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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Dos bons malefícios de estar apaixonado


     É bom poder chorar por alguém, por mais que o choro seja triste e frio. É bom poder sentir a dor de possivelmente perder alguém antes mesmo que isso aconteça, nesse processo no qual o que era comum ou dispensável se tornar uma necessidade diária. É bom se sentir sozinho durante a noite por lembrar que tem alguém em algum lugar no mundo que teria o dom de te fazer feliz com um único beijo de boa noite. É bom ter um sorriso que se tornou tão importante a ponto de valer mais que o de qualquer outro. É bom poder abrir a mesma foto parada na sua área de trabalho e perder duas horas arquitetando planos de um futuro hipotético e improvável juntos, ou ainda imaginando coisas bestas de livros ou desenhos que não tem nada haver com suas obrigações. É bom esperar por alguém num banco qualquer de um lugar deserto e ter medo de que no momento que for embora a pessoa irá aparecer e se sentir triste por você ter ido. É bom poder fechar os olhos em cada abraço dado e fechar os olhos para gravar na sua mente cada detalhe do momento, como cheiro da pessoa e como o seu coração se debatia contra o peito, só pra depois ficar deitado na cama olhando o teto e desejando que aquele instante fosse eterno.
     Ruim mesmo seria não ter com quem sonhar quando deita sozinho a noite... Isso seria muito triste... Obrigado.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Preconceitos Estéticos

     Todos nós temos preconceitos estéticos. Falso é quem diz que não os têm. Somos treinados desde novos a reconhecer o belo e o não belo, e tratamos instintivamente as duas coisas de maneiras diferentes. Já é verdade absoluta, por exemplo, de que comidas bonitas recebem melhores avaliações de sabor que comidas feias. Ou ainda, sabemos que flores vendem mais que folhas. Não estou dizendo que não existem exceções, pois elas existem e são muitas. Porem estou enfatizando o fato de que mesmo que lutemos contra, sempre teremos preconceitos estéticos por que estes são fatos inclusive evolutivos.
     Vivemos num mundo de imagens. Nossa comunicação escrita está cada vez mais sendo trocada pela comunicação visual. As antigas provas de português discursivas com textos de duas páginas agora cedem lugar para questões fechadas onde a leitura de mundo e avaliada não só com texto, mas também com um quadro ou uma charge. Sendo assim, não era de se esperar que os valores estéticos diminuíssem. Muito pelo contrario. A dita geração saúde, aquela depois da “geração Coca-Cola”, acabou se tornando a “geração fitness”. Não estamos falando de ingerir alimentos orgânicos ou estar em dia com o seu sistema cardiovascular. Esta geração dita saldável bate cada vez mais os recordes dos hospitais quanto ao que diz respeito a intoxicação, overdose de remédios, rompimentos e lesões provenientes de esforço excessivo... A pouco tempo atrás, esse ultimo só ocorria com pedreiros e trabalhadores do campo.
     Mas a apelação em prol da estética não é nova. No inicio do século passado ainda se usavam diversas toxinas perigosíssimas como recursos estéticos. (Não me refiro aqui à toxina botulínica, que recentemente se tornou uma febre. Falo sobre antigas toxinas, em sua maioria extraídas de vegetais, usadas para dar a cor escura das sombras que temos hoje ou ainda vasodilatadores para os lábios.) Além disso, conhecemos bem outros casos estramos, como o crânio deformados das mulheres no antigo Egito, o pescoço alongado das mulheres-girafa ou os pés deformados por sapatos minúsculos de porcelana dos antigos impérios orientais. Digo tudo isso apenas para reiterar o fato de que a busca extrema por uma estética perfeita não é uma novidade, e sim é uma característica inerente das civilizações humanas.
     Vou me abster um pouco de falar aqui tudo que poderia sobre a reflexividade que a mídia oferece à padrões estéticos não convencionais, até por que estes padrões mudam e felizmente algumas empresas conscientes lutam fortemente para quebrar alguns tabus. Prefiro falar aqui dos nossos preconceitos, os que temos enraizados culturalmente em nossos cérebros. Um belo exemplo: Eu nasci em uma família típica de Minas Gerais. Grandes almoços em família eram um dos afazeres clássicos do fim de semana e uma das minhas mais doces lembranças do mesmo era minha avó no fogão a lenha cozinhando. Minha mãe também cozinhava divinamente e sempre fazia questão de por meu prato quando eu era pequeno e perguntar sobre minha vida com todo o carinho que manda o gabarito. Com isso, acabei relacionando a ideia de meiguice e carinho a pessoas mais gordas. Nunca achei que pessoas magras não podiam ser carinhosas, mas sempre que via uma pessoa gordinha pensava “Essa pessoa deve ser legal!”. A maioria das vezes eu acertei, talvez até por uma predileção minha a achar algo e não pela pessoa o ser. Outro dos meus preconceitos estéticos está na dificuldade de conversar com pessoas mais bonitas que eu. Aqui acho que o fato de eu ter levado muitos tocos de pessoas lindas ao longo da minha vida me faz relacionar o fato de que a pessoa é bonita com o fato dela me rejeitar. E é triste, por que as vezes conheço pessoas maravilhosas e lindas e simplesmente não consigo falar por conta de um medo bobo e infundado.
     Outro fato curiosos é que a maioria das pessoas tem tanto medo da rejeição estética que acabam por misturar a imagem do que querem ser da de com quem querem estar. Com isso, acabam se formando coisas que chamo de “castas estéticas”. Explico: Pessoas com padrões estéticos parecidos que só namoram ou saem com pessoas dentro do mesmo padrão estético, que juntas formam um conjunto fechado. O mais fascinante disso é que se pensarmos em uma cidade mediana como a minha, dentro de pouco tempo você varreu boa parte das possibilidades dentro de uma casta estética, e.g., ainda outro dia estava dentro do cinema e vi dois ex-namorados de uma mesmo amigo meu juntos. Não é mais raro ver situações como essa. A quem diga que a solução moderna para a felicidade é a clonagem. Bem, eu sou destes que discorda. Que prefere pessoas esteticamente diferentes do que eu sou. É uma questão de gosto, o que torna tudo completamente pessoal.
     Porem, apesar de eu defender o fato de que os preconceitos estéticos são naturais, me pergunto como é difícil lidar com eles. Imagine uma pessoa que cresceu num meio completamente exótico, sei lá, como hippies. Depois de uma certa idade, quando as pessoas começam a se interessar por você, elas serão de todos os tipos! Você pode ter criado tantos preconceitos ao longo deste tempo vivendo em uma bolha estética tão limitada... E não me refiro aqui à predileções, por que essas são mais naturais ainda! Sentir atração por pessoas com uma dada característica é normal e saldável. O problema está quando nos negamos a possibilidade de gostar de alguém só porque você é branco e ela é negra, ou porque você é forte e ele é gordo, ou porque você tem umas tattoos e ela não tem nenhuma... Começamos a ter que repensar nossas opiniões quando elas nos limitam ou fazem com que limitemos o próximo. O quão longe será que nossos preconceitos estéticos vão nos levar (ou nos impedir de ir)?



