quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Astrônomo e o Nevoeiro

Antes

     Houve uma época na qual o Grande Reino se encobriu em Névoa. Névoa tão densa que os Cavaleiros do Rei andavam com os cavalos amarrados uns aos outros, para que não se perdessem. Os Comerciantes, com medo de alvo de saqueadores, fecharam as portas e as janelas dos armazéns. Poucos eram os que se arriscavam a sair de suas cabanas, pois o mundo fora delas próprias havia se tornado um mundo de desconhecidos e de frio cortante.
     Eu, antes do Grande Nevoeiro se instalar, era um Contemplador Real, titulo dado pelo próprio rei aos que ele julga sábios da arte da contemplação do belo. Era conhecido por todo o reino por saber a posição de cada estrela do céu em cada lua do ano e por saber só de olhar quais as maçãs prontas para a colheita e as que ainda deviam esperar. Lia, na mão dos aldeões o futuro de seus filhos e dos filhos deles sem errar nem uma linha... Mas isso foi antes do Grande Nevoeiro.
     Depois dele, pouco sabia de todas essas coisas. Na verdade, ainda poderia apontar no céu e dizer que lá estava uma bela estrela e dizer que as maçãs estavam maduras, mas não podia mais Contemplar nenhuma dessas coisas. Existe uma sutileza entre o Contemplar e o afirmar. Afirmar, sem Contemplar, é simplesmente ter esperança. Sendo assim, passei de Contemplador Real a um simples Semeador de Esperanças.
     Vagava pela névoa e pegava na mão dos Aldeões que por mim passavam. Vendo suas mãos sujas de tatear o chão procurando caminho na Névoa, eu ainda podia dizer de seus filhos e dos filhos de seus filhos, e assim fazer com que cressem que a névoa era um estado passageiro. Apesar de não ser a profissão que eu tinha escolhido pra mim, eu era um Semeador de Esperanças feliz.


Durante

     Numa dessas minhas caminhadas, encontrei um jovem rapaz. Ele estava sentado na grama molhada e olhava pro alto, pro distante. Aproximei-me dele para tentar ver o que ele observava tão atentamente, mas eu só via Névoa. Ele parecia tão solitário mas ao mesmo tempo tão seguro do que fazia que em instantes me convenci de que esse rapaz não precisava de um Semeador de Esperanças, e segui meu caminho.
     Passei pelo mesmo lugar algumas vezes e vi que ele sempre estava lá, olhando pro alto na Névoa... Isso começou a me instigar. De certa forma, esse rapaz me lembrava eu mesmo no meu tempo de Contemplador, e isso me fazia reviver boas lembranças da profissão que já não mais restava em mim.
     Certa noite eu perguntei “Olá, sou o Semeador de Esperanças Real. Quem és tu?”. Não houve resposta por alguns instantes, até que ele balançou a cabeça, como quem desvia o foco de algo importante, e respondeu “Sou um Astrônomo. Desculpe, estou trabalhando.”. “Trabalhando?”, me perguntei. Astrônomos precisam ver o céu pra trabalhar, e eu só via Névoa. Mesmo assim deixei o suposto astrônomo, que se dizia tão ocupado, cuidar do seu céu de névoa.
     Dias depois ainda estava ele lá. Me aproximei indignado. “Ainda a ver estrelas, Astrônomo real?”. E a resposta veio na forma de um rápido e eficaz “Sim.”. Falei, “Bem, será que não terias um momento para um Semeador de Esperanças? Talvez possa te ajudar em algo.”. O Astrônomo mal esboçou reação, apenas Estendeu a Mão para mim. 
     Em suas mãos, as linhas cruzadas me disseram que ele era rei de seu próprio reino e que tal reino era terra que só ele poderia plantar. As linhas disseram que eu nada eu poderia fazer pra ajudar, por que não havia Bom Fruto que eu pudesse Semear que lá já existisse com abundancia. Pela primeira vez, peguei na mão de alguém que não precisava de um Semeador de Esperanças.
     Largando sua mão, tirei um pote do meu bolso e pequei uma pequena semente dentro. Disse “Tome, bom Astrônomo Real. Não posso Semear nada que já não tenhas consigo. Te dou das minhas próprias sementes, um único grão é tão doce que pode matar a fome se quiseres. Mas os mais doces grão vem se quiseres o cultivar no solo onde só tu podes plantar.”. O jovem Astrônomo sorriu sem tirar os olhos do seu céu e disse “Obrigado.”, colocando a semente que eu havia lhe dado em seu bolso.
     Semanas depois, passo na mesma grama em meio ao Grande Nevoeiro, e ouço a voz do Astrônomo dizendo “Sente-se comigo, Semeador de Esperanças. Vamos olhar as estrelas.”. Ainda que incrédulo, sentei ao seu lado. Olhando para o alto, mesmo só vendo Névoa eu ainda sabia a posição de cada estrela do céu. Mesmo que por trás do véu branco. “O que vês no céu, Astrônomo Real? Quais estrelas estais a estudar?” Indaguei curioso. E ele disse “Vês a grande estrela rosada que quase toca o topo do céu hoje? É ela que estou a estudar.”. Eu sabia que tal estrela não estava lá, nem antes nem depois da névoa, mas mesmo assim ele olhava reto na tal direção.
     Curioso, perguntei: “O que mais vês no céu, Astrônomo do Rei? Conte para que eu também possa conhecer teu céu.”. Peguei no meu bolso meu velho caderno de Contemplador e me propus a tomar nota. Nos próximos dias, tudo o que fiz foi catalogar o céu do Astrônomo Real. Não demorou muito para que eu soubesse de cor a posição de cada estrela da qual ele falava, mesmo por trás da Névoa. E não demorou para que eu começasse a troca-las pelas minhas antigas estrelas. Quando desenhava um mapa, via que nele eu colocava estrelas que não eram minhas. Como se o céu que eu agora conhecia fosse fruto de uma fusão. Não mais conhecia o céu por trás do Nevoeiro com meus olhos, e sim com um meu e um do Astrônomo Real.


