sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Dos bons malefícios de estar apaixonado


     É bom poder chorar por alguém, por mais que o choro seja triste e frio. É bom poder sentir a dor de possivelmente perder alguém antes mesmo que isso aconteça, nesse processo no qual o que era comum ou dispensável se tornar uma necessidade diária. É bom se sentir sozinho durante a noite por lembrar que tem alguém em algum lugar no mundo que teria o dom de te fazer feliz com um único beijo de boa noite. É bom ter um sorriso que se tornou tão importante a ponto de valer mais que o de qualquer outro. É bom poder abrir a mesma foto parada na sua área de trabalho e perder duas horas arquitetando planos de um futuro hipotético e improvável juntos, ou ainda imaginando coisas bestas de livros ou desenhos que não tem nada haver com suas obrigações. É bom esperar por alguém num banco qualquer de um lugar deserto e ter medo de que no momento que for embora a pessoa irá aparecer e se sentir triste por você ter ido. É bom poder fechar os olhos em cada abraço dado e fechar os olhos para gravar na sua mente cada detalhe do momento, como cheiro da pessoa e como o seu coração se debatia contra o peito, só pra depois ficar deitado na cama olhando o teto e desejando que aquele instante fosse eterno.
     Ruim mesmo seria não ter com quem sonhar quando deita sozinho a noite... Isso seria muito triste... Obrigado.

sábado, 18 de julho de 2015

O Meu Homem Perfeito

Se tivesse que desenhar o homem perfeito faria algo dourado
Não por fora, mas por dentro do peito e da cabeça
Não pela inteligência ou pela sabedoria
Mas pelo amor ao simples e pela admiração do complexo
O homem perfeito não avaliaria o mundo, ele o admiraria
Do jeito que é, sem muita ânsia de mudança ou dificuldade de aceitação
Ele se amaria como é e amaria quem tivesse o que ele admira
E que admirasse nele mesmo as coisas que ele ama
O homem perfeito diria não quando não gostasse e sim quando gostasse
Diria amar quando amasse e outra coisa quando outra coisa
Ele veria que o que o outro pensa é diferente do que ele pensa
E entenderia que isso é o que torna o outro verdadeiramente outro
E que é isso que torna ele tão somente ele
O homem perfeito saberia no que é bom e que os outros não
E não esperaria que os outros fossem bons também
E veria nisso a chance de ser útil, não de ser indispensável
O homem perfeito daria de graça o que recebeu de graça
E cobraria o justo pelo que é justo que seja cobrado
O home perfeito não precisaria ser impecável
O que faria perfeito é o como ele lida com seus pecados
E o que ele chamaria ou não de pecado.
Seria a sua coragem de fazer o errado quando é o mais certo a se fazer
E de se jogar rumo a uma nova vida quando ninguém mais o faria

O que faria meu homem perfeito tão perfeito quanto se possa ser
Seria sua facilidade de abdicar de ser perfeito para se tornar feliz.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Preconceitos Estéticos

     Todos nós temos preconceitos estéticos. Falso é quem diz que não os têm. Somos treinados desde novos a reconhecer o belo e o não belo, e tratamos instintivamente as duas coisas de maneiras diferentes. Já é verdade absoluta, por exemplo, de que comidas bonitas recebem melhores avaliações de sabor que comidas feias. Ou ainda, sabemos que flores vendem mais que folhas. Não estou dizendo que não existem exceções, pois elas existem e são muitas. Porem estou enfatizando o fato de que mesmo que lutemos contra, sempre teremos preconceitos estéticos por que estes são fatos inclusive evolutivos.
     Vivemos num mundo de imagens. Nossa comunicação escrita está cada vez mais sendo trocada pela comunicação visual. As antigas provas de português discursivas com textos de duas páginas agora cedem lugar para questões fechadas onde a leitura de mundo e avaliada não só com texto, mas também com um quadro ou uma charge. Sendo assim, não era de se esperar que os valores estéticos diminuíssem. Muito pelo contrario. A dita geração saúde, aquela depois da “geração Coca-Cola”, acabou se tornando a “geração fitness”. Não estamos falando de ingerir alimentos orgânicos ou estar em dia com o seu sistema cardiovascular. Esta geração dita saldável bate cada vez mais os recordes dos hospitais quanto ao que diz respeito a intoxicação, overdose de remédios, rompimentos e lesões provenientes de esforço excessivo... A pouco tempo atrás, esse ultimo só ocorria com pedreiros e trabalhadores do campo.
     Mas a apelação em prol da estética não é nova. No inicio do século passado ainda se usavam diversas toxinas perigosíssimas como recursos estéticos. (Não me refiro aqui à toxina botulínica, que recentemente se tornou uma febre. Falo sobre antigas toxinas, em sua maioria extraídas de vegetais, usadas para dar a cor escura das sombras que temos hoje ou ainda vasodilatadores para os lábios.) Além disso, conhecemos bem outros casos estramos, como o crânio deformados das mulheres no antigo Egito, o pescoço alongado das mulheres-girafa ou os pés deformados por sapatos minúsculos de porcelana dos antigos impérios orientais. Digo tudo isso apenas para reiterar o fato de que a busca extrema por uma estética perfeita não é uma novidade, e sim é uma característica inerente das civilizações humanas.
     Vou me abster um pouco de falar aqui tudo que poderia sobre a reflexividade que a mídia oferece à padrões estéticos não convencionais, até por que estes padrões mudam e felizmente algumas empresas conscientes lutam fortemente para quebrar alguns tabus. Prefiro falar aqui dos nossos preconceitos, os que temos enraizados culturalmente em nossos cérebros. Um belo exemplo: Eu nasci em uma família típica de Minas Gerais. Grandes almoços em família eram um dos afazeres clássicos do fim de semana e uma das minhas mais doces lembranças do mesmo era minha avó no fogão a lenha cozinhando. Minha mãe também cozinhava divinamente e sempre fazia questão de por meu prato quando eu era pequeno e perguntar sobre minha vida com todo o carinho que manda o gabarito. Com isso, acabei relacionando a ideia de meiguice e carinho a pessoas mais gordas. Nunca achei que pessoas magras não podiam ser carinhosas, mas sempre que via uma pessoa gordinha pensava “Essa pessoa deve ser legal!”. A maioria das vezes eu acertei, talvez até por uma predileção minha a achar algo e não pela pessoa o ser. Outro dos meus preconceitos estéticos está na dificuldade de conversar com pessoas mais bonitas que eu. Aqui acho que o fato de eu ter levado muitos tocos de pessoas lindas ao longo da minha vida me faz relacionar o fato de que a pessoa é bonita com o fato dela me rejeitar. E é triste, por que as vezes conheço pessoas maravilhosas e lindas e simplesmente não consigo falar por conta de um medo bobo e infundado.
     Outro fato curiosos é que a maioria das pessoas tem tanto medo da rejeição estética que acabam por misturar a imagem do que querem ser da de com quem querem estar. Com isso, acabam se formando coisas que chamo de “castas estéticas”. Explico: Pessoas com padrões estéticos parecidos que só namoram ou saem com pessoas dentro do mesmo padrão estético, que juntas formam um conjunto fechado. O mais fascinante disso é que se pensarmos em uma cidade mediana como a minha, dentro de pouco tempo você varreu boa parte das possibilidades dentro de uma casta estética, e.g., ainda outro dia estava dentro do cinema e vi dois ex-namorados de uma mesmo amigo meu juntos. Não é mais raro ver situações como essa. A quem diga que a solução moderna para a felicidade é a clonagem. Bem, eu sou destes que discorda. Que prefere pessoas esteticamente diferentes do que eu sou. É uma questão de gosto, o que torna tudo completamente pessoal.
     Porem, apesar de eu defender o fato de que os preconceitos estéticos são naturais, me pergunto como é difícil lidar com eles. Imagine uma pessoa que cresceu num meio completamente exótico, sei lá, como hippies. Depois de uma certa idade, quando as pessoas começam a se interessar por você, elas serão de todos os tipos! Você pode ter criado tantos preconceitos ao longo deste tempo vivendo em uma bolha estética tão limitada... E não me refiro aqui à predileções, por que essas são mais naturais ainda! Sentir atração por pessoas com uma dada característica é normal e saldável. O problema está quando nos negamos a possibilidade de gostar de alguém só porque você é branco e ela é negra, ou porque você é forte e ele é gordo, ou porque você tem umas tattoos e ela não tem nenhuma... Começamos a ter que repensar nossas opiniões quando elas nos limitam ou fazem com que limitemos o próximo. O quão longe será que nossos preconceitos estéticos vão nos levar (ou nos impedir de ir)?



