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domingo, 3 de julho de 2011

Improviso: Amoras

    Acho que talvez comer pão, ou um arroz com feijão não ajudasse muito na minha criatividade, muito menos a folha ao meu lado coma matéria de exponencial pra estudar. Estou aqui batendo a lapiseira na prancheta há horas e pela quinta vez minha mãe patê na porta do meu quarto me mandando dormir.
    Eu deveria ir comer algo que fosse mais “poético”... Sorvete sempre é bom, mas está muito frio... Chocolate quente? Não, ia ter que ir na cozinha, e não to muito afim de levantar. Nossa, o que não daria pra estar numa cafeteria agora! Um café com cobertura de chantilly seria ótimo, mas se nem chocolate estou animando a preparar, quem dirá algo tão complicado.
     A cafeteria mais próxima fica a nove quadras. O entregador até que é simpático, poderia pedir um expressos... Mesmo estando tão frio entregas não feitas de bicicleta, o que acho um absurdo. Mesmo sendo um negocio pequeno, podiam ter um pouco de zelo pelos funcionários e comprar um carro. Pedir um expresso, por mais que seja tentador, implicaria em deixar o entregador andar de bicicleta nove quadras, com cada osso do seu esqueleto se debatendo de frio... Não, é falta de compaixão demais. Melhor pegar logo a caneta e escrever algo!
      A falta de criatividade está me matando! Queria escrever um conto romântico, como já fiz tantas vezes, mas parece que o a falta de um amor acabou abatendo meu senso de romantismo. Queria ter a mesma coragem que já tive tantas vezes de escrever umas verdades e esfregar na cara das pessoas, mas não estaria escrevendo com sinceridade... Não tenho verdade nenhuma a gritar. Minha vida corre na maior serenidade, felizmente... E talvez isso seja um problema, pois escritores escrevem melhor tristes, ou nervosos, ou apaixonados...
     Depois de muitas frases apagadas, o meu cansaço já era evidente. Mesmo com todo aquele esforço continuo e incessante nada sai da minha cabeça... Parar de escrever agora não era se quer coletável, eu tinha que produzir algo. Caso contrario nem mensuro as conseqüências...  Lembrei que tinha algo pra comer! Amoras!!! Tinham algumas na geladeira, que usei pra preparar uma torta. Não são nada comparado a um expresso quente, mas algo doce deve ajudar...
      Amoras são realmente especiais... Tem um cheiro e um gosto especial, talvez pela semelhança da palavra amoras com amor... Mas ao mesmo tempo elas me parecem algo relacionado à tristeza, sabe... Não! Não algo assim como esta tristeza mais comum, que vem da solidão ou da perda. Digo à ser nostálgica, ser doce... Me lembra da minha infância até... MENTIRA?! Nem percebi e estava aqui poetizando em uma amora. Agora é só retomar tudo e começar a escrever.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Garoto e A Rosa

     Era uma vez um menino que sonhava com uma rosa. Mas não era uma destas rosas de jardins normais. Muito menos era alguma garota que tivesse este nome, pois garotas não eram o forte deste menino. A rosa com que ele sonhava era um presente simples, vindo do fundo do coração. Este menino sonhava com o dia que alguém Le daria uma rosa...
     Alguns de vocês, meus leitores, poderiam se perguntar: “Que coisa estranha? Só uma rosa?” Mas pra ele não seria só uma rosa, seria “A Rosa”! Ele já tinha pensado muitas vezes em tulipas, margaridas, cardos (que eram suas flores preferidas)... Mas nenhuma tinha o brilho, a elegância, a caoticidade, a complexidade... A rosa era única...
     O garoto também pensava na cor da sua rosa... Os populares diziam: “Rosa para uma amiga, branca para uma pessoa que você respeita, vermelha para uma paixão...” No fim o menino não se importava com a cor. Seja a rosa vermelha, amarela ou anil, ele vai a adorar do mesmo jeito. Vai tirar uma pétala em especial e por dentro de um livro que use muito. Vai chegar em casa e por num vaso no meio da sala, sozinha. E todos perguntarão “De quem é esta rosa?”. E o garota ira apenas abrir um largo sorriso.
     Certa vez ele fez um juramento com alguns amigos, onde todos pediram coisas relativamente impossíveis. Este simples e ingênuo menino pediu apenas uma rosa. Ele saiu pelo mundo a procura dos presentes que seus amigos pediram: Livros, panetones, algodões doces... Cada item recolhido era um amigo feliz... Meses se passaram desde que ele coletou todos os itens que seus amigos pediram, e até hoje nada de ganhar a sua tão desejada rosa...
     Toda noite este garoto pensa quando vai ser o dia em que vai ganhar a tal flor, pensa em quem o dará este presente... Será um amigo?  Será que vem de longe? Será que a rosa é rara? Será que tem bilhete? Ele só não tem duvidas que de qualquer forma será um dia maravilhoso! E que a pessoa que o der a rosa, seja quem for, vai ganhar o melhor abraço do mundo: O abraço de um de alguém feliz.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mais uma de minhas tolas metáforas...