"Um Alastus que não teria sofrido tanto..."
Por João Paulo Alastus

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Astrônomo e o Nevoeiro

Antes

     Houve uma época na qual o Grande Reino se encobriu em Névoa. Névoa tão densa que os Cavaleiros do Rei andavam com os cavalos amarrados uns aos outros, para que não se perdessem. Os Comerciantes, com medo de alvo de saqueadores, fecharam as portas e as janelas dos armazéns. Poucos eram os que se arriscavam a sair de suas cabanas, pois o mundo fora delas próprias havia se tornado um mundo de desconhecidos e de frio cortante.
     Eu, antes do Grande Nevoeiro se instalar, era um Contemplador Real, titulo dado pelo próprio rei aos que ele julga sábios da arte da contemplação do belo. Era conhecido por todo o reino por saber a posição de cada estrela do céu em cada lua do ano e por saber só de olhar quais as maçãs prontas para a colheita e as que ainda deviam esperar. Lia, na mão dos aldeões o futuro de seus filhos e dos filhos deles sem errar nem uma linha... Mas isso foi antes do Grande Nevoeiro.
     Depois dele, pouco sabia de todas essas coisas. Na verdade, ainda poderia apontar no céu e dizer que lá estava uma bela estrela e dizer que as maçãs estavam maduras, mas não podia mais Contemplar nenhuma dessas coisas. Existe uma sutileza entre o Contemplar e o afirmar. Afirmar, sem Contemplar, é simplesmente ter esperança. Sendo assim, passei de Contemplador Real a um simples Semeador de Esperanças.
     Vagava pela névoa e pegava na mão dos Aldeões que por mim passavam. Vendo suas mãos sujas de tatear o chão procurando caminho na Névoa, eu ainda podia dizer de seus filhos e dos filhos de seus filhos, e assim fazer com que cressem que a névoa era um estado passageiro. Apesar de não ser a profissão que eu tinha escolhido pra mim, eu era um Semeador de Esperanças feliz.


Durante

     Numa dessas minhas caminhadas, encontrei um jovem rapaz. Ele estava sentado na grama molhada e olhava pro alto, pro distante. Aproximei-me dele para tentar ver o que ele observava tão atentamente, mas eu só via Névoa. Ele parecia tão solitário mas ao mesmo tempo tão seguro do que fazia que em instantes me convenci de que esse rapaz não precisava de um Semeador de Esperanças, e segui meu caminho.
     Passei pelo mesmo lugar algumas vezes e vi que ele sempre estava lá, olhando pro alto na Névoa... Isso começou a me instigar. De certa forma, esse rapaz me lembrava eu mesmo no meu tempo de Contemplador, e isso me fazia reviver boas lembranças da profissão que já não mais restava em mim.
     Certa noite eu perguntei “Olá, sou o Semeador de Esperanças Real. Quem és tu?”. Não houve resposta por alguns instantes, até que ele balançou a cabeça, como quem desvia o foco de algo importante, e respondeu “Sou um Astrônomo. Desculpe, estou trabalhando.”. “Trabalhando?”, me perguntei. Astrônomos precisam ver o céu pra trabalhar, e eu só via Névoa. Mesmo assim deixei o suposto astrônomo, que se dizia tão ocupado, cuidar do seu céu de névoa.
     Dias depois ainda estava ele lá. Me aproximei indignado. “Ainda a ver estrelas, Astrônomo real?”. E a resposta veio na forma de um rápido e eficaz “Sim.”. Falei, “Bem, será que não terias um momento para um Semeador de Esperanças? Talvez possa te ajudar em algo.”. O Astrônomo mal esboçou reação, apenas Estendeu a Mão para mim. 
     Em suas mãos, as linhas cruzadas me disseram que ele era rei de seu próprio reino e que tal reino era terra que só ele poderia plantar. As linhas disseram que eu nada eu poderia fazer pra ajudar, por que não havia Bom Fruto que eu pudesse Semear que lá já existisse com abundancia. Pela primeira vez, peguei na mão de alguém que não precisava de um Semeador de Esperanças.
     Largando sua mão, tirei um pote do meu bolso e pequei uma pequena semente dentro. Disse “Tome, bom Astrônomo Real. Não posso Semear nada que já não tenhas consigo. Te dou das minhas próprias sementes, um único grão é tão doce que pode matar a fome se quiseres. Mas os mais doces grão vem se quiseres o cultivar no solo onde só tu podes plantar.”. O jovem Astrônomo sorriu sem tirar os olhos do seu céu e disse “Obrigado.”, colocando a semente que eu havia lhe dado em seu bolso.
     Semanas depois, passo na mesma grama em meio ao Grande Nevoeiro, e ouço a voz do Astrônomo dizendo “Sente-se comigo, Semeador de Esperanças. Vamos olhar as estrelas.”. Ainda que incrédulo, sentei ao seu lado. Olhando para o alto, mesmo só vendo Névoa eu ainda sabia a posição de cada estrela do céu. Mesmo que por trás do véu branco. “O que vês no céu, Astrônomo Real? Quais estrelas estais a estudar?” Indaguei curioso. E ele disse “Vês a grande estrela rosada que quase toca o topo do céu hoje? É ela que estou a estudar.”. Eu sabia que tal estrela não estava lá, nem antes nem depois da névoa, mas mesmo assim ele olhava reto na tal direção.
     Curioso, perguntei: “O que mais vês no céu, Astrônomo do Rei? Conte para que eu também possa conhecer teu céu.”. Peguei no meu bolso meu velho caderno de Contemplador e me propus a tomar nota. Nos próximos dias, tudo o que fiz foi catalogar o céu do Astrônomo Real. Não demorou muito para que eu soubesse de cor a posição de cada estrela da qual ele falava, mesmo por trás da Névoa. E não demorou para que eu começasse a troca-las pelas minhas antigas estrelas. Quando desenhava um mapa, via que nele eu colocava estrelas que não eram minhas. Como se o céu que eu agora conhecia fosse fruto de uma fusão. Não mais conhecia o céu por trás do Nevoeiro com meus olhos, e sim com um meu e um do Astrônomo Real.


Após

     Não foi só o céu do Astrônomo Real que mudou meu céu. Sua presença em meio a Névoa havia se tornado uma das únicas que eu de fato notava. Andava pelas ruas e, se algum Aldeão o pedisse, fazia vagas previsões sobre o por vir e Semeava a Esperança de uma maneira fraca, sem muito valor de fato. Dava apenas a quantidade necessária para a não desistência.
     Além disso, notei o quanto a ausência do Astrônomo Real me abalava. Nas tardes mais claras, quando o Grande Nevoeiro se fazia mais branco que cinza, não o encontrava no gramado de sempre. Por vezes, ele só regressaria na noite seguinte, com um sorriso de canto e com a frase de sempre: “Dias claros não são para os Astrônomos, caro Semeador de Esperanças.”. Na verdade, por vezes eu fiquei apenas sentado na grama e olhando para o auto, vendo o branco da Névoa com os olhos, mas o céu do Astrônomo em meus pensamentos... Não me incomodava o fato de que ele não viesse, apenas pensava no quanto seria bom estar em sua companhia.
     Fui tomando consciência de que tinha passado de um Contemplador arruinado para um Semeador que não semeava mais, apenas contemplava. E o que eu contemplava era a chave de tudo. Eu era agora o Contemplador Real do Astrônomo Real. Fiz desse passatempo uma tarefa e aos poucos tornei essa tarefa um ofício. Mas não era tão bom ter mudado assim...
     Como Semeador, deixei a desejar. Ao longo dos últimos tempos tinha tido uma única semente. Semente essa que nunca havia visto semelhante, nem em meus tempos de Contemplador Real. Porem, não sei mais onde essa semente está... Na verdade, sei pra quem a dei, mas um Semeador também deve dar terra, dar água e dar proteção, e não só entregar a semente. Um Semeador não é um bom Semeador se não obtêm os frutos de sua semente.
     Mas porque não vi os frutos? Por que se quer eu os semeei! Não Preparei o Solo, não Dei Água, não Cuidei... Se não houvesse tanta Névoa, talvez o Rei já tivesse me destituído do meu cargo por inabilidade. E seria justo.
     Meu maior erro foi Contemplar quando na verdade deveria ter aceitado meu ofício de Semeador. Meu maior pecado foi me deixar Fascinar, e com isso deixar de ser o que era para me tornar o que eu almejava ser... Deixar de viver a minha vida para viver a vida que eu queria viver...