"Um Alastus que não teria sofrido tanto..."
Por João Paulo Alastus

domingo, 26 de outubro de 2014

Nada Deve Ser Desculpado

     Nunca tive tanto do que me desculpar em tão pouco tempo. Longe de mim ser perfeito, mas geralmente penso bem nas consequências de meus atos antes de tomar qualquer atitude leviana. Nos últimos messes tenho sido muito mais emotivo do que deveria, e som isso minha vida tem se tornado uma imensa sucessão de pequenos erros. Em muitos eu mesmo sou o maior prejudicado, e isso me reconforta um pouco. Mas, na maioria dos casos, eu acabei ferindo também a grandes amigos e a meus familiares... E não posso me perdoar por isso. Não peço desculpas aqui por que acho que a culpa é, no fim das contas, uma benção! Saber que eu errei pode prevenir as pessoas de que eu sou humano, por mais que me esforce para não ser. Apenas quero escrever um pouco sobre meus arrependimentos e sobre o pesar que tenho hoje em ver algumas das coisas que fiz.
     Talvez a primeira que eu deva falar foi a que mais gerou impacto sobre mim diretamente. Nos últimos tempos deixei que minha vida pessoal afetasse de maneira muito significante o meu trabalho. Com isso, tenho tido uma enxurrada de resultados muito inferiores aos que de fato deveria ter tido. E isso não se aplica só às notas, se aplica à pesquisa que desenvolvo, se aplica aos meus trabalhos acadêmicos , se aplica aos meus seminários... Todos tem sido menos do que a metade do que eu poderia fazer, mesmo com todos os problemas que tenho enfrentado. Nem mesmo nos jogos, que eram uma diversão comum, eu tenho me empenhado tanto quanto me empenhava antes. Tenho listas, resultados e avaliações pendentes das quais, boa parte não terei como recuperar.
     Boa parte dos problemas que venho enfrentando vem por conta de um emotivo e irracional comportamento que tenho tido de tentar ser feliz com pessoas e coisas que certamente não me deixam feliz. É idêntico a quando comemos uma sobremesa maravilhosa mesmo estando de dieta. Durante é ótimo, mas depois nos sentimos tristes e deprimidos... Com culpa... E a culpa é justificável, pois o que fizemos foi errado. Traímos nossos próprios princípios prévios na tentativa desesperada de uns instantes de alegria... E não há nada que nos fere mais do que a autotraição. Durante essas tentativas, acabei ferindo relações com pessoas maravilhosas. Algumas tão maravilhosas que fugiam de mim apenas para não me dizer “não” ou para não me verem chorar, o que talvez lhes cortasse a alma. Cheguei sentir sentimentos fortíssimos e verdadeiros sim! Mas sei que de fato não era pra ser. Não deveria ser! Não seria justo, não seria certo e não seria honesto comigo e com essas pessoas! Cada flor e cada sorriso, cada palavra dita, foi sincera. Mas, racionalmente, sei que estava jogando minhas sementes, que já não são muitas, em solos vizinhos, quando minhas raízes ainda estavam atadas ao solo de que sai. É vergonhoso admitir ter certamente me enganado e ter talvez iludido pessoas a quem amo de verdade e não mereciam ter passado por nada daquilo que as fiz passar. Talvez ouvir um “não” tivesse doido bem menos, mas não mereço nem isso...
     Por outro lado, tiveram pessoas de quem eu gostava desde sempre. Essas sempre gostaram de mim incondicionalmente e eu nem sempre soube retribuir todo esse amor como eu deveria... Talvez por medo de pressionar ou por medo de ficar sozinho, acabei não estando junto dessas pessoas tanto quanto eu deveria (ou precisava) e com isso criei uma ponte enorme entre nós. Assim como já disse, foi ai que tentei felicidades que não eram minhas, com pessoas que não eram as certas pra estar comigo, quando eu sabia quem as pessoas que eu realmente amava e que me amam também. Eu sempre soube, na verdade... Por isso não dormia em paz! No fundo, eu já me martirizava por fugir de quem eu sabia que deveria estar do lado! Mais uma vez, trai quem de fato eu mesmo sou! Com isso, perdi muito tempo... Tempo esse que não tem mais volta! Tempo que eu simplesmente não vou viver mais... Sabem, a grande diferença é o medo de perder... Tem pessoas nas quais pensamos quando estamos tristes e sozinhos, pessoas nas quais nos espelhamos e pessoas que mesmo distantes sabemos que podemos confiar... São essas que eu deveria estar dando o devido valor... Mas infelizmente não estou...
     Mais uma vez, reitero que desculpas não são o que quero. Quero que me culpem por isso e que vejam que eu errei, e que erro... Mas que também sinto o peso dos meus erros e tenho consciência! (Só pra constar, ela tem a voz da Anain e anda bem mais pesadinha do que eu gostaria.) Quero dizer que vou tentar mudar! Vou tentar não importunar mais as pessoas com quem me iludi tanto e a quem fiz sofrer mais do que qualquer um merece. Vou tentar mostrar o amor que tenho aos que amo e me amam também, mesmo que eu tropece ou me perca no caminho. Conto com essas pessoas mesmas pra me darem tapas e me porem guias de burro se for preciso... Além disso, vou tentar não me punir mais por conta do que sinto e penso e tentar levar minha vida em frente, aos trancos e barrancos... Infelizmente, posso prometer apenas que irei tentar, pois depois de errar tanto, e com tantos, não confio tanto assim em mim...