       Toda vez que vejo um alguém que amo e como se fizesse um vaso de argila. Primeiro disforme e mole, e pouco a pouco eu vou o dando forma. Mas por hora não deixa de ser um vaso mole que ainda aliso e trato a fim de o dar formas belas e sublimes.  Chega uma hora que não posso mais moldar tal vaso. Esta hora é quando chega a paixão. Ai nada mais me resta a modelar. O fogo vem e erigisse a argila assim como estiver, mesmo que ainda torta e pouco pensada. Esta feito, tenho um vaso agora. Mas tal vaso assim mal modelado deve ser escondido  numa estante bem isolada, para que ninguém o note.
    Mas assim como todo artista não posso abandonar tal criação. Quanto mais o tempo passa, mas irresistível se torna dar uma pequena mão de pintura no ornamento. Primeiro um tom lilás discreto. Por que não por um vermelho. Roxo junto! Põem uma flor aqui! Um bordado dourado... Quando me vejo, estou me deparando com uma obra mais complexa do que imaginava. Estava ali já uma peça pronta pra ir à exposição.
Esta é a pior parte, onde descobrimos que nada somos. Olhamos as outras obras que já foram rejeitadas, todos os cacos de vasos largados no chão do ateliê. Não, não vale a pena fazer mais um entulho desses me expor ao ridículo de novo. Mas não é um entulho. Eu gastei um tempo bordando este vaso. Eu quero que ele seja do mundo, e o mundo o julgue como quiser! E num lapso de coragem, mesmo que for catálogos ou por jornais, eu esperançoso lanço aos olhos dos interessados este vaso.
     Logo vem a noticia da aceitação. Nada, mais uma vez falhei. Não sou bom em fazer vasos... Ninguém tem nada por meus pobres vasos, nem um sentimento se quer. Eles não são capazes de causar sensação nenhuma. Este foi só mais um vaso entre tantos que já pintei.
      Ma vejo mais uma vez como o artista fracassado que sou e sempre fui: sentado no chão de minha casa, admirando meu belo vaso quebrado. Fico tentando reencaixá-lo, colá-lo com minhas lagrimas... Tudo em vão... Fico assim, sabia? Ainda vou ficar tentando achar um encaixe pra esta historia toda por um tempo... Vou parar horas de minhas noites sem sono pra analisar meus erros nesta obra. E talvez ate tente remontá-la a partir destes cacos. Mas uma coisa é sertã: Vou demorar ate moldar um vaso com uma pintura tão bela e formas tão puras quanto foram as deste ultimo.

domingo, 11 de abril de 2010

O Jovem Bardo Errante


"Ele era o tipo de garoto que se enturmava aos poucos, mas sempre mantendo distancia media. Não gostava das musicas que estavam na moda, mas ia aos shows e encontros apenas para ver os amigos. Era do tipo que todos achavam um máximo, mas ele não se achava tanto.
Por que citar este garoto? Simplesmente por que ele tem potencial para se tornar um brilhante personagem. Mas ainda não sei ao certo de que tipo...
Talvez pudesse ser um pacato de alguma vila... Talvez um daqueles bardos errantes que narram das lendas as mais desconhecidas que existem. Sempre acompanhado de um instrumento (uma rabeca, uma lira ou ate mesmo um carnix) e por grandes multidões que o aclamavam como herói. Porem esta mesma multidão nem se quer lembrava de sua existência depois que ele partia..."

"...E mesmo que de sua presença só restasse brumas e sombras, a musica que por ele foi tocada persistia ali. Era, afinal, antes dela vir das pessoas e de seus costumes,  ela vinha das flores, da natureza, dos sorrisos e caricias que por tamanha  beleza se emanciparam dos homens e se tornaram Patrimônio Universal.
Mesmo que embalado pelos braços de Berenices e Andromedas e motivado por sorrisos de dons mágicos, um bardo é um poeta e por tal passa a amar o amor, suas formas, seus versos e notas antes mesmo que qualquer coisa, antes mesmo que a sua amada, que incoerentemente ainda é tudo que ocupa seu coração de poeta, ou para os mais racionais a mente e o cérebro."