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Lamentavelmente Mudei

     Um dia eu percebi que não mais me apaixonava... Apenas gostava...
     Quando notei o que tinha ocorrido, mal pude acreditar. Não sabia como eu, ao longo de cada um destes anos, me tornei assim. Sabia, porem, que não voltaria a ser como era. Olhei no espelho e me perguntei como pude, me perguntei o porquê... Mas não sabia... Eu tinha perdido o que eu julgava mais nobre em mim e agora eu era comum, mais uma alma perdida...
     Quis chorar, mas parece que até este dom me foi roubado. Todas as lagrimas que já avia derramado agora estavam secas. Talvez já tivessem sido até bebidas após choverem, talvez tenham ajudado a muito mais pessoas do que a mim... Quando precisei das preciosas gotas de tristeza para acalantar a morte do meu próprio coração, notei que já tinha as dado para outros que delas mal fizeram uso... Outros corações que já jaziam sub a mesma lápide onde hoje o meu repousa...
     Olhava para os belos rostos e sorrisos ao meu redor e todos me eram iguais. Quando um se aproximava, meu cérebro dizia simplesmente “gosto”, “agrado”, “admiro”... O outros termos que eu outrora usava simplesmente sumiram... Não mais existia um alguém que me fazia rir ou chorar, no máximo eles me arrancavam sorrisos empáticos e sem mais a doce e valiosa inocência que eu já não mais tinha...
     O que será que ocorreu a ela... Terá morrido de tédio ou se afogado em sua própria melancólica existência? Talvez ela me tenha sido roubada por cada um dos que de mim se aproximaram e criaram em mim vazias e dolorosas esperanças... Mas quando penso neles, não tenho forças para culpá-los pelo furto de nada, quanto menos da minha inocência, do meu antigo espírito de apaixonado.
     Talvez não seja um caso de morte, mas sim um sequestro... Parece que não mais sei chorar por minha própria dor e me apaixonar por outros, mas ainda choro por cada um destes que por mim passaram. Ainda sinto o mesmo calor no peito por eles que não sinto por mais ninguém...
     Será que eles tomaram partes de mim pra si? Será que o que eles têm não pode ser devolvido? Eu preciso disso! Preciso amar novamente, assim como eu os amei um dia! Minha alma clama pela doce ilusão de estar apaixonado assim como o injustiçado clama por justiça... Dizem ainda que mesmo a mais seca das minas pode dar ouro a um habilidoso mineiro. Será que, caso meu eu roubado por tantos não tenha retorno, ainda terei algum resquício de inocência para oferecer?

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Negociação

     E se de amar eu sorrisse o mais puro dos sorrisos? E amasse tão belo quanto a mais bela das flores e chorasse um choro tão límpido que desce inveja ao grande lar das sereias? Será que assim me amaria?
     E se eu compusesse um hino impar à sua beleza? E se louvasse seus olhos como os que louvavam aos deuses do passado o faziam e erguesse um monumento de jaspe em seu nome? Será que nem assim me amaria?
     E se eu espalhasse aos quatro ventos poemas de amor? E se desenhasse cada parte do seu corpo de uma vez e por fim um grande retrato seu fosse formado, recobrindo todo o céu? Ainda assim, será que não me amaria?
     Se eu mudasse a língua do mundo para sua favorita? Se eu comprasse seu restaurante predileto ou ainda pagasse um show daquele cantor que embalava cada um de seus sonhos? Mesmo assim, não mereceria que me amasse?
     Se eu me lançasse longe de quem eu sou? Se eu deixasse meu eu a deriva no mar mais distante, fazendo apenas o que te faz feliz, e ignorasse tudo o que eu sou para ser o que você queria? Ai de fato você não me amaria...
     Posso dar tudo em troca do seu amor, e daria... Mas se desse quem eu de fato sou... Quem você estaria amando?

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Sentimentalismo Quântico

     Desde que os cientistas do inicio do século passado resolveram enfiar de vez esta coisa de relatividade e teoria quântica na física, dissemos adeus a tudo que julgávamos determinísticos na única ciência exata que se propunha a descrever o futuro antes que o mesmo ocorresse. O pior talvez seja saber que esta não foi uma escolha: O mundo não é, de forma alguma, determinístico. Porem, ainda sabemos que uma dada condição inicial nos garante a total improbabilidade de uma série de respostas (Pelo menos pelo que já conhecemos.). Podemos traçar um espaço de respostas possíveis e descartar outras tantas. O difícil é entender quais são estas. Em mecânica quântica, este é um problema chamado de “Problema de Auto-Valores”, onde temos “só” que achar as soluções de uma equação (Dizendo assim, parece até que isso fosse simples.), a famosa Equação de Schrödinger.
     Se é assim, e é, o que então podemos tirar de previsão da natureza? Sabemos as coisas que podem acontecer com suas respectivas probabilidades. A pergunta então passa pro experimento: Será que a probabilidade realmente se verifica?  Até agora, poucas teorias foram tão certas quanto a Teoria Quântica.
Vamos agora mudar de foco um pouco: Quando conhecemos uma pessoa nova, alguém em potencial, estamos nos deparando com um complicado problema de previsão. A pessoa pode ser tomada como uma condição inicial do problema. Já nós? Somos como condições de contorno (Termo que usamos em física e matemática para coisas que restringem os objetos procurados, como as bordas de uma caixa.). O que nos resta agora é tentar averiguar a solubilidade do problema. Vejam bem, não existe uma equação mágica que nos permita ver a possibilidade de compatibilidade entre pessoas. Mas quero enxergar isso de uma maneira mais próxima.
      A Equação de Schrödinger é um caso particular de uma equação do tipo H(f(x)) = E.f(x). Vamos escrever esta equação de um jeito menos matemático: “Eu faço a pergunta H para a f(x), em seguida, obtenho a resposta E da f(x).” Então, podemos pegar nosso problema e escrever ele desta forma, não é? A pergunta H pode ser, por exemplo, “Você gosta de mim?”. Teremos dois valores possíveis, ou E=“Sim.” ou E=”Não.” (Vamos desconsiderar os casos extremamente mais complicados. Geralmente eles só aparecem em Mecânica Quântica quando a pergunta H não é bem feita.). 
      O problema, como já disse, é que aqui as coisas não são matemáticas. Por isso, não podemos de vez calcular a probabilidade de cada uma das respostas. Aqui, os únicos cálculos válidos são a intuição e o bom senso. Meu professor de física matemática me disse uma vez que “Nossa intuição só nos manda dormir e comer doces.”, sendo assim, não julgo que se deva confiar muito nela pra tirar qualquer conclusão. Já o bom senso sozinho não da conta de fazer todas as previsões.
      Em física experimental, quando chegamos neste impasse, geralmente montamos o experimento e vemos no que vai dar. Mas lá podemos fazer o experimento um milhão de vezes para poder fazer estatística e achar as probabilidades. No nosso experimento mental aqui não temos este luxo. Faremos o experimento uma vez, e nenhuma outra. Os riscos existem, mas um bom cientista sempre tenta usar o bom senso primeiro e a coragem logo em seguida. 
      Recentemente procuramos variáveis escondidas que nos ajudassem a poder dizer que o mundo era determinístico, mas a procura acabou num fracasso total, e ainda negando a possibilidade de que tais coisas existam. Devemos nos contentar com o fato de que Schrödinger foi uma boa cartomante pra elétrons, mais ainda temos sérios problemas pra prever o futuro dos humanos.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Encantados, mas Imperfeitos