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Astrônomo e o Nevoeiro

Antes

     Houve uma época na qual o Grande Reino se encobriu em Névoa. Névoa tão densa que os Cavaleiros do Rei andavam com os cavalos amarrados uns aos outros, para que não se perdessem. Os Comerciantes, com medo de alvo de saqueadores, fecharam as portas e as janelas dos armazéns. Poucos eram os que se arriscavam a sair de suas cabanas, pois o mundo fora delas próprias havia se tornado um mundo de desconhecidos e de frio cortante.
     Eu, antes do Grande Nevoeiro se instalar, era um Contemplador Real, titulo dado pelo próprio rei aos que ele julga sábios da arte da contemplação do belo. Era conhecido por todo o reino por saber a posição de cada estrela do céu em cada lua do ano e por saber só de olhar quais as maçãs prontas para a colheita e as que ainda deviam esperar. Lia, na mão dos aldeões o futuro de seus filhos e dos filhos deles sem errar nem uma linha... Mas isso foi antes do Grande Nevoeiro.
     Depois dele, pouco sabia de todas essas coisas. Na verdade, ainda poderia apontar no céu e dizer que lá estava uma bela estrela e dizer que as maçãs estavam maduras, mas não podia mais Contemplar nenhuma dessas coisas. Existe uma sutileza entre o Contemplar e o afirmar. Afirmar, sem Contemplar, é simplesmente ter esperança. Sendo assim, passei de Contemplador Real a um simples Semeador de Esperanças.
     Vagava pela névoa e pegava na mão dos Aldeões que por mim passavam. Vendo suas mãos sujas de tatear o chão procurando caminho na Névoa, eu ainda podia dizer de seus filhos e dos filhos de seus filhos, e assim fazer com que cressem que a névoa era um estado passageiro. Apesar de não ser a profissão que eu tinha escolhido pra mim, eu era um Semeador de Esperanças feliz.


Durante

     Numa dessas minhas caminhadas, encontrei um jovem rapaz. Ele estava sentado na grama molhada e olhava pro alto, pro distante. Aproximei-me dele para tentar ver o que ele observava tão atentamente, mas eu só via Névoa. Ele parecia tão solitário mas ao mesmo tempo tão seguro do que fazia que em instantes me convenci de que esse rapaz não precisava de um Semeador de Esperanças, e segui meu caminho.
     Passei pelo mesmo lugar algumas vezes e vi que ele sempre estava lá, olhando pro alto na Névoa... Isso começou a me instigar. De certa forma, esse rapaz me lembrava eu mesmo no meu tempo de Contemplador, e isso me fazia reviver boas lembranças da profissão que já não mais restava em mim.
     Certa noite eu perguntei “Olá, sou o Semeador de Esperanças Real. Quem és tu?”. Não houve resposta por alguns instantes, até que ele balançou a cabeça, como quem desvia o foco de algo importante, e respondeu “Sou um Astrônomo. Desculpe, estou trabalhando.”. “Trabalhando?”, me perguntei. Astrônomos precisam ver o céu pra trabalhar, e eu só via Névoa. Mesmo assim deixei o suposto astrônomo, que se dizia tão ocupado, cuidar do seu céu de névoa.
     Dias depois ainda estava ele lá. Me aproximei indignado. “Ainda a ver estrelas, Astrônomo real?”. E a resposta veio na forma de um rápido e eficaz “Sim.”. Falei, “Bem, será que não terias um momento para um Semeador de Esperanças? Talvez possa te ajudar em algo.”. O Astrônomo mal esboçou reação, apenas Estendeu a Mão para mim. 
     Em suas mãos, as linhas cruzadas me disseram que ele era rei de seu próprio reino e que tal reino era terra que só ele poderia plantar. As linhas disseram que eu nada eu poderia fazer pra ajudar, por que não havia Bom Fruto que eu pudesse Semear que lá já existisse com abundancia. Pela primeira vez, peguei na mão de alguém que não precisava de um Semeador de Esperanças.
     Largando sua mão, tirei um pote do meu bolso e pequei uma pequena semente dentro. Disse “Tome, bom Astrônomo Real. Não posso Semear nada que já não tenhas consigo. Te dou das minhas próprias sementes, um único grão é tão doce que pode matar a fome se quiseres. Mas os mais doces grão vem se quiseres o cultivar no solo onde só tu podes plantar.”. O jovem Astrônomo sorriu sem tirar os olhos do seu céu e disse “Obrigado.”, colocando a semente que eu havia lhe dado em seu bolso.
     Semanas depois, passo na mesma grama em meio ao Grande Nevoeiro, e ouço a voz do Astrônomo dizendo “Sente-se comigo, Semeador de Esperanças. Vamos olhar as estrelas.”. Ainda que incrédulo, sentei ao seu lado. Olhando para o alto, mesmo só vendo Névoa eu ainda sabia a posição de cada estrela do céu. Mesmo que por trás do véu branco. “O que vês no céu, Astrônomo Real? Quais estrelas estais a estudar?” Indaguei curioso. E ele disse “Vês a grande estrela rosada que quase toca o topo do céu hoje? É ela que estou a estudar.”. Eu sabia que tal estrela não estava lá, nem antes nem depois da névoa, mas mesmo assim ele olhava reto na tal direção.
     Curioso, perguntei: “O que mais vês no céu, Astrônomo do Rei? Conte para que eu também possa conhecer teu céu.”. Peguei no meu bolso meu velho caderno de Contemplador e me propus a tomar nota. Nos próximos dias, tudo o que fiz foi catalogar o céu do Astrônomo Real. Não demorou muito para que eu soubesse de cor a posição de cada estrela da qual ele falava, mesmo por trás da Névoa. E não demorou para que eu começasse a troca-las pelas minhas antigas estrelas. Quando desenhava um mapa, via que nele eu colocava estrelas que não eram minhas. Como se o céu que eu agora conhecia fosse fruto de uma fusão. Não mais conhecia o céu por trás do Nevoeiro com meus olhos, e sim com um meu e um do Astrônomo Real.


Após

     Não foi só o céu do Astrônomo Real que mudou meu céu. Sua presença em meio a Névoa havia se tornado uma das únicas que eu de fato notava. Andava pelas ruas e, se algum Aldeão o pedisse, fazia vagas previsões sobre o por vir e Semeava a Esperança de uma maneira fraca, sem muito valor de fato. Dava apenas a quantidade necessária para a não desistência.
     Além disso, notei o quanto a ausência do Astrônomo Real me abalava. Nas tardes mais claras, quando o Grande Nevoeiro se fazia mais branco que cinza, não o encontrava no gramado de sempre. Por vezes, ele só regressaria na noite seguinte, com um sorriso de canto e com a frase de sempre: “Dias claros não são para os Astrônomos, caro Semeador de Esperanças.”. Na verdade, por vezes eu fiquei apenas sentado na grama e olhando para o auto, vendo o branco da Névoa com os olhos, mas o céu do Astrônomo em meus pensamentos... Não me incomodava o fato de que ele não viesse, apenas pensava no quanto seria bom estar em sua companhia.
     Fui tomando consciência de que tinha passado de um Contemplador arruinado para um Semeador que não semeava mais, apenas contemplava. E o que eu contemplava era a chave de tudo. Eu era agora o Contemplador Real do Astrônomo Real. Fiz desse passatempo uma tarefa e aos poucos tornei essa tarefa um ofício. Mas não era tão bom ter mudado assim...
     Como Semeador, deixei a desejar. Ao longo dos últimos tempos tinha tido uma única semente. Semente essa que nunca havia visto semelhante, nem em meus tempos de Contemplador Real. Porem, não sei mais onde essa semente está... Na verdade, sei pra quem a dei, mas um Semeador também deve dar terra, dar água e dar proteção, e não só entregar a semente. Um Semeador não é um bom Semeador se não obtêm os frutos de sua semente.
     Mas porque não vi os frutos? Por que se quer eu os semeei! Não Preparei o Solo, não Dei Água, não Cuidei... Se não houvesse tanta Névoa, talvez o Rei já tivesse me destituído do meu cargo por inabilidade. E seria justo.
     Meu maior erro foi Contemplar quando na verdade deveria ter aceitado meu ofício de Semeador. Meu maior pecado foi me deixar Fascinar, e com isso deixar de ser o que era para me tornar o que eu almejava ser... Deixar de viver a minha vida para viver a vida que eu queria viver...