(João Paulo A. de  Mendonça e Ricardo Barbosa Kloss)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Folhas ao Vento

       Hoje me peguei durante a aula olhando as folhas dos eucaliptos que ficam próximos ao prédio onde tenho aulas teóricas. Está era só mais uma manha se outono, mas estava excepcionalmente mais fria do que as que tivemos antes. Talvez este frio tenha despertado em mim o interesse de compreender o que eu estava fazendo. Porque estava olhando incessantemente para as folas lá fora? Será que algo de diferente estava havendo?
       Lembrei-me que você também olhou as folhas no vento, no mesmo dia, porem uma semana atrás. Lembro também que, assim como eu, rascunhou um pequeno texto em honra a estas. Mas ainda assim não sei se posso anexar à causa deste acontecimento a “magnífica aula de geometria analítica” ou a alguma matriz que tenha nos inspirado.  Porem também descordo que seja o fato de ser uma quarta pela manha. Talvez ate tenhamos as mesmas causas, mas duvido que sejam algumas destas.
       Olhando dentro de mim, mesmo analisando com calma, não sou capaz de identificar com precisão o que é. Sei apenas que é algo que surge de relance e que nos joga em um estado grandioso de epifania. De repente eu vi nestas folhas ondulantes a plenitude de um sentimento que a pouco invadira meu peito, do qual pouco conhecia. Um sentimento que poucos descrevem, e mesmo pecam ao descrevê-lo. Por isso mesmo nem me arriscarei a descrevê-lo, deixarei que algum de vocês se pegue olhando as folhas de um eucalipto farfalharem com o vento. E que vocês neste dia estejam sentindo o que eu estou, pois ai as folhas lhe dirão tudo que precisa saber, mesmo que isso não seja muito... 

sexta-feira, 19 de março de 2010

O tédio faz milagres

Em uma estressante aula de matemática no curso superior, somos capazes de testar o limite de nossas forças de resistência psicológica. A aula segue uma linha de ritmo que parte do interesse absoluto e do deslumbramento. Logo após algumas matrizes e alguns somatórios, o ritmo cai para total exaustão física (o que significa tendinite por tanto escrever) e mental (que significa que: “A aula tá um porre!!!”).
Porem, após os primeiros 80 minutos (são 240 ao todo) de aula corridos, notamos fenômenos fascinantes. Um deles é um ao qual já fui apresentado no ensino médio: A atração magnética que a carteira exerce sobre os alunos. Nem sei se este campo criado é magnético, mas que é fortíssimo é.
Outro fenômeno notório é que genes primordiais que herdamos de nossos antepassados anfíbios começam a si manifestar. Em um dado momento uma mosca entra pela janela. Imediatamente vemos que todos, disse TODOS, os alunos param o que estão fazendo para observar o movimento caótico descrito pelo inseto.
O ultimo e também mais interessante é o poder estremo que feromônios tem nestas horas. Sim!!! A exaustão psicológica altera ate isso. É nestas horas que você repara que, por traz das fantasias de NERDs, a sala está lotada de gente bonita e interessante. Aquela menina de cabelo esquisito, de repente vira alguém cheia de estilo. O garoto de óculos é que pisca sem parar passa a ser um cara forte e de olhos brilhantes. E de um modo geral todos parecem bem mais interessantes e nos ficamos cada vez mais carentes... E o pior é saber que todos são inteligentes.
De um modo geral, eu tenho um conselho pra quem passa por estes sintomas: Esquece de tudo em volta e foca no professor. Depois da aula, nem a cadeira, nem os insetos, nem os NERDs como você vão ser tão interessantes quanto são nestas horas de estresse. Depois de um dia de estudo, a única coisa que atrai mesmo é a cama...