     Já falei aqui mesmo que príncipes encantados não existem. Pois bem, vim aqui reformular isso: O que tenho visto por ai são príncipes sim, mas cada um com o seu defeito particular. Mas isso é obvio, não é? Desde criança, nos empurraram histórias de príncipes que tinham seus problemas pessoais. Tinha um que se aproveitava de mulheres enquanto elas dormiam, outro com seria queda por garotas mortas em bosques. Tinha um que nunca viu uma gilete na vida e roncava feito um cão (Este era o favorito da minha mãe.) e outro era de um país diferente, que queria dominar e escravizar o seu povo... Cada um com os seus problemas, cada problema pior que o outro. Acho que no fundo o nosso erro não está em acreditar que o príncipe encantado existe, está em pressupor que ele é perfeito.
     Recentemente conheci alguns príncipes encantados, dentre os muitos que conheci em toda a minha vida. Um melhores, outros piores. Tem um com excelente gosto musical e com um sorriso lindo como o de uma criança, alem do incrível dom pra fotografia, mas que não fala muito e nunca continuou um assunto que eu tente puxar. Outro ainda que é um artista nato e sonha tão alto na vida que do alto dos seus sonhos pode acenar para monges tibetanos meditando, porem é do tipo que prefere estar sozinho (E o deve, se quer mesmo atingir suas metas.). Conheci outros ainda que eram cascas lindas, do tipo que valeria a pena parar olhando e desenhar cada detalhe da expressão pra criar uma obra prima, mas que na primeira oportunidade já queriam tirar a roupa. São tantos, mas tantos que não dá pra contar com os dedos (Nem falar de todos eles aqui.).
     Alem disso, existem os que chamarei de “Príncipes Amaldiçoados”. Parece um nome sério, né... Mas é minha maneira de dizer de príncipes que mascaram seus defeitos e aproveitam suas qualidades para tirar vantagens dos outros. Príncipes assim também existiram nos contos de fada, só parar pra pensar. Na vida real temos lotes e lotes deles. Acho que os que mais conheci foram os que tentam se aproximas dos inteligentes e usufruir de seu dom, os ludibriando com seus talentos como beleza ou outros. Mas ainda existem os oportunista, os golpistas, os infiéis, os colecionadores (Palavra que aqui se refere aos que gostam de ficar com gente de todo tipo o tempo todo, como quem monta uma coleção.). 
     A Bela Adormecida, conto que li ainda criança, falava de 13 fadas. Acho que isso ainda se aplica aos dias de hoje. Todos nós temos um encantamento concedido por uma das doze fadas que receberam convite, e outros tem uma maldição rogada pela esquecida e ignorada fada marrom. Isso faz de todos nós príncipes, que por sermos humanos, temos defeitos incalculavelmente complicados. Mas um dia você (ou ele/ela) acorda com um beijo e ai não dá mais pra mudar muita coisa. Ainda acho que o truque é escolher uma boa torre, um bom dragão guarda e tomar sonífero até o príncipe encantado chegar. (Embora eu esteja cogitando trocar o dragão por um dinossauro, que é muito mais legal!)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Barco

        Como uma mulher ateniense à beira-mar, acenei para a partida de cada um dos meus amados, sabendo que não voltariam. Hoje, os ventos já me trouxeram noticias de que eles estão léguas a norte e a leste daqui, muito longe até para que minhas lembranças sobrevivam à distancia. Já não me lembro mais bem como eram seus olhos, talvez um pouco mais dos verdes do que de outros... Ou daqueles cujas estrelas sem duvidas guiaram sua tripulação. Meus amados capitães. Entre eles nenhum naufrago (Talvez um ou outro à deriva no tempestuoso e confuso Mar do Caribe.). Mas sempre esperei no cais, pronto a receber novas embarcações. Agora, vejo o meu amor zarpar sem uma embarcação. O amor deixou seu barco no cais, e de nada adianta um barco parado, sem seu capitão... Afundemos o navio? Aguardemos a chegada de um novo capitão? Ou então esquecemos este barco e esperamos uma nova esquadra passar pelo porto e deixar aqui uma de suas destemidas embarcações? Talvez eu não deva responder isso, assim como a mulher de longo vestido esvoaçante que contempla o mar a procura de uma embarcação nada pode fazer para que os barcos atraquem no cais.

domingo, 23 de junho de 2013

Pouco Mudei

Pouco mudou neste começo de estação
O céu ainda está rosa a noite, sempre faz frio
E eu ainda me deito na minha cama sozinho
Ainda pego o meu celular como sempre fazia
E ainda tento mandar as mesmas mensagens
Para a mesma pessoa que há anos que mando

Minha barba maior só disfarçou minha idade
Ainda sou jovem demais para ser creditado
Jovem demais para ser tratado com respeito
Jovem demais para conquistar quem eu amo
Ainda falta a experiência adquirida com os anos
Que meu sofrido coração ainda não assimilou

Ainda estudo as teorias que eu sempre estudei
Números demais aplicados a problemas insolúveis
Ainda teorizo sobre as mesmas idéias que tinha
Enquanto coloco minha cabeça da forma desejada
Mesmo não podendo mais fazer os mesmos traços
Por que esqueci o meu compasso numa estrela

Ainda olho pro céu a noite procurando planetas
E os focalizo com a mesma lente ocular embaçada
Ainda troco o garfo pelo fouet sem necessidade
E pico os meus legumes com tesoura, não com faca
Ainda ouço as mesmas musicas quando triste
E as cantoras sempre me lembram de quem amo

Ainda amo as mesmas pessoas que antes
Ainda sou consolado pelos mesmos amigos
Ainda choro pelas mesmas causas inúteis
E pelas mesmas coisas que não acontecerão
Ainda me apaixono em apenas um piscar de olhos
E me deixo iludir pelos mesmos velhos truques

Posso dizer que ainda sou meu mesmo em fim
Cresci muito pouco de uns tempos pra cá
Ainda tenho os mesmos olhos caídos de antes
E ainda choro por dentro quase todo o tempo
Mesmo negando sempre que me perguntam
Por amor aqueles poucos que me consideram

E ainda tenho um velho livro para escrever...