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Lamentavelmente Mudei

     Um dia eu percebi que não mais me apaixonava... Apenas gostava...
     Quando notei o que tinha ocorrido, mal pude acreditar. Não sabia como eu, ao longo de cada um destes anos, me tornei assim. Sabia, porem, que não voltaria a ser como era. Olhei no espelho e me perguntei como pude, me perguntei o porquê... Mas não sabia... Eu tinha perdido o que eu julgava mais nobre em mim e agora eu era comum, mais uma alma perdida...
     Quis chorar, mas parece que até este dom me foi roubado. Todas as lagrimas que já avia derramado agora estavam secas. Talvez já tivessem sido até bebidas após choverem, talvez tenham ajudado a muito mais pessoas do que a mim... Quando precisei das preciosas gotas de tristeza para acalantar a morte do meu próprio coração, notei que já tinha as dado para outros que delas mal fizeram uso... Outros corações que já jaziam sub a mesma lápide onde hoje o meu repousa...
     Olhava para os belos rostos e sorrisos ao meu redor e todos me eram iguais. Quando um se aproximava, meu cérebro dizia simplesmente “gosto”, “agrado”, “admiro”... O outros termos que eu outrora usava simplesmente sumiram... Não mais existia um alguém que me fazia rir ou chorar, no máximo eles me arrancavam sorrisos empáticos e sem mais a doce e valiosa inocência que eu já não mais tinha...
     O que será que ocorreu a ela... Terá morrido de tédio ou se afogado em sua própria melancólica existência? Talvez ela me tenha sido roubada por cada um dos que de mim se aproximaram e criaram em mim vazias e dolorosas esperanças... Mas quando penso neles, não tenho forças para culpá-los pelo furto de nada, quanto menos da minha inocência, do meu antigo espírito de apaixonado.
     Talvez não seja um caso de morte, mas sim um sequestro... Parece que não mais sei chorar por minha própria dor e me apaixonar por outros, mas ainda choro por cada um destes que por mim passaram. Ainda sinto o mesmo calor no peito por eles que não sinto por mais ninguém...
     Será que eles tomaram partes de mim pra si? Será que o que eles têm não pode ser devolvido? Eu preciso disso! Preciso amar novamente, assim como eu os amei um dia! Minha alma clama pela doce ilusão de estar apaixonado assim como o injustiçado clama por justiça... Dizem ainda que mesmo a mais seca das minas pode dar ouro a um habilidoso mineiro. Será que, caso meu eu roubado por tantos não tenha retorno, ainda terei algum resquício de inocência para oferecer?

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Negociação

     E se de amar eu sorrisse o mais puro dos sorrisos? E amasse tão belo quanto a mais bela das flores e chorasse um choro tão límpido que desce inveja ao grande lar das sereias? Será que assim me amaria?
     E se eu compusesse um hino impar à sua beleza? E se louvasse seus olhos como os que louvavam aos deuses do passado o faziam e erguesse um monumento de jaspe em seu nome? Será que nem assim me amaria?
     E se eu espalhasse aos quatro ventos poemas de amor? E se desenhasse cada parte do seu corpo de uma vez e por fim um grande retrato seu fosse formado, recobrindo todo o céu? Ainda assim, será que não me amaria?
     Se eu mudasse a língua do mundo para sua favorita? Se eu comprasse seu restaurante predileto ou ainda pagasse um show daquele cantor que embalava cada um de seus sonhos? Mesmo assim, não mereceria que me amasse?
     Se eu me lançasse longe de quem eu sou? Se eu deixasse meu eu a deriva no mar mais distante, fazendo apenas o que te faz feliz, e ignorasse tudo o que eu sou para ser o que você queria? Ai de fato você não me amaria...
     Posso dar tudo em troca do seu amor, e daria... Mas se desse quem eu de fato sou... Quem você estaria amando?

sábado, 16 de novembro de 2013

Dos Olhos que Tive

     Enquanto eu olhava para seus olhos, vi o quanto eu mudei ultimamente. Este olhar distante, curioso e por vezes tão triste, me lembrou de mim mesmo a tempo, quando eu si quer me perguntava quanto ao porquê de ter esperança, simplesmente a tinha. Eu já me apaixonei a primeira vista quando tinha esta luz no olhar, já sorri do simples fato de dizer oi... Já amei como julgo que talvez nunca mais ame... Amei por que não tive medo! Amei por que, enquanto um estranho sentado ao meu lado me olhava, eu simplesmente admirava as luzes e as formas dos espetáculos. 
     Lembrei-me agora de que já passei por isso. Já olhei pro lado nesta mesma platéia e percebi um olhar não voltado para o espetáculo, e sim para mim. Foi um começo lindo de um fim trágico. A ilusão, a inocência, a doçura... Com a mutilação constante do nosso coração, tudo isso se esvai lentamente. Quando nos damos conta, já nos tornamos máquinas automáticas de tomar decisões acertadas baseadas em lógica, não em sentimentos. Quando percebi que já não podia mais dar meu coração da mesma forma que antes, notei o quão decepcionante com sigo mesmo perder até o que julgava ser mais lindo em você mesmo...
     Ao mesmo tempo, hoje parte daquilo que eu fui gritou de dentro de mim. Os olhos brilhantes que refletiam a luz dos holofotes distantes despertaram um sentimento de afeto tão grande. Dentro de mim, uma força gritava, implorando por um abraço forte... Ela queria um aromático bolo de cenoura, um copo de chocolate quente, um livro lido na frente de uma lareira... Ela queria ser feliz de novo, simples e completa como já fora outrora.
     Dizem que não se pode ensinar novos truques a um velho cão, mas e quanto a lembrá-lo dos  truque que ele já havia esquecido completamente? Não sei o que tinha brilhando por trás daqueles olhos caídos, mas me encantou tão profundamente que nem sei mais se meu coração realmente esqueceu tudo aquilo que não sinto há tanto tempo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Sentimentalismo Quântico