Após

     Não foi só o céu do Astrônomo Real que mudou meu céu. Sua presença em meio a Névoa havia se tornado uma das únicas que eu de fato notava. Andava pelas ruas e, se algum Aldeão o pedisse, fazia vagas previsões sobre o por vir e Semeava a Esperança de uma maneira fraca, sem muito valor de fato. Dava apenas a quantidade necessária para a não desistência.
     Além disso, notei o quanto a ausência do Astrônomo Real me abalava. Nas tardes mais claras, quando o Grande Nevoeiro se fazia mais branco que cinza, não o encontrava no gramado de sempre. Por vezes, ele só regressaria na noite seguinte, com um sorriso de canto e com a frase de sempre: “Dias claros não são para os Astrônomos, caro Semeador de Esperanças.”. Na verdade, por vezes eu fiquei apenas sentado na grama e olhando para o auto, vendo o branco da Névoa com os olhos, mas o céu do Astrônomo em meus pensamentos... Não me incomodava o fato de que ele não viesse, apenas pensava no quanto seria bom estar em sua companhia.
     Fui tomando consciência de que tinha passado de um Contemplador arruinado para um Semeador que não semeava mais, apenas contemplava. E o que eu contemplava era a chave de tudo. Eu era agora o Contemplador Real do Astrônomo Real. Fiz desse passatempo uma tarefa e aos poucos tornei essa tarefa um ofício. Mas não era tão bom ter mudado assim...
     Como Semeador, deixei a desejar. Ao longo dos últimos tempos tinha tido uma única semente. Semente essa que nunca havia visto semelhante, nem em meus tempos de Contemplador Real. Porem, não sei mais onde essa semente está... Na verdade, sei pra quem a dei, mas um Semeador também deve dar terra, dar água e dar proteção, e não só entregar a semente. Um Semeador não é um bom Semeador se não obtêm os frutos de sua semente.
     Mas porque não vi os frutos? Por que se quer eu os semeei! Não Preparei o Solo, não Dei Água, não Cuidei... Se não houvesse tanta Névoa, talvez o Rei já tivesse me destituído do meu cargo por inabilidade. E seria justo.
     Meu maior erro foi Contemplar quando na verdade deveria ter aceitado meu ofício de Semeador. Meu maior pecado foi me deixar Fascinar, e com isso deixar de ser o que era para me tornar o que eu almejava ser... Deixar de viver a minha vida para viver a vida que eu queria viver...