domingo, 2 de junho de 2013

Algumas Desculpas e Agradecimentos

     Às vezes, fazemos burradas tão grandes que nada pode apagar. E isso não é tão incomum quanto pode parecer. Você que está lendo este texto com certeza já deve ter deixado de estudar para uma prova insubstituível, não é? Deve ter uma ou duas, se não dezenas, de cicatrizes que vieram de pequenos deslizes incorrigíveis. Bem, isso não é de tudo ruim! Podemos aprender muito com esse tipo de erro. Só quando passamos por coisas assim, sabemos realmente o peso de nossas ações.
     Hoje escrevo para pedir desculpas por um dos meus maiores erros incorrigíveis. Este em particular deve ser o pior erro que uma pessoa pode cometer: Amar. Não! Amar por si só não é um erro. Mas o amor, se adquirido em um momento inadequado, pode desencadear uma série de eventos indesejáveis... Este momento inoportuno aqui é muito bem representado por um amor não correspondido por um amigo. Sério, se nunca fez isso, agradeça aos seus deuses todos os dias! É horrível! A gente chora, a pessoa que amamos chora, as pessoas que nos amam choram...  Simplesmente, este é sim um erro incorrigível.
     Quando digo incorrigível é por que é amor. Se fosse qualquer outra coisa (Como paixonite, tesão, fogo, etc...), um pouco de vinho, tempo, chocolate e sono já tava de bom tamanho pra esquecer. Com o amor o buraco é mais embaixo. A gente fica o resto da vida preso à pessoa, preocupado com ela, como se de alguma forma fossemos responsáveis por tudo de ruim que acontecer a ela, pelo simples fato de não estarmos lá para protegê-la. Podem se passar anos, mas toda a vez que você ver a pessoa, vai sentir a mesma vontade de ir até ela e abraçá-la apertado, como se nunca fosse soltar. E toda vez que abraçá-la, seu cérebro vai parar o tempo por alguns instantes e registrar cada décimo de segundo com detalhes que só você poderia perceber.
     Então, este meu deslize aconteceu a um bom tempo. Hoje, ainda sinto esta vontade de estar perto e de ajudar essa pessoa em tudo que ela precisar... Porem depois de tanto correr atrás dele, acho que a assustei... Talvez por que ela notasse que não ia ter cura... Talvez por que ela chorasse toda vez que eu falava no que sentia... Mas são só palpites... O fato é que, agora, toda a linda amizade que tínhamos virou um singelo aceno de longe nos corredores da universidade. Culpa? Unicamente minha por ter tentado algo impossível tantas vezes.
     Mas neste texto queria parar um pouco para dar a devida atenção para algumas pessoas. Existiram anjos na minha vida que eu nunca terei como retribuir cada favor que me fizeram. Eles enxugaram as minhas lagrimas sempre que chorei... Ouviram, e ainda ouvem, minhas lamentações estúpidas e recaídas infantis. Eles me deram água quando mal conseguia respirar, me abraçaram e me levaram pra casa quase rastejando. Estes amigos passaram as piores tribulações ao meu lado e sempre tiveram fé na minha felicidade futura, mesmo quando nem eu mesmo mais acreditava. (De um deles eu até roubei um beijo uma vez, pensando na pessoa que amo.) Sem estes meus escudeiros, mal teria chegado até hoje sem estar pelo menos mil vezes mais gordo ou fumando horrores... Eles me deram força pra continuar minha vida, mesmo depois de todas as minhas falhas (Às vezes falhas com eles mesmos...).
     Quero fechar este texto agora reiterando minha eterna divida com estes meus anjos da guarda... Qualquer coisa que eu possa fazer por eles será um eterno prazer, e sem dúvida bem menos do que eles merecem. Quero também pedir a todos, mais uma vez, pela minha humanidade limitada, pela minha mania de fazer o certo e por ser franco demais quando não deveria. Espero poder estar com vocês, pelo menos, o resto de nossas vidas.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

E se fosse diferente?

Se o garoto me amasse, seria diferente
Ele estaria aqui agora me consolando
Teria feito uma guerra quando parti
Não teria deixado chegar onde chegou
Não teria dormido quando eu falava
Não ficaria triste pelo meu atraso
Mas não sorriria tanto quando presenteado
Por que se ele me amasse como amei
Não teria por que ter presa na eternidade

Se meu amigo tivesse se apaixonado
Eu, que já o estava, estaria completo
Se ele tivesse me beijado quando pode
Se ao menos tivesse ariscado tentar
Teríamos sido felizes, mesmo que breves
E eu não teria chorado no meio de nossos amigos
Nem teria me entregado a algo novo pra esquecer
Nunca iria desistir de tê-lo ao meu lado
Mas temo que mesmo depois do que chorei
E de toda a dor que senti ao te ver com outro
Ainda não sei se desisti de te ter comigo
Como meu mais eterno e puro amor

Se aquele outro garoto não tivesse sumido
E me deixado achá-lo na cama com outro
Depois de quarenta dias sem atender o celular
Ou se ainda aquele outro se importasse comigo
Ao invés de pensar no que eu tinha a oferecer
Como um professor particular carente e comprável
E se não tivesse estragado nossa única formatura
E não tivesse me dado três meses de depressão
E não tivesse me mandado uma foto sem roupa
Que eu acho que foi só de provocação
Ou se ainda aquele outro não tivesse me agarrado
E me feito perceber o quanto gostava dele
Só pra me humilhar em publico na escola
Por que eu sabia mais química que a professora

E se eu não tivesse esta mania estúpida
De me deixar apaixonar por qualquer pessoa
Desde que demonstre um pouco de carinho
Se eu não fosse tão volátil e não chorasse tanto
Se não pensasse que o amor vale mesmo a pena
E desistisse de uma vez da minha esperança tola...
Será que, mesmo sem isso tudo que passei (e passo)
Será que mesmo assim ainda seria eu aqui?

Mas de fato creio que valeu a pena ter vivido
E chorado, e rido, e me entregado, e me vendido
E ter me apaixonado loucamente muitas vezes
Simplesmente pelo prazer de ser quem eu sou
E pela esperança (inocente) de que o pior já passou

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Me pergunto...


Quem vai te acordar as sete
quando perder a hora de acordar
e que vai ter posto a mesa
com café e a sua geleia favorita?
Quem vai te preparar uma sopa quente
quando você chegar gripado
depois de um dia de trabalho
naquele escritório gelado?
Quem vai pintar o nosso quarto
daquela cor que você adora
e te surpreender com um jantar romântico
só para comemorar?
Parece que não vou ser eu...

Quando vou poder fazer aquele crepe
com o molho de laranja e manteiga
que eu vou flambar no meio da sala
só pra te ver sorrir?
Quando eu vou te buscar na empresa
naquele nosso carro que você escolheu
e vou te levar para aquele restaurante
que serve uma mousse deliciosa?
Quando vou poder dançar com você
a principal valsa daquela festa
de comemoração de da passagem
que eu demorei anos para conquistar?
Quando vou poder te apresentar
para aqueles meus amigos tão estranhos
que você só olha de longe as vezes
e derreter minhas amigas com nossos beijos?
Parece que nunca vou poder...