     Desde que os cientistas do inicio do século passado resolveram enfiar de vez esta coisa de relatividade e teoria quântica na física, dissemos adeus a tudo que julgávamos determinísticos na única ciência exata que se propunha a descrever o futuro antes que o mesmo ocorresse. O pior talvez seja saber que esta não foi uma escolha: O mundo não é, de forma alguma, determinístico. Porem, ainda sabemos que uma dada condição inicial nos garante a total improbabilidade de uma série de respostas (Pelo menos pelo que já conhecemos.). Podemos traçar um espaço de respostas possíveis e descartar outras tantas. O difícil é entender quais são estas. Em mecânica quântica, este é um problema chamado de “Problema de Auto-Valores”, onde temos “só” que achar as soluções de uma equação (Dizendo assim, parece até que isso fosse simples.), a famosa Equação de Schrödinger.
     Se é assim, e é, o que então podemos tirar de previsão da natureza? Sabemos as coisas que podem acontecer com suas respectivas probabilidades. A pergunta então passa pro experimento: Será que a probabilidade realmente se verifica?  Até agora, poucas teorias foram tão certas quanto a Teoria Quântica.
Vamos agora mudar de foco um pouco: Quando conhecemos uma pessoa nova, alguém em potencial, estamos nos deparando com um complicado problema de previsão. A pessoa pode ser tomada como uma condição inicial do problema. Já nós? Somos como condições de contorno (Termo que usamos em física e matemática para coisas que restringem os objetos procurados, como as bordas de uma caixa.). O que nos resta agora é tentar averiguar a solubilidade do problema. Vejam bem, não existe uma equação mágica que nos permita ver a possibilidade de compatibilidade entre pessoas. Mas quero enxergar isso de uma maneira mais próxima.
      A Equação de Schrödinger é um caso particular de uma equação do tipo H(f(x)) = E.f(x). Vamos escrever esta equação de um jeito menos matemático: “Eu faço a pergunta H para a f(x), em seguida, obtenho a resposta E da f(x).” Então, podemos pegar nosso problema e escrever ele desta forma, não é? A pergunta H pode ser, por exemplo, “Você gosta de mim?”. Teremos dois valores possíveis, ou E=“Sim.” ou E=”Não.” (Vamos desconsiderar os casos extremamente mais complicados. Geralmente eles só aparecem em Mecânica Quântica quando a pergunta H não é bem feita.). 
      O problema, como já disse, é que aqui as coisas não são matemáticas. Por isso, não podemos de vez calcular a probabilidade de cada uma das respostas. Aqui, os únicos cálculos válidos são a intuição e o bom senso. Meu professor de física matemática me disse uma vez que “Nossa intuição só nos manda dormir e comer doces.”, sendo assim, não julgo que se deva confiar muito nela pra tirar qualquer conclusão. Já o bom senso sozinho não da conta de fazer todas as previsões.
      Em física experimental, quando chegamos neste impasse, geralmente montamos o experimento e vemos no que vai dar. Mas lá podemos fazer o experimento um milhão de vezes para poder fazer estatística e achar as probabilidades. No nosso experimento mental aqui não temos este luxo. Faremos o experimento uma vez, e nenhuma outra. Os riscos existem, mas um bom cientista sempre tenta usar o bom senso primeiro e a coragem logo em seguida. 
      Recentemente procuramos variáveis escondidas que nos ajudassem a poder dizer que o mundo era determinístico, mas a procura acabou num fracasso total, e ainda negando a possibilidade de que tais coisas existam. Devemos nos contentar com o fato de que Schrödinger foi uma boa cartomante pra elétrons, mais ainda temos sérios problemas pra prever o futuro dos humanos.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Encantados, mas Imperfeitos

     Já falei aqui mesmo que príncipes encantados não existem. Pois bem, vim aqui reformular isso: O que tenho visto por ai são príncipes sim, mas cada um com o seu defeito particular. Mas isso é obvio, não é? Desde criança, nos empurraram histórias de príncipes que tinham seus problemas pessoais. Tinha um que se aproveitava de mulheres enquanto elas dormiam, outro com seria queda por garotas mortas em bosques. Tinha um que nunca viu uma gilete na vida e roncava feito um cão (Este era o favorito da minha mãe.) e outro era de um país diferente, que queria dominar e escravizar o seu povo... Cada um com os seus problemas, cada problema pior que o outro. Acho que no fundo o nosso erro não está em acreditar que o príncipe encantado existe, está em pressupor que ele é perfeito.
     Recentemente conheci alguns príncipes encantados, dentre os muitos que conheci em toda a minha vida. Um melhores, outros piores. Tem um com excelente gosto musical e com um sorriso lindo como o de uma criança, alem do incrível dom pra fotografia, mas que não fala muito e nunca continuou um assunto que eu tente puxar. Outro ainda que é um artista nato e sonha tão alto na vida que do alto dos seus sonhos pode acenar para monges tibetanos meditando, porem é do tipo que prefere estar sozinho (E o deve, se quer mesmo atingir suas metas.). Conheci outros ainda que eram cascas lindas, do tipo que valeria a pena parar olhando e desenhar cada detalhe da expressão pra criar uma obra prima, mas que na primeira oportunidade já queriam tirar a roupa. São tantos, mas tantos que não dá pra contar com os dedos (Nem falar de todos eles aqui.).
     Alem disso, existem os que chamarei de “Príncipes Amaldiçoados”. Parece um nome sério, né... Mas é minha maneira de dizer de príncipes que mascaram seus defeitos e aproveitam suas qualidades para tirar vantagens dos outros. Príncipes assim também existiram nos contos de fada, só parar pra pensar. Na vida real temos lotes e lotes deles. Acho que os que mais conheci foram os que tentam se aproximas dos inteligentes e usufruir de seu dom, os ludibriando com seus talentos como beleza ou outros. Mas ainda existem os oportunista, os golpistas, os infiéis, os colecionadores (Palavra que aqui se refere aos que gostam de ficar com gente de todo tipo o tempo todo, como quem monta uma coleção.). 
     A Bela Adormecida, conto que li ainda criança, falava de 13 fadas. Acho que isso ainda se aplica aos dias de hoje. Todos nós temos um encantamento concedido por uma das doze fadas que receberam convite, e outros tem uma maldição rogada pela esquecida e ignorada fada marrom. Isso faz de todos nós príncipes, que por sermos humanos, temos defeitos incalculavelmente complicados. Mas um dia você (ou ele/ela) acorda com um beijo e ai não dá mais pra mudar muita coisa. Ainda acho que o truque é escolher uma boa torre, um bom dragão guarda e tomar sonífero até o príncipe encantado chegar. (Embora eu esteja cogitando trocar o dragão por um dinossauro, que é muito mais legal!)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Barco

        Como uma mulher ateniense à beira-mar, acenei para a partida de cada um dos meus amados, sabendo que não voltariam. Hoje, os ventos já me trouxeram noticias de que eles estão léguas a norte e a leste daqui, muito longe até para que minhas lembranças sobrevivam à distancia. Já não me lembro mais bem como eram seus olhos, talvez um pouco mais dos verdes do que de outros... Ou daqueles cujas estrelas sem duvidas guiaram sua tripulação. Meus amados capitães. Entre eles nenhum naufrago (Talvez um ou outro à deriva no tempestuoso e confuso Mar do Caribe.). Mas sempre esperei no cais, pronto a receber novas embarcações. Agora, vejo o meu amor zarpar sem uma embarcação. O amor deixou seu barco no cais, e de nada adianta um barco parado, sem seu capitão... Afundemos o navio? Aguardemos a chegada de um novo capitão? Ou então esquecemos este barco e esperamos uma nova esquadra passar pelo porto e deixar aqui uma de suas destemidas embarcações? Talvez eu não deva responder isso, assim como a mulher de longo vestido esvoaçante que contempla o mar a procura de uma embarcação nada pode fazer para que os barcos atraquem no cais.

sábado, 13 de julho de 2013

Se ao Menos me Beijasse

Será que seria tão doloroso?
Quanto tempo você demoraria
Pra esquecer que me beijou?
Um beijo regado a pena que fosse
Mas um beijo pra alguém com sede
Que muito ansiava por esse beijo
Mais que qualquer outro...