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Lamentavelmente Mudei

     Um dia eu percebi que não mais me apaixonava... Apenas gostava...
     Quando notei o que tinha ocorrido, mal pude acreditar. Não sabia como eu, ao longo de cada um destes anos, me tornei assim. Sabia, porem, que não voltaria a ser como era. Olhei no espelho e me perguntei como pude, me perguntei o porquê... Mas não sabia... Eu tinha perdido o que eu julgava mais nobre em mim e agora eu era comum, mais uma alma perdida...
     Quis chorar, mas parece que até este dom me foi roubado. Todas as lagrimas que já avia derramado agora estavam secas. Talvez já tivessem sido até bebidas após choverem, talvez tenham ajudado a muito mais pessoas do que a mim... Quando precisei das preciosas gotas de tristeza para acalantar a morte do meu próprio coração, notei que já tinha as dado para outros que delas mal fizeram uso... Outros corações que já jaziam sub a mesma lápide onde hoje o meu repousa...
     Olhava para os belos rostos e sorrisos ao meu redor e todos me eram iguais. Quando um se aproximava, meu cérebro dizia simplesmente “gosto”, “agrado”, “admiro”... O outros termos que eu outrora usava simplesmente sumiram... Não mais existia um alguém que me fazia rir ou chorar, no máximo eles me arrancavam sorrisos empáticos e sem mais a doce e valiosa inocência que eu já não mais tinha...
     O que será que ocorreu a ela... Terá morrido de tédio ou se afogado em sua própria melancólica existência? Talvez ela me tenha sido roubada por cada um dos que de mim se aproximaram e criaram em mim vazias e dolorosas esperanças... Mas quando penso neles, não tenho forças para culpá-los pelo furto de nada, quanto menos da minha inocência, do meu antigo espírito de apaixonado.
     Talvez não seja um caso de morte, mas sim um sequestro... Parece que não mais sei chorar por minha própria dor e me apaixonar por outros, mas ainda choro por cada um destes que por mim passaram. Ainda sinto o mesmo calor no peito por eles que não sinto por mais ninguém...
     Será que eles tomaram partes de mim pra si? Será que o que eles têm não pode ser devolvido? Eu preciso disso! Preciso amar novamente, assim como eu os amei um dia! Minha alma clama pela doce ilusão de estar apaixonado assim como o injustiçado clama por justiça... Dizem ainda que mesmo a mais seca das minas pode dar ouro a um habilidoso mineiro. Será que, caso meu eu roubado por tantos não tenha retorno, ainda terei algum resquício de inocência para oferecer?

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Negociação

     E se de amar eu sorrisse o mais puro dos sorrisos? E amasse tão belo quanto a mais bela das flores e chorasse um choro tão límpido que desce inveja ao grande lar das sereias? Será que assim me amaria?
     E se eu compusesse um hino impar à sua beleza? E se louvasse seus olhos como os que louvavam aos deuses do passado o faziam e erguesse um monumento de jaspe em seu nome? Será que nem assim me amaria?
     E se eu espalhasse aos quatro ventos poemas de amor? E se desenhasse cada parte do seu corpo de uma vez e por fim um grande retrato seu fosse formado, recobrindo todo o céu? Ainda assim, será que não me amaria?
     Se eu mudasse a língua do mundo para sua favorita? Se eu comprasse seu restaurante predileto ou ainda pagasse um show daquele cantor que embalava cada um de seus sonhos? Mesmo assim, não mereceria que me amasse?
     Se eu me lançasse longe de quem eu sou? Se eu deixasse meu eu a deriva no mar mais distante, fazendo apenas o que te faz feliz, e ignorasse tudo o que eu sou para ser o que você queria? Ai de fato você não me amaria...
     Posso dar tudo em troca do seu amor, e daria... Mas se desse quem eu de fato sou... Quem você estaria amando?

sábado, 16 de novembro de 2013

Dos Olhos que Tive

     Enquanto eu olhava para seus olhos, vi o quanto eu mudei ultimamente. Este olhar distante, curioso e por vezes tão triste, me lembrou de mim mesmo a tempo, quando eu si quer me perguntava quanto ao porquê de ter esperança, simplesmente a tinha. Eu já me apaixonei a primeira vista quando tinha esta luz no olhar, já sorri do simples fato de dizer oi... Já amei como julgo que talvez nunca mais ame... Amei por que não tive medo! Amei por que, enquanto um estranho sentado ao meu lado me olhava, eu simplesmente admirava as luzes e as formas dos espetáculos. 
     Lembrei-me agora de que já passei por isso. Já olhei pro lado nesta mesma platéia e percebi um olhar não voltado para o espetáculo, e sim para mim. Foi um começo lindo de um fim trágico. A ilusão, a inocência, a doçura... Com a mutilação constante do nosso coração, tudo isso se esvai lentamente. Quando nos damos conta, já nos tornamos máquinas automáticas de tomar decisões acertadas baseadas em lógica, não em sentimentos. Quando percebi que já não podia mais dar meu coração da mesma forma que antes, notei o quão decepcionante com sigo mesmo perder até o que julgava ser mais lindo em você mesmo...
     Ao mesmo tempo, hoje parte daquilo que eu fui gritou de dentro de mim. Os olhos brilhantes que refletiam a luz dos holofotes distantes despertaram um sentimento de afeto tão grande. Dentro de mim, uma força gritava, implorando por um abraço forte... Ela queria um aromático bolo de cenoura, um copo de chocolate quente, um livro lido na frente de uma lareira... Ela queria ser feliz de novo, simples e completa como já fora outrora.
     Dizem que não se pode ensinar novos truques a um velho cão, mas e quanto a lembrá-lo dos  truque que ele já havia esquecido completamente? Não sei o que tinha brilhando por trás daqueles olhos caídos, mas me encantou tão profundamente que nem sei mais se meu coração realmente esqueceu tudo aquilo que não sinto há tanto tempo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Sentimentalismo Quântico

