quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Alguém que Pensasse em Mim

Queria alguém que pensasse em mim em cada manhã de sua vida
Que se tocasse da minha existência antes mesmo da sua
E que dissesse meu nome para os galos antes que eles cantem
Que antes mesmo disto sonhe doces sonhos comigo
E que tenha recordações nossas para me contar e rirmos
Que lembre de me perguntar como foi meu dia normal de sempre
Que se dê o trabalho de me ligar para desejar boa noite
Que ofereça a mão para que eu possa subir em algum lugar
Que me ofereça um tempo de estudo de integrais em grupo
Que seja sempre o que me adverte, não o que só consola
 Que se faça de bobo para que eu me sinta obrigado a explicar
Que faça de cada dia uma reprise do dia maravilhoso que passou
E que a cada novo dia tenha o dom de ser mais profundo e romântico
O que quero mesmo é alguém que me ame de verdade
De um jeito que acho que só eu sei amar...

sábado, 21 de agosto de 2010

Desbotado

Quando foi que tudo perdeu a cor?
Meus versos apenas ficaram cinza?
Por que não te vejo mais como antes?
Será que meu mundo arco-íres sumiu?
Apenas não vejo mais graça de nada
Nem em seu jeito nem em seu gosto
Antes você era alto e belo como ninguém
Agora é baixo e apenas um amigo especial
E aquele outro? Que nem está aqui mais...
Antes era lindo como um campo de trigo
Seu corpo se movia como as folhas no vento
E seus olhos faiscavam tão brevemente
Que eu só via os pequenos reflexos verdes
Agora não é mais assim, tudo mudou
Todos mudaram para algo sem cor
Os caras bonitos se tornaram normais
Os normais tão sem graça quanto os bonitos
Esfriei, me tornei uma pedra
Não sei ver o mundo sem aqueles olhos
O olhar caleidoscópico de um apaixonado
Ou de alguém muito feliz por nada
Estou sem cor nem pra mim
Não vejo mais a difração de meus cálculos
De meus textos tão multicoloridos
De meus amores de tinta que já desbotaram
Agora sou só mais um garoto cinza
Não mais roxo nem verde, cinza
Que acorda numa casa cinza, de uma família cinza
E faz todo dia as mesmas coisas cinzas de sempre
Sobrevivendo apenas a custa de algumas doações
Das poucas cores que restarem aos meus amigos
Também praticamente já desbotados pelo sol e tempo
Tentando ver cor em algo que não tem
Tentando fazer aquarela dobre uma vida morta
Tentando ser roxo, quando no máximo
Usando todas as suas forças
Consegue ser apenas furta-cor...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Olhos e Sakuras

      Caros amigos e leitores, e com imenso peso no peito que escrevo este texto... Por quê? Porque já deveria ter o feito há muito tempo. Mas hoje cheguei de viagem e me recordei que deixei de ir num aniversário de uma grande amiga por conta deste compromisso. Sendo assim, resolvo agora pegar minhas dividas com minha amada Rhaissa-chan, dedicando a ela alguns versos. Espero que ela possa me perdoar pelo atraso. Um abração para todos e uma boa leitura. Bay bay!



Olhos e Sakuras

Nem só de olhos puxados se faz uma oriental
Nem só da beleza sutil das sakuras primaveris
O oriente se ergue dia após dia junto ao sol
Com centenas de pessoas que batalham e lutam
E não são todos gueixas ou samurais ou xoguns
São pessoas como eu e você que andam pelas ruas
Que vão ao banco e que fazem suas compras
Porem dentro de cada um dos filhos da Ásia
Nota-se que existe um dragão adormecido
Um tigre pronto para correr pelos campos
Ou uma antigo, poderosa a grandiosa Kitsune
Que sutil caminha sem deixar que a percebam
Sem deixar quão poderosa é esta youkai
O mais fascinante é ver que as suas almas
Não estão presas pelas águas do Pacífico
Suas almas podem ser achadas espalhadas
E não só apenas em corpos de pele amarela
Mas em filhos brancos, negros ou pardos
Que olham para o sol nascente com alegria
Que amam ser chamados de diferentes
E por muitos também de não nacionalistas
Apenas por amar uma pátria honrosa
Mesmo que esta não seja sua de nascença

Ao reparar pessoas assim devotadas
Portadoras de esperança sobre-humana
Fico feliz de ver que ainda restam sonhadores
Que não sou o único a amar uma terra distante
Mesmo a minha sendo bem diferente...
(velha, enevoada e com cheiro de chá)
Respeito aqueles que criam amores distantes
Que falam outras línguas ou mudam o visual
Ou simplesmente os que pintam um quadro
Não em molduras, mas na parede do próprio quarto
Do velho pais amado e cheio de vida
Das belas sakuras róseas que cobrem o chão
Ou do monte imperados da Terra do Sol Nascente
Que os sonhos não sejam lançados ao vento
E sim brindados com a dádiva da realidade
Mas enquanto isso resta-nos sonhar, não é?
Manter o youkai preso no fundo do peito
Foliar fotos esperando para ver fotos nossas lá
Em um canto qualquer de uma praça
Fazendo uma cara estranha, maluca e feliz
Afinal de contas, sonhar não exige visto
Nem temos que pagar passagem aérea
Apenas temos que fechar os olhos e sorrir...