Será que eu não sou tão bom
A ponto de valer o esforço
De me dar um beijo passageiro
Apenas pra me dar um motivo
Pra sorrir o restante da semana?
Pra me fazer aguentar melhor
Os pesos nada leves que carrego.

Será que ficaria assim tão abalado
De beijar outro homem como você?
Será que se mudaria tanto assim?
Ou será outro de meus problemas?
Poderia te fazer feliz mesmo assim?
Mesmo infeliz...

Será que se todos os homens
Pelos quais já me apaixonei
Tivessem me dado um beijo,
Mesmo que um beijo de pena,
Ainda seria assim tão triste?
Sei apenas que se me beijasse
Teria com o que sonhar...

domingo, 23 de junho de 2013

Pouco Mudei

Pouco mudou neste começo de estação
O céu ainda está rosa a noite, sempre faz frio
E eu ainda me deito na minha cama sozinho
Ainda pego o meu celular como sempre fazia
E ainda tento mandar as mesmas mensagens
Para a mesma pessoa que há anos que mando

Minha barba maior só disfarçou minha idade
Ainda sou jovem demais para ser creditado
Jovem demais para ser tratado com respeito
Jovem demais para conquistar quem eu amo
Ainda falta a experiência adquirida com os anos
Que meu sofrido coração ainda não assimilou

Ainda estudo as teorias que eu sempre estudei
Números demais aplicados a problemas insolúveis
Ainda teorizo sobre as mesmas idéias que tinha
Enquanto coloco minha cabeça da forma desejada
Mesmo não podendo mais fazer os mesmos traços
Por que esqueci o meu compasso numa estrela

Ainda olho pro céu a noite procurando planetas
E os focalizo com a mesma lente ocular embaçada
Ainda troco o garfo pelo fouet sem necessidade
E pico os meus legumes com tesoura, não com faca
Ainda ouço as mesmas musicas quando triste
E as cantoras sempre me lembram de quem amo

Ainda amo as mesmas pessoas que antes
Ainda sou consolado pelos mesmos amigos
Ainda choro pelas mesmas causas inúteis
E pelas mesmas coisas que não acontecerão
Ainda me apaixono em apenas um piscar de olhos
E me deixo iludir pelos mesmos velhos truques

Posso dizer que ainda sou meu mesmo em fim
Cresci muito pouco de uns tempos pra cá
Ainda tenho os mesmos olhos caídos de antes
E ainda choro por dentro quase todo o tempo
Mesmo negando sempre que me perguntam
Por amor aqueles poucos que me consideram

E ainda tenho um velho livro para escrever...

domingo, 2 de junho de 2013

Algumas Desculpas e Agradecimentos

     Às vezes, fazemos burradas tão grandes que nada pode apagar. E isso não é tão incomum quanto pode parecer. Você que está lendo este texto com certeza já deve ter deixado de estudar para uma prova insubstituível, não é? Deve ter uma ou duas, se não dezenas, de cicatrizes que vieram de pequenos deslizes incorrigíveis. Bem, isso não é de tudo ruim! Podemos aprender muito com esse tipo de erro. Só quando passamos por coisas assim, sabemos realmente o peso de nossas ações.
     Hoje escrevo para pedir desculpas por um dos meus maiores erros incorrigíveis. Este em particular deve ser o pior erro que uma pessoa pode cometer: Amar. Não! Amar por si só não é um erro. Mas o amor, se adquirido em um momento inadequado, pode desencadear uma série de eventos indesejáveis... Este momento inoportuno aqui é muito bem representado por um amor não correspondido por um amigo. Sério, se nunca fez isso, agradeça aos seus deuses todos os dias! É horrível! A gente chora, a pessoa que amamos chora, as pessoas que nos amam choram...  Simplesmente, este é sim um erro incorrigível.
     Quando digo incorrigível é por que é amor. Se fosse qualquer outra coisa (Como paixonite, tesão, fogo, etc...), um pouco de vinho, tempo, chocolate e sono já tava de bom tamanho pra esquecer. Com o amor o buraco é mais embaixo. A gente fica o resto da vida preso à pessoa, preocupado com ela, como se de alguma forma fossemos responsáveis por tudo de ruim que acontecer a ela, pelo simples fato de não estarmos lá para protegê-la. Podem se passar anos, mas toda a vez que você ver a pessoa, vai sentir a mesma vontade de ir até ela e abraçá-la apertado, como se nunca fosse soltar. E toda vez que abraçá-la, seu cérebro vai parar o tempo por alguns instantes e registrar cada décimo de segundo com detalhes que só você poderia perceber.
     Então, este meu deslize aconteceu a um bom tempo. Hoje, ainda sinto esta vontade de estar perto e de ajudar essa pessoa em tudo que ela precisar... Porem depois de tanto correr atrás dele, acho que a assustei... Talvez por que ela notasse que não ia ter cura... Talvez por que ela chorasse toda vez que eu falava no que sentia... Mas são só palpites... O fato é que, agora, toda a linda amizade que tínhamos virou um singelo aceno de longe nos corredores da universidade. Culpa? Unicamente minha por ter tentado algo impossível tantas vezes.
     Mas neste texto queria parar um pouco para dar a devida atenção para algumas pessoas. Existiram anjos na minha vida que eu nunca terei como retribuir cada favor que me fizeram. Eles enxugaram as minhas lagrimas sempre que chorei... Ouviram, e ainda ouvem, minhas lamentações estúpidas e recaídas infantis. Eles me deram água quando mal conseguia respirar, me abraçaram e me levaram pra casa quase rastejando. Estes amigos passaram as piores tribulações ao meu lado e sempre tiveram fé na minha felicidade futura, mesmo quando nem eu mesmo mais acreditava. (De um deles eu até roubei um beijo uma vez, pensando na pessoa que amo.) Sem estes meus escudeiros, mal teria chegado até hoje sem estar pelo menos mil vezes mais gordo ou fumando horrores... Eles me deram força pra continuar minha vida, mesmo depois de todas as minhas falhas (Às vezes falhas com eles mesmos...).
     Quero fechar este texto agora reiterando minha eterna divida com estes meus anjos da guarda... Qualquer coisa que eu possa fazer por eles será um eterno prazer, e sem dúvida bem menos do que eles merecem. Quero também pedir a todos, mais uma vez, pela minha humanidade limitada, pela minha mania de fazer o certo e por ser franco demais quando não deveria. Espero poder estar com vocês, pelo menos, o resto de nossas vidas.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

E se fosse diferente?