     Desde que os cientistas do inicio do século passado resolveram enfiar de vez esta coisa de relatividade e teoria quântica na física, dissemos adeus a tudo que julgávamos determinísticos na única ciência exata que se propunha a descrever o futuro antes que o mesmo ocorresse. O pior talvez seja saber que esta não foi uma escolha: O mundo não é, de forma alguma, determinístico. Porem, ainda sabemos que uma dada condição inicial nos garante a total improbabilidade de uma série de respostas (Pelo menos pelo que já conhecemos.). Podemos traçar um espaço de respostas possíveis e descartar outras tantas. O difícil é entender quais são estas. Em mecânica quântica, este é um problema chamado de “Problema de Auto-Valores”, onde temos “só” que achar as soluções de uma equação (Dizendo assim, parece até que isso fosse simples.), a famosa Equação de Schrödinger.
     Se é assim, e é, o que então podemos tirar de previsão da natureza? Sabemos as coisas que podem acontecer com suas respectivas probabilidades. A pergunta então passa pro experimento: Será que a probabilidade realmente se verifica?  Até agora, poucas teorias foram tão certas quanto a Teoria Quântica.
Vamos agora mudar de foco um pouco: Quando conhecemos uma pessoa nova, alguém em potencial, estamos nos deparando com um complicado problema de previsão. A pessoa pode ser tomada como uma condição inicial do problema. Já nós? Somos como condições de contorno (Termo que usamos em física e matemática para coisas que restringem os objetos procurados, como as bordas de uma caixa.). O que nos resta agora é tentar averiguar a solubilidade do problema. Vejam bem, não existe uma equação mágica que nos permita ver a possibilidade de compatibilidade entre pessoas. Mas quero enxergar isso de uma maneira mais próxima.
      A Equação de Schrödinger é um caso particular de uma equação do tipo H(f(x)) = E.f(x). Vamos escrever esta equação de um jeito menos matemático: “Eu faço a pergunta H para a f(x), em seguida, obtenho a resposta E da f(x).” Então, podemos pegar nosso problema e escrever ele desta forma, não é? A pergunta H pode ser, por exemplo, “Você gosta de mim?”. Teremos dois valores possíveis, ou E=“Sim.” ou E=”Não.” (Vamos desconsiderar os casos extremamente mais complicados. Geralmente eles só aparecem em Mecânica Quântica quando a pergunta H não é bem feita.). 
      O problema, como já disse, é que aqui as coisas não são matemáticas. Por isso, não podemos de vez calcular a probabilidade de cada uma das respostas. Aqui, os únicos cálculos válidos são a intuição e o bom senso. Meu professor de física matemática me disse uma vez que “Nossa intuição só nos manda dormir e comer doces.”, sendo assim, não julgo que se deva confiar muito nela pra tirar qualquer conclusão. Já o bom senso sozinho não da conta de fazer todas as previsões.
      Em física experimental, quando chegamos neste impasse, geralmente montamos o experimento e vemos no que vai dar. Mas lá podemos fazer o experimento um milhão de vezes para poder fazer estatística e achar as probabilidades. No nosso experimento mental aqui não temos este luxo. Faremos o experimento uma vez, e nenhuma outra. Os riscos existem, mas um bom cientista sempre tenta usar o bom senso primeiro e a coragem logo em seguida. 
      Recentemente procuramos variáveis escondidas que nos ajudassem a poder dizer que o mundo era determinístico, mas a procura acabou num fracasso total, e ainda negando a possibilidade de que tais coisas existam. Devemos nos contentar com o fato de que Schrödinger foi uma boa cartomante pra elétrons, mais ainda temos sérios problemas pra prever o futuro dos humanos.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Encantados, mas Imperfeitos

