sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Saudades? Eu Sinto...

     Saudades? Eu sinto, e muita. Sinto saudades das manhãs de domingo em que eu levantava antes de você e tinha o prazer de te ver dormindo... Nossa, como era lindo... E então eu sorria e tinha certeza que era feliz. Te cobria, por que você sempre mexia muito na cama e acordava descoberto e arrepiado de frio, e depois ia pra cozinha. O café era um desafio. Foi difícil mudar meu café fraco e doce pra um que te agradasse, mas eu me esforcei. Na verdade, acho que encontrei foi um meio termo, em que tanto eu quanto você ficássemos felizes. Lembro que sempre ficava na duvida do que fazer com o pão: Torradas? Um misto quente poderia ser melhor... Ou então ainda algo como geléia ou queijo simplesmente... Eram coisas tão irrelevantes, mas sabia que teria o prazer de ver seu sorriso quando visse quem havia tido o trabalho de escolher tudo com carinho.
     Mesa posta, eu ia ao banheiro, lavava o rosto, escovava os dentes e ia te acordar. Talvez de todos os sacrifícios o mais difícil, pois te ver ali dormindo era de longe a coisa mais bela de meu cotidiano... Um beijo na testa, e no ouvido um sussurro dizendo “Bon dimanche, mon amour.” E então eu ouvia sua voz em um breve bocejo. Sabia que já tinha feito a minha parte, ia para mesa e não demorava você estava lá... Perguntas triviais: “Dormiu bem?” “Espero que goste.” “Vai onde hoje?” Eram perguntas tão doces de se fazer... Soavam como uma musica de um coro muito bem ensaiado... Tenho muita saudade...
     Saudades... Faz noites que não tenho estes sonho triviais de alguém apaixonado... Faz noites que não tenho sua imagem em mente antes de dormir. Há dias não vejo se quer seu rosto... Talvez reste apenas um nome em minhas orações...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Natureza dos Sonhos

     Quando eu era criança, me ensinaram a perseguir meus sonhos. Eles, como todos sabem são coisas que desejamos mais que quase tudo no mundo. Talvez a coisa mais legal deles é que todo mundo tem um, pois sonhos são as forças que nos fazem continuar andando pra frente. São como o sol, que é o grande guia dos eremitas no deserto.
     Porem sonhos são sonhos por uma única razão: Por que são difíceis de se concretizar. (Quando não hipoteticamente impossíveis.) Outro fato é que os sonhos nem sempre são materiais. Seu sonho pode ter pouco menos de um meto e oitenta, ter um nome composto e andar por ai longe de você, intangível, inalcançável... Um sonho...
    Estive concretizando um sonho a pouco tempo, um sonho que muitos tinham me dito que a mim seria impossível. Estive tão alto quanto nunca pensei que estaria no mundo imaterial dos meus desejos. Pude tanger os sonhos com uma propriedade incrível... Instantes antes de eles virarem fumaça... Eis ai outra grande propriedade dos sonhos, eles somem, viram fumaça quando mais estamos seguros de sua concretização...
     Porem, às vezes vou ao lugar onde concretizei este sonho e paro pra pensar: Será que mereci mesmo ter o concretizado? Por mim acho que a resposta é não... Não sou muito digno de realizar tal sonho... Penso que seja por isso que me sinto tão acomodado seguindo este sonho que já se fez nevoa. Sei que assim, sem merecer muito, vou ter que esperar mais um vasto período de tempo até que mais alguém possa ver em mim um sonho... E eu nesta pessoa outro... Sonhos não nasceram para serem realizados, nem para serem vividos sozinhos... Talvez a única certeza a cerca dos sonhos é que nos tendemos a acordar deles mais cedo ou mais tarde...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Reflexões na Insônia