Se o garoto me amasse, seria diferente
Ele estaria aqui agora me consolando
Teria feito uma guerra quando parti
Não teria deixado chegar onde chegou
Não teria dormido quando eu falava
Não ficaria triste pelo meu atraso
Mas não sorriria tanto quando presenteado
Por que se ele me amasse como amei
Não teria por que ter presa na eternidade

Se meu amigo tivesse se apaixonado
Eu, que já o estava, estaria completo
Se ele tivesse me beijado quando pode
Se ao menos tivesse ariscado tentar
Teríamos sido felizes, mesmo que breves
E eu não teria chorado no meio de nossos amigos
Nem teria me entregado a algo novo pra esquecer
Nunca iria desistir de tê-lo ao meu lado
Mas temo que mesmo depois do que chorei
E de toda a dor que senti ao te ver com outro
Ainda não sei se desisti de te ter comigo
Como meu mais eterno e puro amor

Se aquele outro garoto não tivesse sumido
E me deixado achá-lo na cama com outro
Depois de quarenta dias sem atender o celular
Ou se ainda aquele outro se importasse comigo
Ao invés de pensar no que eu tinha a oferecer
Como um professor particular carente e comprável
E se não tivesse estragado nossa única formatura
E não tivesse me dado três meses de depressão
E não tivesse me mandado uma foto sem roupa
Que eu acho que foi só de provocação
Ou se ainda aquele outro não tivesse me agarrado
E me feito perceber o quanto gostava dele
Só pra me humilhar em publico na escola
Por que eu sabia mais química que a professora

E se eu não tivesse esta mania estúpida
De me deixar apaixonar por qualquer pessoa
Desde que demonstre um pouco de carinho
Se eu não fosse tão volátil e não chorasse tanto
Se não pensasse que o amor vale mesmo a pena
E desistisse de uma vez da minha esperança tola...
Será que, mesmo sem isso tudo que passei (e passo)
Será que mesmo assim ainda seria eu aqui?

Mas de fato creio que valeu a pena ter vivido
E chorado, e rido, e me entregado, e me vendido
E ter me apaixonado loucamente muitas vezes
Simplesmente pelo prazer de ser quem eu sou
E pela esperança (inocente) de que o pior já passou

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Já Devia Ter Desistido


     Que gosto será que a água tem pra quem nunca a bebeu? Mesmo este líquido tão puro e tido como insípido pode ser fascinante e de sabor impagável para os que têm sede. Sei bem o que é querer ter e não poder... Estar tão perto da água a ponto de ver os reflexos das estrelas sobre ela, e não poder provar nem a menor das gotas... 
      A água de que falo são os lábios que nunca beijei, por mais que tentasse... É a pele que nunca toquei se não para um amigável abraço... A água de que falo é um amor que só me voltou como uma amizade salgada e seca...  Desejar ter mais do que podemos é potencialmente perigoso, principalmente quando não desistimos...
      Chego ao ponto de achar que tenho me impedido de realmente degustar o novo por nunca ter bebido desta água... Ter evitado tantas outras bocas... Ter me afastado de tantos outros sorrisos... Ter me privado de olhar nos olhos de tantos outros na esperança de ver as estrelas que moram nos seus...
     Já deveria ter desistido, pelo meu próprio bem... Eu já deveria ter desistido... Acho até quer já desisti, e ainda estou chorando por tê-lo feito...

domingo, 20 de janeiro de 2013

Arriscar, ou arriscar, ou ir pra casa


     Me pergunto quase sempre se estou fazendo a coisa certa e, na maioria dos casos, não sei responder. De certo que algumas coisas são obviamente erradas, mas será que não deveria arriscar o caminho que parece errado, no caso da duvida? Sabem, é como estar na beira de uma grande cachoeira e não saber se a água metros a baixo de você, encoberta pela nevoa da cascata, é funda o suficiente para pular com segurança. Esta historia pode terminar (num modelo simplista) de três formas. É sobre estas formas que queria debater um pouco hoje. E o porquê? Eu tenho vivido muito esta duvida e sempre tenho escolhido o caminho mais seguro... Sabemos bem que não se faz historia tomando os caminhos seguros e bem conhecidos! As grandes revoluções estão datadas nos dias em que homens comuns ousaram arriscar e deixaram, desde então, de ser comuns.
     E no que diz respeito a arriscar, me refiro a pessoa que na minha metáfora anterior, pula de olhos fechados rumo a superfície da água encoberta por névoa, sem sequer saber se ela existe. Estas pessoas simplesmente ignoram os riscos e as possíveis perdas, ou mesmo que as considerem, as desprezam. Estas pessoas sem duvida tem consigo um espírito de ousadia, que pode estar sendo movido pelo desespero, ou pela bravura, ou pela revolta... Algo fez com que valesse a pena arriscar se lançar numa mesa de apostas, sem nenhuma prerrogativa de êxito. Apenas alguns instantes depois do salto, a pessoa vai poder avaliar os frutos da sua decisão, se é que poderá.
     Dizem que a maioria dos suicidas que se lançam de prédios altos se arrependem pouco antes de chegar ao chão. Não confio muito neste resultado, uma vez que não tem como entrevistar a pessoa segundos antes dela chegar ao chão, porem posso dizer algo a respeito de quem acha pedras ao invés de água no fundo da cachoeira: Estas pessoas não vivem para contar a historia. Algumas vezes, ao arriscarmos, notamos que fizemos a pior escolha. Nem sempre a escolha é fatídica, mas ela pode ferir sim muitas pessoas (o que é potencialmente pior do que ferir somente você). Quando você nota que esta lá, quebrado e estirado nas rochas, talvez sem uma parte de si, talvez até sem si próprio, nada nem ninguém vai poder reverter o fluxo do tempo e te tornar de novo o que era antes do salto. Mesmo que os sangramentos acabem, as dores parem e as feridas se curem, as cicatrizes ficarão para sempre em você... Na sua pele, no seu coração, no seu sangue, no seu rosto... Olhe pra você hoje, nu, diante de um espelho. Você facilmente vai poder parar e rever cada mínima cicatriz... Você pode até não se lembrar da causa, mas ela está lá, e nunca vai sair...
     Porem não é só em pedras que pode terminar uma catarata. Existem os bem afortunados que saltaram rumo à sorte também, e não falharam. O salto é a melhor parte: O frio na barriga, o vento fresco que bate em seu rosto se arrasta por seu corpo como as mãos de um amante... É possível sentir as pequenas gotículas que formam a nevoa da cachoeira se chocando contra a nossa face, geladas e brilhantes, como pequenos flocos de neve flutuante. Os braços abertos nos dão a sensação de vôo, de libertação... Segundos que enquanto duram, são infinitamente longos. Após alguns instante, você sente seu corpo se chocar contra a superfície cristalina do lago abaixo da cachoeira, e quando seu corpo submerso se afasta do turbilhão, você pode desfrutar de alguns instantes de silencio sublime e incomparável, cercado da natureza intensamente viva e sublime do mundo debaixo d’água. Este êxtase de sensações contrastantes tem seu êxito final ao colocar seu rosto mais uma vez através do espelho cristalino e ser recepcionado pelo rei Sol, que orna e dá vida para toda a natureza ao seu redor...
     E todo este quadro se construiu sobre uma possibilidade, sobre um sorteio de dados. Já que falamos em possibilidades, vamos tentar quantizar um pouco nosso discurso: Digamos que você é um sujeito de muita sorte, ok? E pela manhã você gosta de pular cachoeiras para se divertir. Você têm experiência nisso, não pula em qualquer cachoeira, logo sua chance de acertar deve ser bem alta. Acho que você se daria uns 80%, ou ainda 90% de chance de acerto, mas eu confio muito mesmo nas suas habilidades, e vou confiar que suas chances  são de 99% de êxito. O que vou fazer agora pode ser estipulado com a ajuda de qualquer calculadora cientifica próxima. Caso você salte durante um ano completo, todas as manhãs, uma cachoeira, quais são suas chances de acertar todos os saltos? Só pra adiantar, vou falar de uma vez que o resultado dá por volta de 2,5%... Se eu fosse você começaria a me preocupar com esta sua maneira de viver a vida. Principalmente se você pretende fazer isso o restante da sua vida, o que podemos hipoteticamente dizer que serão mais 40 anos (o que te daria ai uns 14.610 saltos pela frente). Acho que você consegue refazer as contas com este numero e ver que a sua chance de escapar ileso é bem menos do que a de você “ganhar na mega”, ou ainda (sem muito exagero) de você ser atropelado por um bonde cheio de elefantes pintados de rosa, agora mesmo.
     O que fazer então, se por melhor que se seja em arriscar, vamos acabar mais cedo ou tarde dando com a cara contra as rochas? Aparece então o que chamo, sem muita nomenclatura formal, de “Ir para casa”. Se você está diante da catarata, pensando em pular, mas resolve ir para casa comer uma torta de amoras ou jogar videogame, você optou por este caminho. Vantagens e desvantagens? Esta é uma pergunta fácil de responder: Você pode refazer as contas que acabei de falar pra este caso, ok? Mas desta vez, a pergunta será “Se você nunca pular uma cachoeira durante 40 anos, qual sua chance de sair ileso à quedas de cachoeira mal sucedidas?” Este pergunta vai nos levar a um problema de probabilidade condicional, e vamos poder então determinar, mesmo sem contas, que a chance de você sair ileso é de 100%. A desvantagem, que pesa muito na cabeça dos adeptos deste caminho, são a de nunca poder desfrutas dos prazeres de que falei... Nem das gotículas brilhantes de água contra o rosto... Nem da serenidade do leito do lado... Nem do calor do Sol o recepcionando de volta à superfície...
     Tenho visto que eu e mais poucos amigos de verdade ainda optaram por “ir para casa” ao invés de arriscar se jogar. Não sou a pessoa certa pra postular qual seria o melhor caminho, nem acredito que exista tal pessoa. Posso afirmar sim que todos se arriscam a pequenos saltos todos os dias, saltos dos quais pouco devemos temer. Mas são os grandes saltos que nos fazem pensar em como agir. Assim como as guerras, eles nos categorizam em Heróis, Covardes e Cadáveres. Espero que no seu próximo salto, pense melhor, reflita... E se descobrir que pular é a melhor escolha e pular, pouco depois eu estarei lá, ou para te dar flores de congratulações, ou então para polas em seu túmulo.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Vale a pena?