     Já falei aqui mesmo que príncipes encantados não existem. Pois bem, vim aqui reformular isso: O que tenho visto por ai são príncipes sim, mas cada um com o seu defeito particular. Mas isso é obvio, não é? Desde criança, nos empurraram histórias de príncipes que tinham seus problemas pessoais. Tinha um que se aproveitava de mulheres enquanto elas dormiam, outro com seria queda por garotas mortas em bosques. Tinha um que nunca viu uma gilete na vida e roncava feito um cão (Este era o favorito da minha mãe.) e outro era de um país diferente, que queria dominar e escravizar o seu povo... Cada um com os seus problemas, cada problema pior que o outro. Acho que no fundo o nosso erro não está em acreditar que o príncipe encantado existe, está em pressupor que ele é perfeito.
     Recentemente conheci alguns príncipes encantados, dentre os muitos que conheci em toda a minha vida. Um melhores, outros piores. Tem um com excelente gosto musical e com um sorriso lindo como o de uma criança, alem do incrível dom pra fotografia, mas que não fala muito e nunca continuou um assunto que eu tente puxar. Outro ainda que é um artista nato e sonha tão alto na vida que do alto dos seus sonhos pode acenar para monges tibetanos meditando, porem é do tipo que prefere estar sozinho (E o deve, se quer mesmo atingir suas metas.). Conheci outros ainda que eram cascas lindas, do tipo que valeria a pena parar olhando e desenhar cada detalhe da expressão pra criar uma obra prima, mas que na primeira oportunidade já queriam tirar a roupa. São tantos, mas tantos que não dá pra contar com os dedos (Nem falar de todos eles aqui.).
     Alem disso, existem os que chamarei de “Príncipes Amaldiçoados”. Parece um nome sério, né... Mas é minha maneira de dizer de príncipes que mascaram seus defeitos e aproveitam suas qualidades para tirar vantagens dos outros. Príncipes assim também existiram nos contos de fada, só parar pra pensar. Na vida real temos lotes e lotes deles. Acho que os que mais conheci foram os que tentam se aproximas dos inteligentes e usufruir de seu dom, os ludibriando com seus talentos como beleza ou outros. Mas ainda existem os oportunista, os golpistas, os infiéis, os colecionadores (Palavra que aqui se refere aos que gostam de ficar com gente de todo tipo o tempo todo, como quem monta uma coleção.). 
     A Bela Adormecida, conto que li ainda criança, falava de 13 fadas. Acho que isso ainda se aplica aos dias de hoje. Todos nós temos um encantamento concedido por uma das doze fadas que receberam convite, e outros tem uma maldição rogada pela esquecida e ignorada fada marrom. Isso faz de todos nós príncipes, que por sermos humanos, temos defeitos incalculavelmente complicados. Mas um dia você (ou ele/ela) acorda com um beijo e ai não dá mais pra mudar muita coisa. Ainda acho que o truque é escolher uma boa torre, um bom dragão guarda e tomar sonífero até o príncipe encantado chegar. (Embora eu esteja cogitando trocar o dragão por um dinossauro, que é muito mais legal!)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Barco

        Como uma mulher ateniense à beira-mar, acenei para a partida de cada um dos meus amados, sabendo que não voltariam. Hoje, os ventos já me trouxeram noticias de que eles estão léguas a norte e a leste daqui, muito longe até para que minhas lembranças sobrevivam à distancia. Já não me lembro mais bem como eram seus olhos, talvez um pouco mais dos verdes do que de outros... Ou daqueles cujas estrelas sem duvidas guiaram sua tripulação. Meus amados capitães. Entre eles nenhum naufrago (Talvez um ou outro à deriva no tempestuoso e confuso Mar do Caribe.). Mas sempre esperei no cais, pronto a receber novas embarcações. Agora, vejo o meu amor zarpar sem uma embarcação. O amor deixou seu barco no cais, e de nada adianta um barco parado, sem seu capitão... Afundemos o navio? Aguardemos a chegada de um novo capitão? Ou então esquecemos este barco e esperamos uma nova esquadra passar pelo porto e deixar aqui uma de suas destemidas embarcações? Talvez eu não deva responder isso, assim como a mulher de longo vestido esvoaçante que contempla o mar a procura de uma embarcação nada pode fazer para que os barcos atraquem no cais.