     Noite de horas que se alongam e expandem como colossos... A saudade é como um pão que nunca acaba e somos forçados a comer. No inicio ela supre nosso espírito e nos dá animo pra seguir, apreciando mais seu paladar agridoce. Porem com o tempo o pão se torna bolorento e fétido, difícil de digerir até para os mais famintos. Eu ainda não larguei meu pão...
      Faminto? Posso até ser tido como o tal, mas não é isso que me fez ainda estar o segurando. Muitos outros, bem mais famintos que eu, já teriam o largado há muito tempo. O que me faz ainda estar aqui sofrendo e derramando lagrimas, comendo o pão bolorento da saudade, é a minha insanidade... Minha loucura... 
      “O que é certo deve ser feito”, pelo menos foi assim que me educaram. Porem nossos tutores esquecem de nos orientar que o bem vai nos trazer uma felicidade simplesmente póstuma. O certo não compensa pra quem não vive a eternidade... Sempre que fazemos o que é certo, justo, sempre que pensamos com a cabeça e com o coração, o mundo irá testar o quanto podemos agüentar fazendo assim. É um jogo bem simples: Se você agüentar até o seu velório, será recompensado. Com o que? Não sei... Pergunte ao seu Deus o que você ganha seguindo a vontade dele, ok? Algo ele te dirá, mas prefiro deixar que ele te conte...
     Logo sou levado a pensar: “O Amar compensa?” Pra mim sim, e muito. Mas e pra você, meu leitor? Já sofreu por amor? Se amar alguém, saiba que será testado incessantemente pelo mundo, até que queira desistir... Ajuda um pouco estar do lado de alguém por quem vale a pena lutar, mas e quando a pessoa está “longe”? Longe aqui pode significar muitas coisas, não é? Um continente? Duas quadras? Uma tribo diferente? Vinte anos? O quão longe está de quem você ama? Será que é ela, a pessoa amada, que está longe, ou você que se afastou? Barreiras podem ser erguidas tanto pela natureza quanto pelo homem...
     Outra coisa que você deve se perguntar se não concorda com muito do que eu escrevi até aqui, é se já amou de verdade. Será que isso que você chama, ou chamava, de amor é realmente Amor? Amor não “é fogo que arde sem se ver”, e repito, não é! Amor é algo que vai te fazer ver o mundo de uma forma poética sim, mas vai te dar o dom de odiar e querer bem ao mesmo tempo, esta é a marca do amor. Um dia vai se ver na mesma situação que eu: Olhando pra uma sombra no seu quarto e pensar que é ele, vai começar a pensar nele antes de fazer qualquer  plano pro futuro. Isso por que, por mais que você queira negar,não consegue imaginar o resto da sua vida sem aquela pessoa...
     E o sono não chega... Janela, telescópio, varanda, foto no laptop, desenhos, livro de cabeceira, leite quente, banho, varanda, cama... Parede, teto, outra parede, travesseiro... Parede, teto, outra parede, travesseiro... Parede, teto, outra parede, travesseiro... Celular!!! MENSAGEM!!! Promoção da operadora... Cama... Parede, teto, outra parede,  travesseiro... Travesseiro... Travesseiro... Falta de ar! Lua... Lua... Estrelas... Estrelas... Estrela... Você...
       Eu? Nem louco, nem insano, nem faminto... Eu sou um poeta que ama irracionalmente um garoto que não sei nem se existe mais... Estou só tentando achar meu sono nos versos dos meus textos... Achar uma saída no meu labirinto.. 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Pessoas e Pessoas

     As vezes me pego sentado naquele lugar na rua ao lado da minha casa. Aquele que só eu e você sabemos como foi importante (ou talvez só eu saiba).  Já faz um mês e três dias daquela noite linda... Eu me lembro muito bem do quanto eu pedi para que o céu desabasse sobre nossas cabeças, mas ele estava tão bonito, parte estrelado, parte róseo e encoberto por nuvens... Duvido muito que você se lembre destes detalhes...
     No mundo nascem dois tipos de pessoas. Um tipo é o meu: Os que nasceram para amar. O sonho de alguém que nasceu pra amar é achar um cara perfeito, o “seu numero. Porem os que amam ao achar uma pessoa especial simplesmente se apaixonam. Não pensa mais se a pessoa por quem esta louco é o seu numero, do seu jeito. Ela passa a achar tudo que aquela pessoa faz passável, fofo, bonito ou até mesmo toma os hábitos  daquela pessoa como  certos, por mais loucos que sejam. Se exitar se entregam e geralmente terminam abandonados, pois no fundo sabem  que nasceram para amar e amar, e morrer tentando...
     Mas ainda existe o seu grupo: Os que nasceram para ser amados. Estes são belos, ou então charmosos, e tem em cada sorriso o dom de cativar os que nasceram pra amar. Porem alguém que nasceu pra ser amado não sabe lidar com o amor, pois o desconhece. O que estas pessoas fazem é dizer não. São peritas na arte de dizer não. Alguns ainda se aproveitam dos amantes antes de o fazer. Outros tantos preferem elevar o sentimento ao extremo antes do não. Fazer sofrer é outra marca dos que nasceram pra ser amados, porem sofrer por amor é algo que os que amam estão acostumados (Ou posso dizer até que gostam, pois no seu intimo acham que o sacrifício é necessário, e isso edifica o que sentem.).
     E a mesma historia se repete incessantes vezes. O que só sabe amar ama por instinto, o amado não ama por desconhecer o sentido desse sentimento. Um ciclo infindável. Os que serão sempre amados pensam sempre é sedo pra amar de verdade. Os que amam acham que nunca é tarde, e que sempre devem tentar de novo. É um jogo do qual as peças não podem sair até que alguém mude sua estratégia.
     Mas um fato relevante deve ser tomado em conta: Uma vez que o impasse  ocorre, se o que ama desiste, nada mais irá acontecer, pois o amor provavelmente se mudaria em ódio ou coisa pior. Nestes casos as boas saídas se encontram na mão do que é amado. Ou se abre e deixa se apaixonar, ou diz não e seguem ambos como companheiros de estrada. Nem leais amigos, nem inimigos.
     Qual o fim da nossa historia? Eu não sei... Escolhas devem ser tomadas, e fui impedido de tomar boa parte delas... Gostaria só de ser feliz...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Realmente Relevante