     Valer a pena... Isso tem tomado muito a minha cabeça ultimamente. O que vale a pena a final? Será que os sacrifícios que fazemos em prol de alguma coisa vão ser reconhecidos por alguém, de tal forma que isso compense os prejuízos? Será que, graças a alguma hipotética justiça da vida, existem coisas que valem a pena?
     Tenho chorado muito por estar pensando nisso. Me pego me dilacerando por amor, por estudo, pela minha família... E sei que nada disso tem retorno imediato. O problema é que não tem parecido ter retorno algum. Não que eu seja ganancioso ou interesseiro, do tipo que faz as coisas pensando em recompensas, mas ser pisoteado depois de tanto esforço é no mínimo desestimulante. E chega uma hora que vale mesmo a pena é parar pra pensar no que estamos fazendo.
     Engraçado que anos de respeito e de amor devotados a sua família podem ser desconsiderados quando postos juntos a um único “defeito” seu. Ou ainda, anos de estudo e bom desempenho de um histórico brilhante podem ser insignificantes perante o mal desempenho em uma avaliação. O pior é que na maioria das vezes somos humilhados ou ainda sofreemos graves perdas pelo simples fato de falharmos uma vez. Já falei quanto a isso em outros textos: Quanto mais perfeitos somos, mais as pessoas esperam perfeição nas nossas ações. E nós certamente vamos falhar em um ponto, pois não somos perfeitos.
     Já que não existe justiça no amor nem no mérito, por que ser “alinhado”? Por que o mundo nos pede algo que ele mal sabe reconhecer?! De certa forma, eu acho que eu é que devo estar errado, e que no fundo o mundo quer que a gente seja livre e que não ligue pro amanhã. Mas ainda acho que ainda penso assim pra aumentar minha esperança de que existe alguma justiça no mundo, mesmo que eu não a entenda... Mas devo afirmar que nunca vi prova de tal justiça.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Experimento


     Eu queria propor um teste bem simples, mas que acho que resolveria o nosso problema: Vamos para um canto mais calmo e a gente tenta encostar nossas bocas uma na outra. Se for legal, a gente pode fazer mais algumas vezes, mas isso nem é o mais importante. Se o experimento der certo, a gente pode ir, num dia que você tiver mais tranqüilo, numa lojinha que eu gosto lá no centro da cidade e comprar dois pequenos anéis de prata, pra usarmos como uma prova de que aquele nosso teste deu certo, pra que nunca nos esqueçamos disso. Se der ai mais um tempinho, a gente pode trocar estes anéis de prata por um outro, este um pouco mais caro, e mudar pra uma casa que você ache legal e que fique fácil de irmos trabalhar. Depois disso podemos viver o resto da vida juntos fazendo todo o dia pequenos testes tão simples quanto este que começou esta conversa e tentando nos melhorar mutuamente para que a cada dia a gente passe a ter mais resultados positivos...
     ...
     Claro, isso é só uma ideia... Achei que seria legal fazer assim, sei lá...

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Me pergunto...


Quem vai te acordar as sete
quando perder a hora de acordar
e que vai ter posto a mesa
com café e a sua geleia favorita?
Quem vai te preparar uma sopa quente
quando você chegar gripado
depois de um dia de trabalho
naquele escritório gelado?
Quem vai pintar o nosso quarto
daquela cor que você adora
e te surpreender com um jantar romântico
só para comemorar?
Parece que não vou ser eu...

Quando vou poder fazer aquele crepe
com o molho de laranja e manteiga
que eu vou flambar no meio da sala
só pra te ver sorrir?
Quando eu vou te buscar na empresa
naquele nosso carro que você escolheu
e vou te levar para aquele restaurante
que serve uma mousse deliciosa?
Quando vou poder dançar com você
a principal valsa daquela festa
de comemoração de da passagem
que eu demorei anos para conquistar?
Quando vou poder te apresentar
para aqueles meus amigos tão estranhos
que você só olha de longe as vezes
e derreter minhas amigas com nossos beijos?
Parece que nunca vou poder...

Por quê?
Não sei...
Porque sim...
Porque eu não posso...
Porque você não quer...
Porque eu não dei sorte...
Porque eu não consegui...
Porque eu fracassei...
Porque me tornei obsoleto e falho
em minha principal tarefa
que é te fazer feliz...