quinta-feira, 11 de março de 2010

Confissões de um Garoto Roxo

     Se você já me conhece, já deve ter reparado na minha cor, não? Sim, eu sou roxo! Mas não pensem que isso é fácil. Nasci numa família onde todo mundo é branco. E ser roxo no meio de uma casa de brancos pode ser um desafio, por isso sempre escondi minha cor da minha família. Mas mesmo assim, não tem como, de vez em quando alguma pessoa virava para minha mãe e meu pai, falando: "Nossa, você já notou como este menino é diferente?" E eles cegos diziam: "O que?" e a pessoa sempre apontava para o obvio, eu era roxo.
     Depois de diversos anos escondendo de todos este "estigma" que carrego, eu me dei com um fato muito importante: Eu não era o único roxo daqui. Nesta cidade mesmo onde moro, comecei a notar que haviam muitos outros roxos, assim como eu. Sendo assim comecei a andar pelas ruas e observá-los. A cada instante via uma bochecha roxa corada, uma boca roxa sorrindo, uma menina roxa no balanço... Tinham roxos por toda a parte e poucos eram os que se preocupavam com o que os outros iam pensar de sua cor.
     Ao meu lado passavam também brancos, pretos, verdes, amarelos, pessoas de todas as cores. Eles às vezes paravam e reparavam naquela cor estranha, fora de contesto, o tal do roxo. Outros ainda, depois de terem parado, proferiam afrontas contra a exibição franca de tal cor. As velhas senhoras vermelhas e elegantes viravam o rosto como se não tivessem nada para ver ali. Lembro de uma vez quando uma criança inteligente, com potencial intelectual notório e com uma curiosidade incrivelmente natural, virou para seu pai e perguntou: "Papai, por que aquele homem é roxo?". E o pai desconversou. "Papai, mas porque eu sou branquinho e ele pode ser roxo?" O pai puxou forte o braço do garoto, que insistia em apontar e reclamar. "Papai, quando eu crescer, posso ser roxo também?" Ai o pai soltou um grande basta, pegou o filho no colo e sai de perto, como se o roxo pudesse saltar da pele daquelas pessoas e grudar na dele.
     Mas ao mesmo tempo que eu via tanto ódio, eu vi que muitos outros iam ate os roxos e os saudavam. A coisa mais linda de ver eram roxos sentados na praça rodeados de amigos. E estes amigos eram verdes, vermelhos, azuis, amarelos... Todos juntos! Rindo e se abraçando. Outra hora vi uma senhora tomar chá em uma padaria e ela era toda roxa. Mesmo assim os pretos e elegantes garçons a serviram com prazer, pois seu dinheiro era verde, seu sorriso era branco e seu chá era o mesmo mate ocre escuro que o das outras pessoas. A senhora só tinha uma diferença: Ela era roxa.
     Então cheguei a conclusão de que não preciso mais desse pó de arroz, desta tinta que uso para ninguém me ver roxo como sou. Eu sou roxo! E se alguém se julgar branco demais, verde demais ou a cor que seja demais pra lidar comigo, nada posso fazer. Escrevo para os roxos e para os que gostam deles, se não gosta, nada posso fazer. Um roxo que se ame como eu me amo pensa assim como eu penso. E se você não gosta nada posso fazer. E se algum dia alguém me perguntar quanto a minha cor, eu responderei sem perder tempo: “Eu? Eu sou roxo!” E se não gostar, esta pessoa poderá virar as costas pra mim. Mas sei que sempre existirão pessoas que gostam de roxos.
     Agora só me resta um único afazer, ser feliz. Outro dia passei pela rua a noite e vi dois roxos se beijando e trocando carinhos como qualquer duas pessoas que levam uma relação de amor. Eu ate hoje, graças a esta mania de ser branco, nunca fiz nada parecido... Alem disso, vejo os jovens roxos sentados em mesas de cafés, conversando sobre suas vidas. Vejo roxos trabalhando e ganhando o mundo com sua arte roxa, como deveria mesmo ser! Quanto tempo não devo ter perdido nutrindo esta fachada branca e triste que fui? Quem sabe o próximo passo é procurar outros roxos que sejam roxos de um roxo tão roxo quanto o meu? Na verdade acho que o truque é simplesmente não ligar mais para cores, nem pro preto, nem pro branco, nem mesmo pro meu próprio roxo...

domingo, 7 de março de 2010

Vazio ainda indefinido

Eu sinto um vazio que nem eu mesmo sei o que é. Talvez uma peça que tenha caído por ai, em uma estrada qualquer, e alguém tenha achado interessante. Talvez seja apenas algo que eu nunca tive, mas agora que preciso de repente tenha dado por conta de que faz falta. Ou talvez ainda seja apenas fruto da minha cabeça fértil, que já esteja vendo miragens no deserto da imaginação. Por favor, se achar esta peça que me falta, se souber dar-me notícias... Ao menos de seu nome... Por favor, eu suplico. Pelo menos me de um nome pra eu saber o que procurar...