Por quê?
Não sei...
Porque sim...
Porque eu não posso...
Porque você não quer...
Porque eu não dei sorte...
Porque eu não consegui...
Porque eu fracassei...
Porque me tornei obsoleto e falho
em minha principal tarefa
que é te fazer feliz...

sábado, 22 de setembro de 2012

Sétimo Selo - Os Votos


    Que neste novo ano que eu inicio, não mude lá muita coisa alem do primordial. Quero que a musica que eu ouço continue tendo o mesmo som, que venham as mesmas vozes e podem ser até as mesmas melodias, mas que os músicos continuem a tocar dia após dia. 
    Que meus amigos não se afaste, que eles tenham saúde e força pra poder mudar minha vida e poder me ajudar a tornar a deles melhor, que nossos laços se estreitem e que se tornem cada vez mais inquebráveis.
    Que minha velha tristeza e solidão venha sim, mas com moderação, apenas para cumprir sua cota nas emoções que tenho todos os dias. Que elas não me tirem muito o sono e que, como sempre, passem depois de uma noite bem dormida.
    Que a beleza do mundo sempre sorria para mim, para que eu sempre possa apreciá-la. Que eu não tema a beleza, nem como objetivo, nem como presente. E que ela não me impeça de tentar, de ousar ou de ter o que ela faz parecer inalcançável.
    Que eu veja mais e mais Deus no mundo, e não nos templos. Que Ele extrapole as portas das igrejas e os livros sagrados e atinja o coração das pessoas. Que Ele dissemine o seu amor e a sua paz, e que finde toda esta guerra que se faz em seu nome.
    Que meus sonhos sejam mais e mais sonhados e que possa ver alguns deles diante de mim. Que eu não desista dos sonhos só por que são complicados ou inacreditáveis. Que não passe uma noite sem que eu sonhe com as mais diversas alegrias.
    Que meus presentes de aniversario sejam beijos e abraços de pessoas que eu amo. Que eu possa fazer todos ao meu redor mais felizes do que eu. Que eu tenha o dom de colher este ano tudo que tenho semeado e que eu possa esperar em paz a chegada do próximo equinócio de primavera.


Auto retrato... Nada melhor para refletir sobre o novo do que olhar para si mesmo. Espero que o novo ano não passe de uma copia melhorada do anterior.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sexto Selo - A Canção


A lua brilha amarela em meio ao céu azulado que acaba de surgir
Apenas eu na clareira cercada de carvalhos e de musgo
Sentado sobre uma arvore caída, velha e oca,
Sussurro canções míticas que ouvi na minha infância
Sussurro as canções que ninam as ninfas dos bosques
Sussurro a canção que faz revoar a inerte coruja
A canção se espalha pelo ar, junto a brisa
Se perde no sereno que encobre as montanhas
E deve repousar na neve que tampa os seus cumes
Me acompanham na sombra elfos errantes
Que pararam sua caçada ao ouvir minha voz
E agora formam o coro da melodia serena
Nas arvores, as dríades embalam a melodia
Lançam seus olhos sobre as montanhas e guiam o vento
E este, ao passar entre as arvores ecoa
E se soma a esta simples e lírica canção

Todos juntos cantamos sem abalar a floresta
Porem esta se agita suave e calma
Como se os galhos dos carvalhos se rendessem
E aos poucos ondulassem com a melodia...
Os pios das corujas, o barulho do rio distante
Tudo se espalha com facilidade na noite
E o leve sussurrar da canção a isso se soma
Dando vida a terra e fazendo germinar as sementes
Fazendo com que a riqueza dos homens seja ínfima
Perante a grandiosidade da natureza...
Perante a gloria dos magos...
Perante a honra dos elfos...
Ou perante esta simples canção
Que se perde dentre os velhos carvalhos...







Sem duvida nenhuma melodia se encaixa tão bem na descrita no meu texto quanto o som do violino.
e sem duvidas a musica celta ajuda neste quesito. Este desenho é de uma grande amiga que dedica sua vida a estas duas coisas e por isso tem um lugar especial aqui. Exaltar os amantes da boa musica e os deuses que a fazem é parte do meu oficio.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Quinto Selo - A Amizade


    Na minha inocência sempre os julguei um achado, mas hoje os julgo uma conquista. Procurei, cultivei, refinei e curti cada uma das minhas amizades. As lapidei como se faz a uma pedra preciosa. As dobrei em fogo quente e gelo como se faz a uma espada. Sei que foi muito difícil fazê-las, mas algumas em especial parecem que são na verdade um presente, pois nosso trabalho é só tirar a poeira regularmente. Estes anos foram uma dádiva: encontrei quatro grupos de pessoas que eu simplesmente não poderia ter encontrado melhores. E é deles que quero falar hoje.
    O primeiro é sem duvida o mais presente no meu dia a dia, eles eu vou chamar aqui de Gentleman! Conheci cada integrante da Gentleman de uma maneira distinta, cada um ao seu tempo, mas todos formaram o que pra mim é um ninho acolhedor de felicidade e alegrias. Não concordamos em tudo, não trabalhamos na mesma coisa, mas sinto que somos como grandes irmãos!  Cada um deles ocupa um lugar relevante e incomparável no meu cotidiano e é peça fundamental do meu desenvolvimento como pessoa, seja como um cientista, ou como um artista ou até mesmo o desenvolvimento pessoal. A gentleman, antes de uma equipe, é minha escola.
    O segundo é uma família com quem já viajei, com quem já me mascarei, com quem já me travesti, com quem já toquei, cantei, pulei, chorei, sorri... Estes amigos que aqui chamarei de Cia. são em suma as pessoas mais perfeitas que eu poderia encontrar pra fazer o que fazemos de melhor, sermos nós mesmo ao sermos outras pessoas. Somos cúmplices de nossos pecados e de nossos votos, se nossos martírios e de nosso jubilo. Sorrimos para os mesmos rostos durante anos e por isso eu não sei se algum dia me desligarei deste outro lar que achei na Cia.. Acredito que a distância só testa a força dos laços que nos unem, e nos momentos de reencontro eles se mostram tão fortes como nunca.
    O terceiro grupo eu aqui vou chamar de “Núcleo”, não por ser o centro, mas por ser um apelido carinhoso que o dei. O Núcleo é um conjunto de amigos que caminham sobre as mesmas condições que eu! Temos a pele da mesma cor, olhamos o mundo pelas mesmas lentes e vemos que somos, entre nós, mais uma família. É com eles que posso falar de tudo que eu penso, posso exercitar o meu ser pessoal e posso por em voga a sinceridade absoluta e sem receio! É a eles que devo as minhas mais loucas alegrias, as minhas aventuras mais insanas e a minha espontaneidade de ser eu mesmo.
    O ultimo citado neste texto te inclui, caro leitos. Meu amigo de todos os dias, mesmo que eu nunca tenha te conhecido. “Meus amigos que ainda não conheci”. Vocês que estão ai nas suas casas e me mandam sempre sua atenção e carinho na forma de comentários legais, de uma foto bacana que me alegra numa noite triste. Você que tecla comigo quando eu to sozinho no meu quarto... Você sabe o quanto você é importante? Nossa, você não tem noção!!! Juro que se não fossem me chamar de lunático e ameaçar me internar, quando te visse pela rua, te daria o maior abraço de todos! É ótimo saber que sempre tem alguém ai do outro lado. Sei que as vezes eu posto Adele e MCR mil vezes por hora, que publico muita coisa emo no twitter, que faço desenhos de vocês sem avisar, que escrevo coisas que deveriam ter censura de dez mil anos... Mas peço infinitas desculpas se necessário!!! Vocês trouxeram pra minha vida uma nova definição de companheirismo e amizade. Alguns de vocês são tão insubstituíveis quanto cada uma das pessoas que vivem nos grupos que citei antes! Você minha companhia de todas as horas, é a melhor companhia que poderia ter aqui!!!
    Bem, a cada um de vocês que está nestes grupos, meus parabéns! Peço que na chegada da primavera, quando eu estiver mais velho, me dêem a honra de ter vocês como amigos mais um ano!