domingo, 1 de agosto de 2010

Garoto mudo

Todos as noites a mesma coisa
O mesmo ar de sempre
As mesmas frases tristes
Mas frases não mudam o mundo
Nem a realidade de uma pessoa
Sinto muita pena dele
Alem de um desejo incontrolável
Desejo de ajuda e apoio
Desejo de chorar junto
Desejo de abraçar, dar a mão
Desejo de sentir o que ele sente
De ver o que ele vê
Para poder ajudar
Ele me faz sentir impotente
Um poeta sem saber que dizer
E não e fácil me calar
E consegues o fazer
Sem proferir uma palavra se quer
O que posso te dizer?
Se soubesse, já o teria dito...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Dança Sincera

(ou "Um Primeiro Improviso Poético")

O bailarino se aquece na beira do palco
Suavemente se move para o centro
Platéia imóvel e silenciosa como lapides
São os rostos estátuas inertes a observar
E o bailarino parado sobe as luzes da ribalta
Nem um só ruído, nem tose, nem sussurro
É o grande momento que ele esperava
Coreografia arquitetada com total zelo
Atenção nos detalhes digna de um pintor
Criatividade minuciosa de um poeta
E em um do sustenido começa a valsa
Os dedos da pianista se movem no compasso
No suave movimento três por quatro
E o bailarino se move tão lentamente quanto
Esboçando os primeiros passos
Em um passo ousado se move par a frente
E por um triz não cai sobre o publico
Mas fica na ponta do pé rente ao proscenio
Como uma garça se ergue no ar
Ainda apoiado no mesmo pé que antes
E mais uma vez sai da posição e se move
E desliza no palco como um cisne
Porem não é este o ballet que dança
Não é o ballet dos cisnes e princesas
É o bailar de seu coração volúvel
É só uma maneira de se expressar
De mostrar pra todos o que ele sente
Uns passos para representar a paixão
A mesma valsa que o viu valsar naquele dia
A mesma loucura do apaixonar-se
Mais outros tantos palcos para o entregar-se
Os passos de quem se declara amante
Os passos de quem se deixa envolver
Agora um jogo de luzes para o ardor
Algo de vermelho para as noites quentes
Um pouco de lilás para os beijos roubados
E as sombras para os corpos entrelaçados
Mais alguns passos de ligação surgiram
As mãos da pianista já estão reclamando
Mas de repente ouvisse um grave acorde
Mais dois logo em seguida, e mais outros dois
Um rodopio, um tropeço, um corpo no chão
O bailarino prostrado, ofegante e entregue
Momentos de amor, prazer e paixão arruinados
Um apagar das luzis sutilmente da fim ao espetáculo
A platéia se ergue em palmas e gritos
Mas no palco... Sem luz... Sem vida...
Ouve-se apenas o pranto do artista...
Bailarino... Amante... E abandonado...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Obrigado Lua Amiga

Minha doce guia e mentora celestial
Grande Lua que a cada dia brilha mais
Orbe majestoso que me encanta sempre
Ouve a voz deste teu filho poeta
Poeta sim, pois foi você a tempo
Que em noites de solidão e amargura
Me ensinou este velho oficio
Venho não mais lamentar meus dias
Nem quero te pedir nada esta noite
Vim só render glorias e homenagens
Por tudo que me tem feito ultimamente
Por ter me mostrado meu eu lupino
Um lobo que desabrochou como flor
Perante seu tão singelo luar
Porem sei que esta branda luz tem poderes
Poderes estes que não posso calcular
Mas posso mensurar os efeitos
Vendo tanta felicidade que me trazem
E o que tem feito pelos meus amados
Para meus amigos queridos
Que tem estado tão felizes
Mesmo sem que eu nada faça
Mas sei que no fundo os guiou também
Assim como faz comigo sempre

O Lua cheia que o céu ostenta
Não ligue para as lagrimas de um tolo poeta
Sei o tanto que já sofres por mim
E peço apenas o luar de amanhã
E o que vem no dia seguinte
E ainda os de depois e depois
Pois o luar não só me alimenta e vigora
Mas também traz a paz e o amor
Não só à mim, mas aos que amo

terça-feira, 27 de julho de 2010

Lembra?

Queria saber se ainda se lembra de mim
Se ainda se lembra das coisas que fiz
Se ainda se lembra deste garoto normal
Que para muitos é tudo menos isso

Queria saber se lembra das nossas vindas
De nossas saídas sem destino algum
Queria saber se ainda vai aquele lugar
Onde por sorte te vi pela primeira vez

Estou a pensar se ainda pensa em mim
Mesmo depois de tantas voltas do mundo
Mesmo depois de tudo que passamos
Mesmo depois de tudo que mudamos

Queria saber se guardou minhas palavras
Se ouviu aqueles meus conselhos idiotas
Se sequer lembra-se de mim às vezes
Só para dizer que eu um dia estive ai

Na verdade você nem se lembra direito
Nem forma mais meu rosto em sua mente
Mas por que me preocupo com isso?
Porque penso em você todos os dias...