Andando pela rua num dia chuvoso
Ou escrevendo no meu computador
Seja pensando em ótica ou em gramática
Escutando Placebo ou Beethoven
Cantando Amy Winehouse ou Edit Piaf
Não importa se danço tango ou eletrônico
Se cozinho macarrão ou brigadeiro
Se estou tomando café ou chá
Se visto preto, ou roxo, ou os dois
Se é noite ou dia de sol forte
Se é outono ou primavera
Com você aqui do meu lado
Ou estando ai sozinho em seu apartamento
Não importa realmente o mundo que estou
Não importa se quem fala é um amigo
Ou o meu cérebro maluco e alucinado
Perante todos estes fatos irrelevantes
Apenas uma verdade absoluta prevalece
E ela mora aqui dentro do meu peito bobo
E fica forte todo dia as cinco da tarde
E toda a noite quando fico te esperando ligar
Esta verdade de que tanto falo
É  a ultima coisa que te disse olhando nos olhos
Será que você se lembra o que é?

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Canto dos Deuses

Lira na mão, frutas na bolsa e lá vou eu
Cantando por cada taberna da velha Gálea
Poucos galeões no bolso, uma garrafa de hidromel
E ainda assim um sorriso estampado na cara
Como o mais rico dos comerciantes do mundo
Da flauta de Pan faço proezas inimagináveis
E canto canções com encantos em cada semitom
Sons que já encantaram espíritos dos bosques
E fizeram arvores me deixarem passar por florestas
E ninfas se aproximarem das bordas para me ouvir tocar
Som que já cativou corações humanos e élficos
E de tantos magos que nem posso mais contar
Pois o dom me concedido pelos deuses é genuíno
O de soar aos mortais como a voz dos deuses
De fazer-los me amar com toques na citara
De fazê-los se destruírem com o tom do carnix
E conduzir suas almas rumo ao banquete de Odin
Quando guiado por seus corvos, toco minha ocarina
E ao longe Fenris me acompanha com seu forte uivar
Com meu canto levo meu fado de seguir sem rumo
Destino que as Nornas me deram e não pude questionar
Porem o amor a minha musica também está em mim
E por isso sigo as estradas, errante, solitário
Marchando apenas acompanhado da minha canção

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Criação Divina

     Se é verdade que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, isso eu não sei, e nem vim discutir a veracidade disso, mas um fato deve ser ressaltado: O Criador teve um lapso e tanto de criatividade, seja lá quem ele for. Fez um mundo tão complexo que funciona praticamente sozinho, segundo suas ordens e preceitos mirabolantes que até hoje ninguém entende direito. 
     Agora mais uma vez não querendo me comparar a Deus, mas já o fazendo: É assim que me sinto em relação a algumas de minhas criações. Peguemos por exemplo “Chardon”. Sem duvida um de meus textos românticos que mais amo. Ele tem uma trama que julgo maravilhosa, mesmo sendo tão simples. A muito tenho tentado ultrapassar este limite, este nível, mas dês de então acho que nunca escrevi um texto tão maravilhosamente romântico como aquele.
     Um que me foi um presente um tanto quanto estranho foi “O Vinho Escarlate”. Pra quem não chegou a ler, foi o meu texto erótico mais “apimentado”. Alguns bateram palmas, outros tiveram desmaios, quedas de pressão e até teve uma amiga que vomitou! Eu particularmente adorei ter o escrito, tirou um peso enorme das minhas costas! Eu estava a tempos interessado em ousar escrever algo tão livre de pudores e receios, e consegui. Depois de um tempo tirei este conto do ar, mas caso alguém queira ler, tenho todos os meus textos aqui muito bem guardados.
     Outras que eu não posso deixar de citar são minhas series românticas inspiradas em grandes paixões: “A fagulha Breve de uma Esmeralda”, “Um Doce Amigo”, “O Garoto Copia” e recentemente estou trabalhando em “Mon Petit Chat Noir”, que tem alguns poemas inteiramente em francês.
     “Mon Petit Chat Noir” tem me dado um trabalho em particular, pois é difícil escrever estando tão feliz. Meus amigos de profissão sabem que escrever de magoas e de sentimentos não recíprocos é muito fácil. Porem quando um poeta sente que alguém gosta dele, parece que a felicidade nos tira o estimulo criativo. Ficamos como Deus: Seis dias de criação, e agora que já temos uma obra, admiramos cada detalhe dela, a fim de poder ver se achamos algo que nos motive a criar de novo. Porem acho que novos textos tão bons assim, talvez apenas por milagre...