Dois belos desenhos que escolhi para ilustrar este texto. São dois magnânimos exemplos (como os outros modelos dos quais postei o desenho aqui no blog) de amigos incrivelmente perfeitos! O primeiro é integrante da "Gentleman" e o segundo é "Um Amigo que Nunca Conheci". Bem, se os conhecem, parabéns, pois eles são pessoas incríveis! Se eu te chamo de amigo, saiba, você merece tudo que eu for capaz de dar, por que você é a uma das coisas mais valiosas que tenho!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Quarto Selo - A Tristeza


Tristeza tem gosto de gelo
de bronze gélido e afiado
da voraz e amaldiçoada adaga
empunhada pelo tempo

Tristeza tem cheiro de medo
de quando o fim esta perto demais
de quem já não tem esperanças
se não a dada pelo próprio fim

Tristeza tem a textura do tecido
do meu travesseiro reserva
de abraças nas noites sem sono
quando nada mais resta a fazer

Tristeza tem a cor das águas
de lagrimas silenciosas e frias
de quem chora por não ter
menor fração do pouco que quer

Tristeza me soa como um sussurro
de uma velha contralto ingrata
de quem tive a companhia por anos
 e nunca me deu retribuição






Estes foram meus primeiros desenhos feitos em noites triste. Tenho muito a agradecer a estes modelos, pois desenhar me ajuda a me livrar de parte da tristeza, da solidão. Acho que as vezes podemos achar a solução da tristeza sendo apenas nós mesmos. Amigos podem ajudar também, mas pouco... A solução das coisas que nos ocorrem (e também a culpa de certo modo) sempre esta nas nossas mãos.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Terceiro Selo - A Beleza


    O que devemos chamar “belo”? Sempre me perguntei isso. Na verdade, acho que muito me perguntei por que as pessoas insistiam em falar que meu conceito de beleza é bem defasado da realidade. Não sou nada fibonacciano, muito menos um fã da perfeita simetria. Isso por si só já mata o que a maioria dos especialistas dizem sobre beleza. Podemos colocar da seguinte forma: Pra mim, o que é belo por si só se justifica. Não se tem um porquê, ser belo transcende as causas. O belo pode sim ser definido pelo sentimento que nos traz. Gosto de dizer isso em cores também. Este texto vai dedicado especialmente a um tipo de beleza, uma cor de beleza: A Beleza Vermelha.
    A grande maioria das pessoas vê beleza em algo que seja esteticamente sedutor. Um corpo bem treinado, condizente com a sexualidade e que involuntariamente intriga as pessoas. Este é a beleza que classifico como vermelha. Os de beleza vermelha são os que são notados, os que são invejados. Tendemos a achar que homens e mulheres de beleza vermelha são felizes e tem tudo que querem na mão. Não é uma verdade. Às vezes manter esta beleza é mais custoso que mantê-la. De sertã forma, tenho muita compaixão por estas pessoas. São vitimas de assedio, relacionamentos superficiais... Imagino como sofreria um romântico como eu tendo uma beleza vermelha. É difícil de entender se a pessoa gosta de você ou do seu corpo... Alem de ser alvo de criticas de pessoas invejosas... Não, de fato não me veria neste padrão estético. Adoro pessoas vermelhas por que elas se revelam incrivelmente mais profundas do que achamos que elas sejam, e adoro ser surpreendido ao conhecer pessoas que valem a pena!
    De fato, uma vez conheci um garoto que era muito bonito (inclusive se tornou um grande amigo meu). É o típico cara que ninguém deixava de olhar, sabem? Caras reconhecem a sua superioridade, mulheres cobiçam como um sapato de camurça e salto de marfim, evolução e do cravejado de rubis. Mas ai é que esta, ele não se sentia assim! Durante um bom tempo, devo confessar que achei que ele era gay, por que tantas mulheres o rodeavam e ele se quer notava. Acho que nos que não temos este padrão de beleza, temos este modo de pensar? Demorei muito a me acostumar com a idéia de que a beleza vermelha não era muita coisa. Acho que na adolescência nos estamos com o cérebro embebido em hormônios e agüentamos melhor esta farsa estética.  Hoje vejo, no exemplo deste cara algo muito valido. Ele estuda como eu, trabalha como eu, tem problemas de família, tem complicações financeiras... E te garanto também que as divas lindíssimas da televisão têm TPM, elas acordam descabeladas e com mal hálito. Somos todos seres humanos em iguais condições de sofrimento e alegria.
    Não quero com este texto desvalorizar a beleza vermelha, muito pelo contrario! Acho ela atraente, como todos. Mas quero deixar bem claro a todos que beleza não esta ligada a caráter, a inteligência, a nível de esforço para conseguir algo e nem a qualquer coisa se não à própria beleza. Se você é de beleza vermelha, meu parabéns! Reconheço a sua beleza! Pra mim você é uma obra de arte da natureza, de Deus, da evolução e do caos que rege este universo. Sei que não é fácil ser assim, assim como não é fácil ser eu. Quero dizer que te vejo como um irmão de condições. Quero que as pessoas vejam vocês alem de beleza estética, e que suas outras cores, suas verdadeiras cores, se sobressaíam juntamente a este vermelho. Assim como um quadro, a beleza monocromática é simples, insuficiente e morta.






Estes desenhos são de dois garotos que conheci pela internet e em um belo dia resolvi desenhar. Sem duvida meus leitores concordarão que são belos exemplos da beleza vermelha, porem pelo pouco que leio e ouço sobre eles, temos aqui sim uma bela amostra de talento, garra, superação e valentia que transpõem qualquer beleza que possamos ver com os nossos limitados olhos humanos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Segundo Selo: O Espirito


Meu espírito é um ser que pede
   Pede silencio da morte para bem refletir
   Pede a brisa leves que sopram no alto das montanhas nevadas
   Pede os ecos das florestas esquecidas pelas eras

Meu espírito é não passa de um eu carente
   Carente de companhia na solidão da eternidade
   Carente de saber mais do que sabia antes e menos do que saberá amanhã
   Carente de ter o que julga merecer mas não pediu pra ganhar

Meu espírito é hoje se tornou mais completo
   Completo de aceitação e de paciência pra poder seguir em frente
   Completo ao ponto de não sentir mais dor pelo que já sentiu
   Completo ao ponto de insistir em permanecer no que todos julgam erro

Meu espírito é eternamente critico
   Critico de si próprio e de sua natureza de erros e acertos aleatórios
   Critico do universo e seus desdobramentos regados pela loucura
   Critico do que os espíritos que me cercam são quanto espíritos

Meu espírito entende muito,
 Compreende pouco,
  Explica mais que compreende
   e não se ensina mais do que já sabe
    a não ser que sofra pra aprender

