, ela deixou um legado: Havia mostrado ao mundo que o pensamento tinha sim forma. Como poderá se chamar... Não sei... AHHHH!!! Sképsia! Não entenderam, né? Em grego, significa “pensamento” (se escreve “σκέψη”).
     Quando os gregos faziam suas “artes”, pensavam nas musas como fonte de inspiração. Se isso ajudar, lhes dei um presente, alguém em quem pensar: Sképsia. A roupa eu não sei. As irmãs tinham símbolos como livros ou liras, esta pode ter um pincel ou uma grande moldura... Na verdade, eu já tenho uma musa: Calíope, a musa da eloqüência. Ela já tem forma e símbolos, como descrito por nos mesmos, os eloqüentes. Agora deixo minha filha com vocês. Creio que Sképsia estará em boas mãos! Quem sabe um dia ainda não a vejo em um museu, ao lado das nove irmãs?