Meu espírito divaga
 num lado de lembranças
  rodeado de cardumes de alegrias
   que são predados por grandes e fortes tristezas
    que na falta de alimento vão o devorar

Meu espírito
  (assim de tudo)
    ainda se procura




Estes dois desenhos representam duas coisas muito importantes pra mim: Primeiramente a amizade (que abordarei em selos futuros), ela é uma figura importantíssima na jornada dos nossos espíritos. A outra coisa que ela representam são que algumas pessoas podem encontrar a  fé e a espiritualidade nelas mesmas. Acho que este é o caminho! Não se deve achar que igrejas trarão a paz do seu espírito, quem pode lhe dar isso é só você. Parabéns a todos que se acharam e que estão se achando como seres espirituais.

domingo, 16 de setembro de 2012

Primeiro Selo: Os Sonhos


     Um peixe me disse uma vez que o caminho natural dos sonhos é o despertar. Transpor esta membrana que separa o Sonhar e o mundo em que vivemos é uma tarefa pra poucos, ouso ainda dizer, para os obstinados. Os sonhos são o momento em que a nossa mente despreza todas as leis da realidade, todas as limitações da “realidade”, e se deixa experimentar. Enquanto dormimos, nossa mente nos testa em situações de alegria e de tristeza a fim de nos tornar mais conhecedores de nos mesmos, alem de nos oferecer pequenos momentos de realização.
     Não é a primeira vez que escrevo sobre meus sonhos, na verdade já o fiz tanto que não me lembro nem qual foi a ultima, muito menos a primeira. Gostaria de ser capaz de escrever todos os meus sonhos, o que provavelmente daria um best-seller, principalmente para nerds, homossexuais e amantes da boa musica. Mas talvez possa resumir minha maratona de sonhador em três ápices, três historias de estórias que vivi em sonhos:
    Primeiro gostaria de contar do meu maior sonho, desde o momento que comecei a pensar sobre relacionamentos: O primeiro beijo, debaixo de uma chuva torrencial, roubado pela pessoa por quem você se apaixonou. Acho que, tirando eu, deve sobrar meia dúzia de homens no mundo com o mesmo sonho. Bem, meus leitores assíduos podem se lembrar da série “Mon Petit Chat Noir”. Esta serie foi escrita para o garoto com quem dei o meu primeiro beijo. Foram sonhos e sonhos narrados nesta época neste mesmo blog. Devo dizer que meu primeiro beijo não foi um marco da transição sonho-realidade. Em meus sonhos havia mais grama, mais pessoas e era eterno. Mas eu consegui pelo menos que foi roubado, foi do cara por quem eu estava perdidamente apaixonado e chuviscava no dia. Por mim foi perfeito e eterno. Dizem que o primeiro beijo nunca se esquece, eu acho que é bobagem. Mas afirmo categoricamente que nunca esquecemos da realização de um sonho.
     O próximo sonho de que quero falar é deveras estranho. Numa noite, eu estava na oitava serie na época, eu sonhei com um jovem mago. Estranhamente este mago tinha a pele toda roxa, assim como os olhos e o cabelo. Eu não sei por que, mas a partir daquele instante, eu sabia o seu nome. Era como se a palavra surgisse dentro da minha cabeça, uma palavra que nunca tinha ouvido: Alastus. Ele era tudo que eu queria ser, era como eu queria me sentir, ele era a personificação de todos os sonhos que tinha naquela época. Neste mesmo sonho, Alastus foi atingido por uma flecha no coração e socorrido pela sua irmã. Que rapidamente arrancou a flecha dele. No susto eu acordei, já era hora de ir à escola. Quando fui me trocar, vi que no lugar onde ele tinha sido atingido pela ponta de aço, eu tinha um arranhão em forma de “x” que não me recordava de onde tinha conseguido. Ignorei. Nas próximas duas noites, sonhei com Alastus, em ambos os sonhos ele era atingido, mas não morria, lutava e persistia com seus poderes. Na primeira noite foi a flecha, na segunda foi mordido na perna e na terceira uma lança no ombro...  Não sei como explicar ao certo, mas todas as noites acordei com arranhões nas formas dos ferimentos. Sei que parece uma besteira, mas pra mim foi muito real. Hoje, acabei por me tornar Alastus e transferir muito de mim a ele. Somos parceiros de estrada. Espero que em breve possa apresentar ele pra vocês.
     O ultimo sonho que gostaria de falar é o exemplo de sonho que não se cumpre nunca: Felicidade. Recentemente aprendi uma palavras que pode soar estranha: Eudemonismo. Mas consiste apenas do pensamento de que o objetivo da vida humana é a felicidade. Sou adepto deste pensamento, embora acho que a felicidade é utopia. Felicidade é um estado pleno onde nossas almas não se importam com nada, apenas com o agora. Não há necessidade de pensar no amanhã, nas conseqüências e nem nos riscos se somos felizes. Felicidade, acima de tudo, só é felicidade se é eterna. O que fazemos é colecionar pedacinhos de felicidade aos quais demos belos nomes: Amor, Alegria, Orgulho, Honra... 
     Acredito que não existe um caminho comum para todos, uma receita de felicidade. Devemos nos permitir sonhar e degustar as pequenas amostras que temos. Devemos tentar ser felizes sem nos atentarmos ao fato de que a vida não permite que sejamos plenamente felizes. Devemos apenas deixar seguir.A busca pela felicidade não é justificada pelo resultado, e sim pelo caminho.



Este desenho é a imagem que mais me indica os sonhos que narrei acima. Ela trás consigo um pouco do roxo, cor que pra mim se tornou uma bandeira, e também as fatias de felicidade que tanto procuro em minha vida. Sonhar é dar um passo a mais na direção da realização.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Ainda Insuficiente


     Eu sou muito, mas ainda não consegui ser o suficiente pra muita coisa. Muita gente inveja meu talento pra matemática, mas ainda não consigo resolver as equações diferencias mais simples que recebo nos testes e embora todos falem que modelo magnificamente, sempre faço falsas considerações que me levam a falhas trágicas em problemas de mecânica. Não consigo passar um elemento continuo para dentro de um diferencial sem perder a lógica completamente, ou ainda escrever um código com mais de cem linhas sem que ele apresente nem um erro.
     Tenho sido um péssimo amigo, do tipo que nada pode fazer e pouco tem a dizer. Não posso dar exemplo de vida por que meu vivo pra mim. Tenho tirado erros críticos em todos os dados e mal tenho podido jogar. Tenho escrito pouco e tenho traído as esperanças de quem confiava em mim pra prestar favores. Tenho traído meus ideais em troca de novos que tenho que absorver. Tenho negado meu ser em troca de um ser que ainda nem é.  Mas será que algum dia será?
     Não tenho sido o suficiente pra merecer que alguém se de ao trabalho de me completar, se quer... Nem pra valer um beijo avulso e sem sentimento de um amigo, nem para merecer um abraço apertado de mais de dois segundos, nem pra merecer que alguém sorria ou chore por mim... Tenho feito bem menos que o necessário para ouvir uma palavra de consolo ou para poder encostar minha cabeça no colo de alguém. Tenho sido tão injusto ao fingir que mereço tudo isso, quando é consenso comum que não mereço!
      O pior de tudo, não tenho merecido se quer que me dêem a chance de me mudar...